đŸ”„ TragĂ©dia sem culpados: Justiça absolve rĂ©us do incĂȘndio no Ninho do Urubu que matou 10 jovens atletas

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Juiz do Rio aponta falta de provas, laudos inconclusivos e denĂșncia genĂ©rica do MinistĂ©rio PĂșblico. FamĂ­lias das vĂ­timas reagem com indignação diante da decisĂŁo.

A Justiça do Rio de Janeiro absolveu nesta terça-feira (21) os sete rĂ©us do caso do incĂȘndio no Ninho do Urubu, tragĂ©dia que matou dez jovens jogadores da base do Flamengo em fevereiro de 2019. A decisĂŁo foi proferida pelo juiz Tiago Fernandes de Barros, da 36ÂȘ Vara Criminal, que considerou insuficientes as provas apresentadas pela PolĂ­cia Civil e pelo MinistĂ©rio PĂșblico para responsabilizar criminalmente os acusados.

Segundo o magistrado, a denĂșncia foi genĂ©rica e contraditĂłria, sem individualizar as condutas de cada rĂ©u. Para ele, nĂŁo houve provas de culpa direta e “a dĂșvida tĂ©cnica” sobre a origem do incĂȘndio tornou impossĂ­vel condenar alguĂ©m. O MinistĂ©rio PĂșblico do Rio de Janeiro (MPRJ) anunciou que vai recorrer da decisĂŁo.

🌙 A noite que virou tragĂ©dia

Na madrugada de 8 de fevereiro de 2019, o alojamento das categorias de base do Flamengo — montado em contĂȘineres metĂĄlicos — pegou fogo apĂłs um curto-circuito em um aparelho de ar-condicionado. O local, que servia de dormitĂłrio improvisado, nĂŁo tinha alvarĂĄ de funcionamento, segundo a Prefeitura do Rio.

As chamas se espalharam rapidamente, alimentadas pelo material inflamĂĄvel dos contĂȘineres. Dez adolescentes entre 14 e 16 anos morreram e outros trĂȘs ficaram feridos.

⚖ Os argumentos da absolvição

O juiz Tiago Fernandes apontou trĂȘs pilares principais para absolver os acusados:

1. AusĂȘncia de conduta culposa

Segundo o magistrado, os rĂ©us — entre eles diretores do Flamengo e engenheiros da empresa que montou os contĂȘineres — atuaram dentro dos limites de suas funçÔes e nĂŁo violaram deveres diretos de cuidado.

“A mera ciĂȘncia de irregularidade administrativa, sem poder de decisĂŁo tĂ©cnica ou de interdição, nĂŁo configura culpa penalmente relevante”, escreveu.

2. Sem ligação direta com o inĂ­cio do incĂȘndio

O juiz destacou que as provas não conseguiram estabelecer uma relação causal entre as açÔes dos réus e o começo das chamas. Um dos projetos elétricos, inclusive, teria sido alterado pelo clube após a execução, o que rompeu a cadeia de responsabilidade.

“Para que houvesse crime, seria necessário provar que houve uma ação descuidada que levou diretamente à ignição. Isso não ficou demonstrado.”

3. DĂșvidas sobre a causa exata do fogo

O magistrado também afirmou que os laudos periciais foram inconclusivos e apresentaram apenas hipóteses técnicas não comprovadas.

“Essa lacuna metodológica torna o laudo uma hipótese sem controle empírico, incapaz de afastar causas alternativas”, destacou.

Segundo ele, outras possibilidades — como falha interna do motor, sobrecorrente ou defeito de fabricação — não foram descartadas.

“Quando a dĂșvida nasce do prĂłprio saber tĂ©cnico, a absolvição nĂŁo Ă© apenas justa, mas juridicamente necessĂĄria.”

👔 Quem foi absolvido

  • AntĂŽnio Marcio Mongelli Garotti – diretor financeiro do Flamengo
  • Marcelo Maia de SĂĄ – engenheiro civil e diretor-adjunto de PatrimĂŽnio
  • ClĂĄudia Pereira Rodrigues – diretora da empresa NHJ
  • Danilo da Silva Duarte – engenheiro de produção da NHJ
  • Fabio Hilario da Silva – engenheiro eletricista da NHJ
  • Weslley Gimenes – engenheiro civil da NHJ
  • Edson Colman da Silva – sĂłcio da Colman Refrigeração

Outros quatro acusados jå haviam sido beneficiados anteriormente por decisÔes judiciais, entre eles o ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello, cuja punibilidade foi extinta por prescrição.

đŸ§Ÿ ReaçÔes e crĂ­ticas

Em nota, Bandeira de Mello reafirmou sua solidariedade às famílias e criticou a investigação:

“A investigação foi mal feita, incompleta e contaminada por interferĂȘncias externas. A decisĂŁo do juiz apenas reconhece o que sempre dissemos.”

JĂĄ o MinistĂ©rio PĂșblico prometeu recorrer, afirmando que a tragĂ©dia foi consequĂȘncia de falhas estruturais e negligĂȘncia conhecida:

“A Promotoria apresentou provas tĂ©cnicas e testemunhais que demonstram a previsibilidade do risco e o descumprimento das normas de segurança.”

💔 Dor e revolta das famílias

Enquanto a Justiça encerra mais um capítulo sem condenaçÔes, as famílias das vítimas se dizem revoltadas e desamparadas.

“É uma indignação muito grande, a gente se sente um lixo”, desabafou o pai de um dos meninos.

Mais de seis anos após a tragédia, a sensação de impunidade ainda queima como fogo que nunca se apaga.

Resumo amargo:
O incĂȘndio do Ninho do Urubu revelou as falhas de um sistema onde o improviso e a negligĂȘncia custaram dez vidas jovens. Agora, a Justiça conclui que nĂŁo hĂĄ culpados — e o paĂ­s assiste, mais uma vez, Ă  dor das famĂ­lias sendo abafada pela fumaça da impunidade.

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