Antigo apartamento de Eduardo Bolsonaro será leiloado pela Caixa por R$644 mil

Antigo apartamento de Eduardo Bolsonaro será leiloado pela Caixa por R$644 mil

Um apartamento que pertencia a Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente da República Jair Bolsonaro e ex-deputado federal, será leiloado pela Caixa Econômica Federal no dia 20 de agosto, após o banco retomar a posse do imóvel em razão de inadimplência no pagamento do financiamento.

O imóvel está localizado na Avenida Pasteur, em Botafogo, um dos bairros mais valorizados da Zona Sul do Rio de Janeiro. Segundo o edital do leilão, o apartamento foi avaliado em aproximadamente R$ 1,011 milhão, enquanto o lance mínimo foi fixado em R$ 644.324,76.

O valor mínimo está, portanto, cerca de 36% abaixo da avaliação do imóvel, o que pode tornar o leilão atrativo para compradores dispostos a assumir eventuais pendências jurídicas ou registrais associadas à propriedade.

As informações foram confirmadas por fontes com conhecimento do caso e por meio da análise de documentos públicos.

Financiamento de R$ 780 mil assinado em 2017

Registros do imóvel mostram que Eduardo Bolsonaro financiou R$ 780 mil do valor de compra por meio da Caixa.

O contrato de financiamento foi assinado em outubro de 2017 e estruturado em 420 meses — um período de 35 anos.

O financiamento foi garantido pelo próprio imóvel, ou seja, o apartamento serviu como garantia do empréstimo. Após a inadimplência, a Caixa iniciou os procedimentos previstos na legislação brasileira para retomada do bem.

O banco acabou consolidando a propriedade do apartamento em seu nome em 30 de março de 2026.

A consolidação da propriedade é um procedimento padrão utilizado por instituições financeiras em casos de inadimplência em determinados tipos de financiamento imobiliário. Uma vez cumpridos os requisitos legais, o credor pode assumir a posse do bem dado em garantia e, posteriormente, colocá-lo à venda.

Caixa tentou notificar Eduardo Bolsonaro

Antes de assumir a propriedade do imóvel, a Caixa tentou notificar pessoalmente o ex-proprietário para que ele regularizasse a dívida em aberto.

Segundo os documentos, no entanto, o banco não conseguiu localizar Eduardo Bolsonaro para a notificação pessoal.

A Caixa então publicou um aviso eletrônico de inadimplência nos dias 5, 6 e 7 de novembro de 2025.

A publicação deu início ao prazo legal para a regularização das dívidas em aberto. Como a situação não foi regularizada, o processo avançou e o imóvel acabou sendo transferido para a Caixa.

O banco agora oferece o apartamento em leilão, com a primeira praça marcada para 20 de agosto.

Registro do imóvel contém restrições legais

A matrícula do imóvel contém registros adicionais que potenciais compradores precisarão considerar.

De acordo com a documentação do leilão, o imóvel possui anotações envolvendo penhora, ônus e uma ordem de bloqueio de ativos.

O edital estabelece que quaisquer medidas necessárias para resolver ou regularizar essas pendências serão de responsabilidade do arrematante.

Isso significa que qualquer comprador deverá analisar cuidadosamente a situação jurídica e registral do imóvel antes de apresentar um lance.

Bloqueio de bens determinado por Alexandre de Moraes

Um dos elementos mais sensíveis politicamente na história do imóvel envolve uma ordem de bloqueio de ativos relacionada ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

A matrícula do imóvel registra uma restrição patrimonial determinada pelo gabinete de Moraes antes de a Caixa consolidar a propriedade do apartamento.

A averbação foi feita em 22 de julho de 2025 e se refere a uma ordem emitida em um processo em tramitação no Supremo Tribunal Federal.

No entanto, o registro do imóvel não reproduz o conteúdo da decisão judicial, tampouco especifica os motivos que levaram à ordem de bloqueio.

Portanto, a existência da restrição na matrícula não estabelece, por si só, as circunstâncias ou fundamentos jurídicos específicos da decisão de Moraes.

Ainda assim, a restrição faz parte do histórico oficial do imóvel e consta na documentação vinculada ao leilão.

Ex-proprietário de destaque político

Eduardo Bolsonaro é uma figura de destaque no movimento político conservador brasileiro e um dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ele foi deputado federal por São Paulo e se tornou um dos nomes mais visíveis associados ao governo de seu pai e à família Bolsonaro.

Em razão de sua projeção política, o leilão de um imóvel anteriormente registrado em seu nome atraiu atenção para além do mercado imobiliário.

O caso, no entanto, é formalmente tratado como uma questão bancária e patrimonial, envolvendo o contrato de financiamento, a inadimplência, a retomada do bem e o leilão da garantia.

Os documentos citados na reportagem não estabelecem, por si só, que o leilão esteja relacionado à ordem de bloqueio de ativos determinada por Moraes. A matrícula apenas registra que a restrição existia antes da Caixa assumir a propriedade do imóvel.

Preço do leilão está significativamente abaixo da avaliação

A diferença entre a avaliação oficial do imóvel e o lance mínimo do leilão é um dos aspectos mais relevantes do caso.

O apartamento foi avaliado em:

R$ 1.011.000

O lance mínimo do leilão é:

R$ 644.324,76

Isso representa uma diferença de aproximadamente:

R$ 366.675

ou cerca de 36% abaixo do valor de avaliação.

O desconto não significa necessariamente que o imóvel será vendido por esse valor. Leilões podem atrair múltiplos interessados, o que pode elevar o preço final acima do lance mínimo.

Ao mesmo tempo, a documentação do leilão deixa claro que os compradores devem considerar as restrições registradas e eventuais obrigações ainda associadas ao imóvel.

O que acontece a seguir

O leilão está marcado para 20 de agosto, quando interessados poderão apresentar lances nas condições estabelecidas no edital oficial da Caixa.

Se o imóvel for arrematado com sucesso, a propriedade será transferida ao vencedor conforme os procedimentos legais de leilão e registro imobiliário.

O caso reúne elementos que chamaram atenção pública: um apartamento de alto valor no Rio de Janeiro, um financiamento de longo prazo assinado por uma figura política de destaque, inadimplência que levou à retomada do bem pelo banco, uma restrição patrimonial registrada pelo Supremo Tribunal Federal e um preço de leilão significativamente inferior à avaliação do imóvel.

Para Eduardo Bolsonaro, o leilão representa a perda de um imóvel financiado junto à Caixa em 2017. Para o banco, trata-se da etapa final de um processo de recuperação de um ativo dado como garantia em um contrato que não foi regularizado.

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