đŸ•”ïž A volta do inquĂ©rito contra Rui Costa: o peso do silĂȘncio e do tempo

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A PGR exigiu que as investigaçÔes recomeçassem no STJ sobre a compra de respiradores que nunca chegaram — o ministro nega participação, mas delaçÔes apontam para sua influĂȘncia no esquema.

Desde que assumiu o cargo de chefe da Casa Civil, Rui Costa carrega uma sombra que insiste em reaparecer: o inquĂ©rito que o investiga por suspeita de envolvimento no escĂąndalo dos respiradores fantasmas, recorde da pandemia, foi reativado. A Procuradoria-Geral da RepĂșblica (PGR), sob comando de Paulo Gonet, pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que prossiga com a apuração sobre a compra — estimada em R$ 48 milhĂ”es — que nunca se concretizou.

As investigaçÔes começaram quando Rui Costa era governador da Bahia e presidia o Consórcio Nordeste, entidade que fechou contrato com a empresa Hempcare Pharma para entrega de respiradores que não existiram. O valor foi integralmente adiantado, sem garantias reais de retorno.

O ponto central do novo pedido da PGR Ă© que Rui Costa teria autorizado ou consentido com o contrato, mesmo diante de indĂ­cios de irregularidades e da incapacidade da fornecedora. Segundo o parecer, ele “assinou contrato com previsĂŁo de pagamento antecipado e sem as salvaguardas exigĂ­veis” para proteger os cofres pĂșblicos.

Em sua defesa, o ministro reafirma que jamais participou diretamente das operaçÔes de compra e que nĂŁo teve envolvimento com o nome estranho da empresa contratada. Segundo ele, qualquer decisĂŁo foi tomada por seus subordinados com autonomia tĂ©cnica — justificativa que muitos consideram frĂĄgil diante das evidĂȘncias trazidas pela delação premiada de Cristiana Taddeo, dona da Hempcare.

Taddeo, em seu acordo de colaboração, alegou que Rui Costa tinha o “Ășltimo poder de decisĂŁo” nos negĂłcios. Ela detalha como lobistas agiam em nome do governo da Bahia e que, em conversas com Bruno Dauster (ex-secretĂĄrio de Costa), afirmavam que dependiam de sua autorização final para fechar contratos.

Durante anos, o processo saltou entre instĂąncias: jĂĄ esteve no STF, no STJ, nas autoridades estaduais e voltou ao Supremo, tudo enquanto o paĂ­s sofria com a pandemia e com a agonia de milhares de vĂ­timas da covid-19.

O cerne do debate agora Ă©: serĂĄ que essas reviravoltas judiciais sĂŁo fruto de tĂ©cnica legal necessĂĄria — ou de retĂłrica para empurrar com o tempo o que deveria ser investigado com urgĂȘncia? Rui Costa insiste em sua inocĂȘncia; a PGR aposta nos indĂ­cios que justificam voltar Ă  cena do crime.

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