
Amiga de Lulinha, Roberta Luchsinger rompe com Lula e declara voto em Flávio Bolsonaro: “É hora de renovação”
Empresária e lobista que já demonstrou apoio ao petista nas redes sociais afirmou ter votado nulo no primeiro turno e escolhido Flávio Bolsonaro no segundo. A declaração ocorre em meio a um rompimento público com Lula e a investigações da Polícia Federal sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo Roberta e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. As suspeitas seguem sob investigação e não representam condenação.
A empresária e lobista Roberta Luchsinger, conhecida por sua proximidade com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 25 de outubro de 2026. A manifestação foi publicada em suas redes sociais no próprio domingo da votação e marcou uma mudança pública de posicionamento político: depois de apoiar Lula em 2022, Roberta afirmou que, desta vez, escolheu o candidato adversário do presidente.
Na mensagem, Roberta informou que havia votado nulo no primeiro turno e que decidiu votar em Flávio no segundo, com a expectativa de que o país inicie um novo ciclo político. Ela justificou a escolha com críticas à polarização, aos conflitos permanentes e à falta de soluções concretas para os problemas dos brasileiros.
“Na minha avaliação, Lula já não reúne as condições necessárias para conduzir o país diante dos desafios que temos pela frente”, escreveu a empresária. Em seguida, defendeu “renovação”, novas ideias e uma política mais voltada para o futuro.
A declaração chamou a atenção pelo histórico de proximidade entre Roberta e o círculo pessoal do presidente, mas também pelo momento em que ocorreu: poucos dias depois de um confronto público entre ela e Lula, em meio a acusações e investigações que ganharam espaço no debate eleitoral.
De apoiadora de Lula a eleitora de Flávio Bolsonaro
Roberta Luchsinger já havia demonstrado apoio a Lula publicamente. Em 2022, publicou imagens ao lado do petista e apareceu em registros fazendo o gesto associado à campanha presidencial daquele ano. Sua proximidade com o filho do presidente também foi destacada em reportagens sobre as relações pessoais e políticas que passaram a ser examinadas pelas autoridades.
A mudança anunciada em 25 de outubro de 2026 representa, portanto, uma ruptura política pública. Roberta não apenas declarou o voto em Flávio Bolsonaro, como também afirmou que o Brasil precisa abandonar disputas permanentes e priorizar resultados.
Em sua publicação, escreveu que os brasileiros querem soluções concretas para os problemas do presente e perspectivas reais para o futuro. Também defendeu “menos polarização, menos discursos de enfrentamento e mais resultados”.
A manifestação foi interpretada como mais um sinal do rompimento entre a empresária e o grupo político ligado a Lula. O posicionamento, entretanto, deve ser entendido como uma declaração individual de voto, e não como prova de que outros integrantes do governo ou antigos apoiadores do presidente tenham mudado de lado.
Quem é Roberta Luchsinger
Roberta Luchsinger é empresária e lobista, com relações pessoais e políticas que já foram objeto de reportagens e investigações. Ela ganhou notoriedade nacional em 2017, quando anunciou a intenção de doar R$ 500 mil a Lula, que enfrentava o bloqueio de bens determinado no contexto de processos judiciais daquele período.
Nos anos seguintes, seu nome voltou ao noticiário por causa de sua proximidade com Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e de suspeitas investigadas pela Polícia Federal. Reportagens também mencionaram mensagens, contatos e possíveis relações com pessoas que circulavam em ambientes políticos e governamentais.
A existência desses contatos, por si só, não comprova a prática de crime. É necessário distinguir relações pessoais, atuação empresarial e atividade de lobby de eventuais condutas ilegais que precisariam ser demonstradas por provas e avaliadas pelas autoridades competentes.
Investigações da Polícia Federal e suspeitas de tráfico de influência
Roberta é investigada pela Polícia Federal em apurações que envolvem suspeitas de tráfico de influência e possíveis relações com negócios junto a órgãos federais. As investigações também alcançam Lulinha, filho do presidente, e incluem suspeitas relacionadas ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, no contexto das apurações sobre fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.
