
🚨 Gleisi comemora recuo e celebra que facções não sejam classificadas como terroristas
Ministra do governo Lula elogia decisão de Derrite, que retirou mudanças na Lei Antiterrorismo — e diz que isso “protege a soberania nacional”.
A ministra Gleisi Hoffmann, chefe da Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula, foi Ă s redes sociais comemorar o recuo do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) no projeto de lei Antifacção. O parlamentar decidiu desistir de alterar a Lei Antiterrorismo e de incluir a PolĂcia Federal no texto que trata do combate ao crime organizado — decisĂŁo que agradou o Planalto.
“Importante o recuo do relator Guilherme Derrite no novo parecer apresentado ao projeto de lei Antifacção Criminosa, enviado pelo presidente Lula ao Congresso”, escreveu Gleisi.
Segundo ela, Derrite retirou pontos que, na visĂŁo do governo, enfraqueciam a PolĂcia Federal e colocavam em risco a soberania nacional. A ministra ainda afirmou que o MinistĂ©rio da Justiça fará uma análise detalhada do novo texto para orientar o posicionamento oficial do Executivo.
“Nosso objetivo é combater o crime organizado e garantir o direito da população à segurança”, declarou Gleisi, como se a comemoração de um recuo fosse, paradoxalmente, uma vitória contra o crime.
Um “alĂvio” para o governo, um sinal preocupante para o paĂs
A retirada do trecho que equiparava facções criminosas a grupos terroristas foi vista com alĂvio dentro do governo Lula — mas causou repĂşdio entre quem defende uma postura mais firme contra o crime organizado. Juristas prĂłximos ao Planalto alegam que a medida poderia abrir espaço para “intervenções estrangeiras” no Brasil, enquanto crĂticos lembram que, na prática, o paĂs segue tratando facções como se fossem simples organizações comuns, e nĂŁo estruturas que aterrorizam comunidades inteiras.
Em coletiva, Derrite afirmou que não foi pressionado, mas admitiu que mudou de estratégia após as reações negativas.
“O texto Ă© praticamente o mesmo, sĂł muda o escopo da lei de 2016. NĂŁo fui procurado por ninguĂ©m do governo e estou 100% Ă disposição”, disse o deputado, tentando mostrar independĂŞncia polĂtica.
O projeto original
O texto original, de autoria do governo, prevĂŞ penas mais severas para integrantes de facções e milĂcias, cria o Banco Nacional de Organizações Criminosas e inclui o crime de organização criminosa armada na lista dos crimes hediondos — o que elimina qualquer possibilidade de anistia, indulto ou fiança.
Mesmo com esses avanços, o recuo de Derrite e a comemoração de Gleisi deixam uma pergunta no ar:
se o Brasil não classifica facções que matam, sequestram e dominam territórios inteiros como terroristas, então o que exatamente o governo considera terrorismo?