
Zezé se posiciona, vira alvo de Janja e escancara politização do SBT News
Cantor é atacado pela primeira-dama após criticar evento que virou palanque político bancado com dinheiro público
A polêmica envolvendo a inauguração do SBT News ganhou novos contornos após a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, acusar o cantor Zezé di Camargo de misoginia. A reação veio depois de o sertanejo criticar duramente a presença do presidente Lula, de ministros e de autoridades do Judiciário no evento, que deveria marcar o nascimento de um canal jornalístico, mas acabou assumindo contornos claros de ato político institucional.
Zezé, que acompanhou de perto a trajetória de Silvio Santos ao longo de décadas, manifestou incômodo com o rumo tomado pela emissora sob o comando das filhas do fundador. Em tom firme, mas pessoal, o cantor deixou claro que sua crítica não era contra mulheres, mas contra decisões editoriais e simbólicas que, em sua visão, destoam do legado de independência e popularidade construído pelo SBT.
Ainda assim, Janja optou por enquadrar a fala do artista como um ataque misógino, desviando o foco do ponto central levantado por Zezé: a transformação de um evento midiático em palco político, com ampla presença de autoridades e uso da máquina pública para deslocamentos, agendas e exposição institucional.
A acusação soa ainda mais contraditória quando parte de alguém que, sem ter cargo eletivo, acompanha o presidente em viagens frequentes pelo Brasil e pelo exterior, sempre custeadas pelos cofres públicos, e agora se coloca como árbitra moral de um debate que deveria ser legítimo e democrático.
O lançamento do SBT News reuniu não apenas Lula, mas também Janja, o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros de Estado, integrantes do STF como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do governador Tarcísio de Freitas. O cenário reforçou a percepção de que o evento extrapolou o jornalismo e se tornou uma vitrine de poder — exatamente o ponto questionado por Zezé.
Ao contrário do que sugere a crítica da primeira-dama, o cantor não atacou mulheres por serem mulheres. Ele questionou escolhas. Questionou rumos. Questionou símbolos. E fez isso exercendo um direito básico: o de discordar.
Em tempos em que qualquer voz dissonante é rapidamente rotulada para ser desqualificada, a postura de Zezé se destaca pela coerência. Ele abriu mão de um especial de Natal, de exposição e de retorno financeiro para não compactuar com algo em que não acredita. Isso não é misoginia — é convicção.
O verdadeiro problema exposto por esse episódio não está na crítica do cantor, mas na dificuldade do poder em aceitar questionamentos. Quando até a inauguração de um canal de notícias vira palco político, e quem aponta isso é atacado pessoalmente, fica claro quem está desconfortável com o debate aberto.