Segundo as reportagens, a Polícia Federal apura se Roberta e Lulinha teriam atuado em possíveis esquemas de influência junto ao governo federal. Entre os pontos mencionados estão contatos pessoais e possíveis tratativas envolvendo interesses empresariais. As suspeitas ainda precisam ser examinadas à luz dos documentos, depoimentos e demais elementos reunidos nos inquéritos.
Roberta já foi alvo de medidas judiciais no âmbito da Operação Sem Desconto, incluindo busca e apreensão, bloqueio de bens e valores e monitoramento por tornozeleira eletrônica, conforme noticiado pela CNN Brasil. Essas medidas são cautelares e não equivalem a uma condenação criminal.
A apuração de possíveis irregularidades exige que as autoridades esclareçam quais contatos ocorreram, quais interesses estavam envolvidos, se houve pedidos ou vantagens indevidas e se existem provas de atuação ilegal. Até que haja conclusão judicial, as suspeitas não devem ser apresentadas como crimes comprovados.
A relação com Lulinha e os questionamentos sobre contatos no governo
A proximidade de Roberta com Fábio Luís Lula da Silva tornou-se um dos pontos de maior interesse jornalístico. Reportagens mencionaram mensagens de WhatsApp e contatos que, segundo os investigadores, merecem análise para esclarecer a natureza das relações e eventuais tratativas de interesse empresarial.
Também foram divulgadas informações sobre a presença de Roberta em ambientes ligados ao governo e sobre o uso de voos da Força Aérea Brasileira. A relevância desses episódios depende de circunstâncias específicas: quem autorizou os acessos, qual era a finalidade dos contatos, em que contexto ocorreram e se houve alguma irregularidade.
É fundamental que essas perguntas sejam respondidas com documentação e informações oficiais. A proximidade pessoal com familiares de um presidente não prova, isoladamente, tráfico de influência; por outro lado, eventuais indícios concretos de favorecimento indevido precisam ser investigados com independência e transparência.
A defesa de Lulinha negou a prática de irregularidades e afirmou que ele está à disposição da Justiça para colaborar com as investigações. Também contestou as declarações públicas de Roberta e questionou a condução de parte das apurações. A posição da defesa precisa ser considerada no acompanhamento do caso, assim como os elementos que venham a ser apresentados pela Polícia Federal.
O rompimento público com Lula
O distanciamento entre Roberta e o presidente tornou-se explícito nos dias que antecederam o segundo turno. Em entrevista à CNN Brasil, em 17 de outubro, a empresária afirmou que desejava firmar um acordo de colaboração premiada e declarou que poderia apresentar informações além das mensagens já conhecidas pelos investigadores.
Na ocasião, disse que tinha conhecimento de fatos que, segundo ela, poderiam contribuir para as apurações. Também fez duras críticas ao presidente, usando expressões ofensivas para contestar declarações dele sobre sua pessoa e suas relações com o governo. As afirmações foram feitas por Roberta e ainda precisam ser verificadas pelas autoridades.
No dia seguinte, durante o debate presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro na TV Bandeirantes, Roberta publicou um vídeo em que voltou a contestar o presidente e afirmou estar colaborando com a Justiça em três inquéritos sob segredo de Justiça. Ela disse que as restrições impostas no contexto das investigações limitavam o que poderia revelar publicamente.
O episódio elevou a temperatura política da disputa. As declarações da empresária passaram a ser utilizadas no confronto entre os candidatos, especialmente depois que Flávio questionou Lula sobre a relação com Roberta durante o debate.
A existência de um conflito público, porém, não significa que todas as acusações feitas por qualquer uma das partes sejam verdadeiras. A verificação dos fatos depende de provas independentes, e não apenas de declarações dadas durante uma campanha eleitoral.
