Alcolumbre afirma ter 48 votos para reeleição e rejeita impeachment de Alexandre de Moraes

Alcolumbre afirma ter 48 votos para reeleição e rejeita impeachment de Alexandre de Moraes

Presidente do Senado sinaliza que não pretende colocar pedidos de afastamento de ministros do STF em votação e aposta no apoio do Centrão; postura aumenta a pressão da oposição por mudanças na condução da Casa.

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirma a interlocutores que conta com pelo menos 48 votos para tentar permanecer no comando da Casa em 2027. Segundo informações publicadas em 26 de outubro de 2026, o senador também não pretende colocar em pauta pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente contra Alexandre de Moraes, com quem mantém uma relação próxima.

O Senado possui 81 cadeiras, e a eleição para a presidência da Casa exige maioria dos votos válidos. O número citado por Alcolumbre indica uma vantagem inicial em sua articulação política, embora o resultado dependa da votação e dos acordos que serão firmados até a escolha da nova Mesa Diretora.

Impeachment de Moraes divide o Senado

A posição atribuída a Alcolumbre representa um obstáculo para parlamentares da oposição que defendem a abertura de um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes. Esses senadores cobram uma atuação mais incisiva do Senado diante de questionamentos envolvendo integrantes do Supremo e sustentam que os pedidos de afastamento precisam receber uma resposta institucional.

Alcolumbre, por sua vez, tem demonstrado resistência a dar andamento a essas solicitações. A decisão de não pautar os pedidos impede, na prática, que o plenário avance na discussão enquanto a presidência da Casa mantiver essa posição.

O tema é politicamente sensível porque cabe ao Senado processar e julgar ministros do STF nos casos de crimes de responsabilidade, conforme os procedimentos legais aplicáveis. A apresentação de um pedido, entretanto, não significa que as acusações estejam comprovadas ou que o afastamento seja automático.

Apoio do Centrão e disputa pelo comando da Casa

Na disputa pela presidência do Senado, Alcolumbre aposta no apoio de partidos do Centrão e de outras legendas interessadas em preservar sua influência na direção do Congresso.

O Partido Liberal (PL), por sua vez, prepara uma candidatura própria. Entre os nomes mencionados nas articulações está o senador Rogério Marinho (PL-RN), que participou da coordenação política da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

A disputa não se limita à escolha de um presidente. O resultado poderá influenciar a definição das prioridades legislativas, a tramitação de propostas de interesse do governo e a maneira como o Senado tratará os pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.

Alcolumbre também pretende defender a indicação de Rodrigo Pacheco para o STF, segundo as informações divulgadas. A movimentação integra as articulações políticas em Brasília, mas eventuais indicações dependem dos procedimentos constitucionais e das decisões das autoridades competentes.

Relação com o governo Lula entra no debate político

A relação de Alcolumbre com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também aparece no cenário das negociações políticas. A condução de pautas de interesse do governo e a disputa pelo controle do Senado podem influenciar alianças entre partidos, especialmente diante da reorganização das forças políticas após as eleições.

Entre os temas legislativos mencionados nas articulações está a proposta de redução da jornada de trabalho e de mudanças na escala 6×1. A tramitação da matéria é relevante para o governo e para parlamentares que defendem alterações nas regras de jornada e descanso dos trabalhadores.

O debate sobre a escala 6×1, contudo, deve ser acompanhado separadamente das negociações em torno da presidência do Senado, para que os interesses políticos envolvidos não sejam confundidos com o mérito da proposta trabalhista.

O que está em jogo

A possível reeleição de Alcolumbre e sua resistência a pautar o impeachment de Moraes colocam em evidência uma questão central: o papel da presidência do Senado na definição das matérias que chegam ao plenário.

Para a oposição, a falta de andamento dos pedidos de impeachment representa um obstáculo ao exercício da fiscalização política sobre integrantes do Supremo. Para os defensores da atual condução da Casa, a presidência precisa administrar os requerimentos conforme os procedimentos institucionais e o contexto político.

O fato concreto é que a quantidade de votos que Alcolumbre afirma possuir ainda não representa uma eleição consumada. Da mesma forma, a existência de pedidos de impeachment não comprova, por si só, a prática de irregularidades por parte de qualquer ministro.

A disputa pela presidência do Senado deverá ser acompanhada pelas decisões dos partidos, pela formação das bancadas e pelos compromissos assumidos pelos candidatos. O resultado poderá determinar não apenas quem comandará a Casa, mas também quais temas terão prioridade na agenda legislativa e como serão tratados os pedidos de responsabilização de autoridades.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags