Venezuela propõe transição de governo sem Maduro, mas EUA rejeitam planos

Venezuela propõe transição de governo sem Maduro, mas EUA rejeitam planos

Vice-presidente Delcy Rodríguez apresenta alternativas à Casa Branca, enquanto tensões militares aumentam

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, apresentou aos Estados Unidos dois planos que previam uma transição de governo sem Nicolás Maduro, segundo reportagem do Miami Herald. As propostas foram encaminhadas à Casa Branca em abril e setembro, com o aval do próprio Maduro e com intermediação do Catar, mas acabaram sendo rejeitadas pelos americanos.

O primeiro plano, apresentado em abril, previa que Maduro permanecesse no país sob garantias de segurança, enquanto Delcy assumiria a presidência e conduziria uma transição política pacífica, mantendo políticas do governo chavista. Os EUA rejeitaram a proposta, considerando inviável uma mudança parcial do regime.

Em setembro, Delcy voltou à carga com um segundo plano, propondo uma transição liderada por ela e Miguel Rodríguez Torres, ex-chavista crítico a Maduro, exilado na Espanha. Nesse cenário, Maduro deixaria o país em direção ao Catar ou à Turquia. A proposta também incluía representantes da oposição venezuelana, embora María Corina Machado, principal liderança opositora, tenha sido excluída. A Casa Branca novamente rejeitou a ideia, temendo que estruturas do governo atual permanecessem sob nova aparência.

O contexto das propostas ocorre em meio a uma escalada de tensões. Na quarta-feira (15), o presidente Donald Trump afirmou ter autorizado operações secretas da CIA em território venezuelano e disse que estudava ataques terrestres contra cartéis de drogas ligados ao país. Desde setembro, os EUA têm bombardeado embarcações suspeitas de transportar narcóticos em rotas próximas à costa da Venezuela, resultando em mortes e críticas internacionais.

Maduro respondeu às ações norte-americanas chamando-as de “golpes de Estado da CIA”, defendendo a soberania venezuelana e alertando sobre os riscos de uma intervenção militar direta, lembrando os fracassos históricos de invasões estrangeiras. O governo venezuelano também acusou os EUA de adotar políticas de agressão para se apropriar dos recursos petrolíferos do país.

O cenário mostra uma Venezuela cercada por pressões externas, enquanto o governo americano intensifica medidas de coerção e vigilância militar na região, aumentando os riscos de confrontos diretos.

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