
Lula provoca Flávio Bolsonaro sobre escala 6×1 e cobra posição antes do segundo turno
Em vídeo publicado nas redes sociais, presidente questiona como adversário votará no Senado e como orientará a bancada do PL; Flávio defende maior liberdade para trabalhador e empregador negociarem a jornada.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou, na quarta-feira (7), um vídeo nas redes sociais para pressionar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a declarar sua posição sobre a proposta que prevê o fim da escala 6×1. Lula perguntou como o adversário pretende votar e qual orientação dará à bancada do PL no Senado.
No vídeo, Lula afirmou: “Eu quero saber como é que o Flávio Bolsonaro vai votar. Eu quero saber como é que ele vai orientar o PL para votar.” Em seguida, apresentou sua defesa da mudança da jornada, dizendo que o trabalhador teria mais tempo para descansar, conviver com a família e ter lazer.
A proposta em discussão no Senado é a PEC 221/2019, que prevê a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com cinco dias de trabalho e dois dias de descanso, sem redução salarial. O texto ainda precisa cumprir as etapas de discussão e votação no Senado.
O posicionamento de Flávio
Flávio Bolsonaro, por sua vez, defende uma alternativa baseada em maior flexibilização da jornada, permitindo que trabalhadores e empregadores possam negociar a organização do tempo de trabalho de acordo com suas necessidades.
Em declaração publicada durante a campanha, Flávio afirmou que a proposta é dar “liberdade para que o trabalhador monte a sua jornada de trabalho conforme a sua possibilidade, a sua necessidade”.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio e líder da oposição no Senado, afirmou que a bancada ainda não havia fechado uma posição sobre a PEC. Segundo ele, a oposição defende uma alternativa baseada na negociação das horas trabalhadas.
A crítica ao discurso de Lula
A cobrança de Lula ocorre em plena campanha do segundo turno e justamente quando o Senado começou a discutir a proposta. Por isso, a questão também ganhou evidente dimensão eleitoral.
O próprio presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que a tramitação deve seguir o regimento e que os senadores deverão votar de acordo com suas próprias convicções. Alcolumbre também declarou não ter recebido requerimento formal para acelerar ou retardar a votação.
A crítica possível ao discurso de Lula está justamente na tentativa de transformar uma discussão legislativa complexa em uma cobrança direta ao adversário durante a campanha. O debate sobre a jornada de trabalho merece ser feito com números, impactos econômicos, produtividade, salários, pequenas empresas e condições reais de negociação — e não apenas como instrumento de confronto eleitoral.
Além disso, Flávio não é obrigado a simplesmente aderir à formulação apresentada por Lula. Existem diferentes modelos para discutir a redução da jornada, e a posição defendida pelo candidato do PL envolve flexibilização e negociação.
Lula quer transformar a 6×1 em tema eleitoral
No vídeo, Lula também declarou que a discussão serviria para o eleitor identificar “quem é quem nesse país”. A frase mostra que o tema deixou de ser apenas uma matéria trabalhista e passou a ocupar espaço estratégico na disputa presidencial.
A situação ganhou ainda mais força porque Lula passou a intensificar sua presença nas redes sociais depois do primeiro turno. A campanha petista avalia que é necessário ampliar a comunicação digital, e os vídeos publicados pelo presidente fazem parte dessa mudança de estratégia.
Assim, a escala 6×1 entrou definitivamente no centro do segundo turno: Lula cobra um voto específico de Flávio; Flávio defende liberdade de negociação; e o Senado terá de decidir a proposta dentro do processo legislativo.
O eleitor, no fim, poderá comparar as duas visões: de um lado, a redução constitucional para 40 horas semanais com dois dias de descanso; de outro, uma proposta de maior flexibilidade na organização da jornada. A discussão, porém, precisa ir além das provocações eleitorais e considerar os efeitos concretos para trabalhadores, empresas, salários e empregos.