A resposta do governo e a posição de Lula
Após as declarações de Roberta, a equipe de comunicação de Lula afirmou à CNN Brasil que o presidente desconhecia os fatos relatados por ela e negou que tivesse mantido interlocução com a empresária ou recebido demandas suas. A manifestação também afirmou que não havia contrato do governo federal com Roberta e classificou as declarações divulgadas às vésperas do segundo turno como uma tentativa de interferir no debate eleitoral.
Essa resposta coloca em evidência a divergência entre as versões apresentadas. De um lado, Roberta afirma ter informações que pretende levar às autoridades; de outro, o presidente nega a relação nos termos descritos por ela. A apuração jornalística responsável deve registrar as duas posições e acompanhar os documentos que possam esclarecer os fatos.
A eventual celebração de um acordo de colaboração premiada também não comprova automaticamente as acusações de quem o propõe. Para que informações de um colaborador tenham consequências jurídicas, elas precisam ser avaliadas pelas autoridades e confrontadas com outros elementos de prova.
Por que o voto em Flávio ganhou repercussão
A declaração de Roberta teve repercussão porque reuniu três elementos politicamente sensíveis: sua antiga manifestação de apoio a Lula, sua proximidade com Lulinha e as investigações que envolvem suspeitas de tráfico de influência. Ao declarar voto em Flávio Bolsonaro, ela passou a criticar publicamente o presidente que havia apoiado anteriormente.
O gesto também ocorreu em um momento decisivo, no próprio dia do segundo turno. A escolha individual da empresária ganhou espaço no debate público porque reforçou a narrativa de rompimento entre antigos apoiadores e o governo petista.
Ainda assim, não é possível concluir, a partir de uma única declaração, qual será o impacto eleitoral do posicionamento. A dimensão da influência de Roberta sobre outros eleitores não foi demonstrada apenas pela publicação nas redes sociais.
O que está documentado é a mudança de voto que ela declarou, a crítica que dirigiu a Lula e o contexto de conflito público em que a mensagem foi divulgada.
A íntegra da mensagem política
Na publicação reproduzida pelo Poder360, Roberta Luchsinger apresentou sua justificativa para votar em Flávio Bolsonaro. A mensagem defendia a superação dos conflitos políticos e a busca de soluções práticas para o país.
Ela escreveu que o Brasil precisa olhar para a frente, que os brasileiros querem soluções concretas e que o país precisa de menos polarização e mais resultados. Em seguida, afirmou ter votado nulo no primeiro turno e escolhido Flávio no segundo, com a esperança de iniciar um novo ciclo. Por fim, declarou que, em sua avaliação, Lula já não reunia as condições necessárias para conduzir o país diante dos desafios futuros.
A publicação encerrou com uma mensagem de esperança por um Brasil que avance, una a população e ofereça oportunidades a todos, acompanhada das hashtags de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.
O que vem pela frente
O anúncio de voto em Flávio Bolsonaro é um capítulo de uma disputa política que ultrapassou as urnas e passou a envolver acusações públicas, respostas do governo e investigações policiais. O desdobramento mais importante, contudo, não será apenas o efeito eleitoral da declaração, mas a capacidade das autoridades de esclarecer as suspeitas que envolvem Roberta Luchsinger e Lulinha.
Se a empresária apresentar informações em eventual colaboração premiada, elas precisarão ser examinadas, verificadas e confrontadas com outros elementos. Da mesma forma, as negativas dos investigados deverão ser avaliadas à luz das provas reunidas nos procedimentos.
A sociedade tem direito a respostas sobre possíveis relações entre interesses privados e agentes públicos, especialmente quando as suspeitas envolvem pessoas próximas ao poder. Esse esclarecimento deve ocorrer sem condenações antecipadas e sem que a investigação seja substituída por disputas partidárias.
Ao declarar voto em Flávio Bolsonaro, Roberta Luchsinger tornou público seu rompimento político com Lula. O contexto que levou à mudança, entretanto, permanece ligado a fatos que precisam ser apurados. A distinção entre acusações, evidências e conclusões judiciais é indispensável para que o debate público seja informado, transparente e responsável.