
R$ 30 bilhões no “Move Brasil”: governo abre crédito para taxistas e motoristas de app, e oposição vê movimento com olho em 2026
Medida provisória libera recursos fora das metas fiscais para financiar veículos sustentáveis via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); governo fala em modernização da frota, enquanto críticos questionam timing e impacto político da decisão
O governo federal publicou a Medida Provisória 1.362 que abre um crédito extraordinário de R$ 30 bilhões para financiar o programa Move Brasil, voltado a taxistas e motoristas de aplicativo. A iniciativa permite a compra de veículos novos considerados sustentáveis, com financiamento operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio de instituições financeiras habilitadas.
Na prática, o programa funciona como uma linha robusta de crédito público para renovação da frota de transporte individual de passageiros. O governo afirma que o objetivo é modernizar veículos, reduzir emissões e estimular a economia do setor automotivo, com previsão de alcançar pelo menos 200 mil carros financiados.
O acesso ao benefício será feito por meio de cadastro na plataforma gov.br/movebrasil, com análise posterior das instituições financeiras. Após aprovação, motoristas poderão buscar concessionárias e iniciar o processo de financiamento.
O programa, lançado oficialmente no dia 19 de maio, já nasce com peso político e fiscal: os recursos ficam fora das metas tradicionais do orçamento, o que costuma gerar debate no Congresso e entre analistas econômicos.
Entre política pública e cálculo político
Embora o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva destaque o caráter social e econômico da medida, críticos e setores da oposição levantam questionamentos sobre o momento da liberação dos recursos.
Para esses grupos, o volume elevado de crédito e o foco em categorias de forte capilaridade social — como motoristas de app e taxistas — pode ter impacto direto na percepção pública do governo, especialmente em um período mais próximo de disputa eleitoral. Essa leitura, no entanto, é contestada por aliados do Planalto, que defendem que o programa já vinha sendo estruturado e responde a uma demanda antiga de renovação da frota.
Na prática, o anúncio reacende um debate recorrente em Brasília: até que ponto políticas de estímulo econômico são guiadas por planejamento de longo prazo ou acabam atravessadas pela lógica do calendário político.
O texto agora segue para análise do Congresso Nacional, que pode alterar ou validar a medida. Enquanto isso, o governo aposta na promessa de destravar crédito e acelerar a modernização do transporte urbano no país.