
Zema acusa Lula de antecipar campanha e questiona atuação da Justiça Eleitoral: “Um intocável”
Pré-candidato do Novo afirma que presidente teria feito pedido explícito de votos antes do período permitido pela legislação; Lula e aliados ainda podem contestar a interpretação sobre as declarações feitas em eventos políticos
O pré-candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Romeu Zema, acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de cometer suposto “ilícito eleitoral” ao pedir votos durante eventos políticos antes do início oficial da campanha eleitoral.
A crítica ocorreu após a participação de Lula em uma convenção partidária na Bahia, onde o presidente pediu apoio aos candidatos do PT e mencionou diretamente seu próprio nome na disputa presidencial de outubro. Pela legislação eleitoral, a propaganda eleitoral e o pedido explícito de votos são permitidos a partir de 16 de agosto.
Em publicação nas redes sociais, Zema afirmou que Lula estaria recebendo tratamento diferenciado das instituições de Justiça e questionou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Justiça Eleitoral diante do episódio.
“Será que o STF vai lançar uma candidatura própria ou vai continuar na coligação com o PT? Porque é isso que está parecendo”, declarou o governador mineiro.
Pedido de votos durante evento do PT
Durante a convenção que confirmou candidaturas do grupo governista na Bahia, Lula fez referências diretas ao processo eleitoral e pediu apoio aos seus aliados e à própria candidatura.
Em um dos momentos do discurso, o presidente afirmou:
“Depois que vocês votarem em deputado estadual e deputada estadual, votar em deputado federal e deputada federal, votar em senador da República e votar no Jerônimo, se sobrar um pouquinho de voto, vote em mim, que eu agradeço a todos vocês a lembrança.”
Para Zema, a fala ultrapassou os limites permitidos antes do período oficial de campanha e configuraria uma antecipação de propaganda eleitoral.
O episódio também provocou reação da oposição, que avalia questionar a conduta do presidente perante a Justiça Eleitoral.
Zema compara tratamento recebido em investigação
Ao criticar Lula, o pré-candidato do Novo também citou um episódio envolvendo uma investigação contra ele próprio. Zema é alvo de apuração relacionada a um vídeo publicado nas redes sociais em que utilizou fantoches para representar ministros do STF.
Segundo o governador mineiro, haveria diferença de tratamento entre políticos de oposição e integrantes do grupo governista.
“Enquanto isso, eu sou processado e investigado por fazer vídeo com fantoche”, afirmou.
Críticas a Jaques Wagner
Além da acusação sobre possível antecipação de campanha, Zema também criticou a presença do senador Jaques Wagner (PT-BA) ao lado de Lula durante o evento.
O governador mencionou investigações envolvendo Wagner relacionadas a suspeitas de ligação com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e afirmou que o petista deveria prestar esclarecimentos.
Lula, durante a convenção, defendeu seus aliados e destacou a importância da união da base governista na Bahia para as eleições de 2026.
Disputa eleitoral começa a ganhar intensidade
O confronto entre Lula e Zema ocorre em um cenário de aumento da movimentação política antes do início oficial da campanha. De um lado, o presidente busca consolidar sua candidatura à reeleição e fortalecer alianças estaduais. Do outro, nomes da oposição tentam explorar críticas ao governo e questionar a atuação do chefe do Executivo.
A discussão sobre os limites entre atos políticos, eventos partidários e propaganda antecipada deve ganhar espaço no debate eleitoral até o início oficial da campanha, quando candidatos estarão autorizados a pedir votos de forma aberta.