
Zema critica Flávio Bolsonaro por caso Vorcaro, mas histórico de doações e licenças ambientais gera questionamentos
Ex-governador de Minas recebeu doação milionária do pai de Daniel Vorcaro e enfrenta críticas por relação indireta com grupo investigado
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema, entrou na polêmica envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro após a divulgação de áudios sobre o financiamento do filme Dark Horse, baseado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em publicação nas redes sociais, Zema criticou duramente Flávio Bolsonaro pela cobrança de recursos ao empresário investigado.
“Ouvir você cobrar dinheiro do Vorcaro é imperdoável”, afirmou o ex-governador.
A declaração, porém, acabou gerando novos debates políticos após virem à tona informações sobre a relação de integrantes da família Vorcaro com campanhas eleitorais e empresas ligadas ao governo mineiro durante a gestão de Zema.
Pai de Daniel Vorcaro doou R$ 1 milhão para campanha de Zema
Dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral mostram que Henrique Vorcaro realizou uma doação oficial de R$ 1 milhão para a campanha de reeleição de Romeu Zema em 2022.
Henrique Vorcaro foi preso nesta quinta-feira (14) durante uma nova fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal com autorização do Supremo Tribunal Federal.
As investigações apontam suspeitas de irregularidades financeiras, lavagem de dinheiro e operações relacionadas ao escândalo envolvendo o Banco Master.
Segundo investigadores, Henrique Vorcaro seria beneficiário de movimentações financeiras realizadas dentro do esquema investigado.
Relação entre mineradoras e governo mineiro volta ao debate
Além da doação eleitoral, opositores de Zema passaram a questionar decisões tomadas pelo governo mineiro envolvendo empresas ligadas à família Vorcaro no setor de mineração.
Daniel Vorcaro tinha participação na mineradora Itaminas, empresa que enfrentava dívidas ambientais e dificuldades operacionais antes de retomar atividades em Minas Gerais.
Críticos afirmam que mudanças no processo de licenciamento ambiental durante a gestão Zema favoreceram grandes grupos mineradores no estado.
Uma das investigações citadas envolve a Operação Rejeito, que apura possíveis irregularidades em processos ambientais ligados ao setor mineral.
Serra do Curral e Brumadinho voltam ao centro das discussões
Outro ponto que voltou ao debate político envolve a exploração mineral na região da Serra do Curral.
Empresas ligadas ao grupo Vorcaro e ao empresário Fabiano Zettel possuem participação em projetos minerários na área, tema que gerou forte repercussão ambiental em Minas Gerais.
Zettel também ficou conhecido por doações milionárias às campanhas de Jair Bolsonaro e do governador Tarcísio de Freitas em 2022.
As críticas aumentam porque Minas Gerais ainda convive com as consequências do desastre de Rompimento da barragem de Brumadinho, tragédia que matou centenas de pessoas e expôs falhas na fiscalização do setor mineral.
Zema nega proximidade com Vorcaro
Antes da nova onda de denúncias, Romeu Zema havia declarado em entrevista que nunca teve contato direto com Daniel Vorcaro e classificou o banqueiro como “talvez o maior criminoso do país”.
Apesar disso, adversários políticos afirmam que as relações financeiras e empresariais envolvendo integrantes do grupo Vorcaro contradizem o discurso de distanciamento adotado pelo ex-governador.
Escândalo amplia tensão política na direita
O caso envolvendo Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e agora Romeu Zema ampliou a disputa política dentro da direita brasileira.
Enquanto aliados de Bolsonaro acusam adversários de tentarem explorar politicamente o escândalo, setores ligados a Zema defendem investigações amplas sobre todos os envolvidos no caso Banco Master.
As apurações da Polícia Federal continuam em andamento e podem trazer novos desdobramentos políticos e judiciais nas próximas semanas.