
Lula liga para Petro para se despedir enquanto a Colômbia passa por uma grande mudança política
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para o presidente colombiano Gustavo Petro na quarta-feira, 5 de agosto, para se despedir do líder de esquerda antes do fim de seu mandato de quatro anos e da posse de seu sucessor, Abelardo de la Espriella.
Segundo informações divulgadas pelo Poder360, Lula agradeceu a Petro pelo que descreveu como um diálogo produtivo e uma cooperação próxima entre os dois governos durante o período em que ambos estiveram simultaneamente no poder.
A conversa ocorreu apenas dois dias antes de Petro deixar formalmente a presidência da Colômbia. Na sexta-feira, 7 de agosto, Petro deixou a Casa de Nariño, em Bogotá, encerrando sua administração após quatro anos no cargo.
A saída de Petro marca uma grande mudança no cenário político colombiano. Seu sucessor, Abelardo de la Espriella, assumiu a presidência para o mandato 2026–2030 na sexta-feira, substituindo um governo identificado com o movimento político progressista e de esquerda da Colômbia.
A relação entre Lula e Petro
Lula e Petro mantiveram contatos políticos e diplomáticos próximos durante seus mandatos simultâneos. Ambos os governos enfatizaram a cooperação regional, políticas sociais, questões ambientais e esforços para enfrentar os desafios políticos e de segurança na América do Sul.
A ligação de despedida, portanto, teve um significado que vai além de um gesto pessoal entre dois presidentes. Ela também marcou o fim de um período em que Brasil e Colômbia foram liderados por governos com orientações políticas amplamente semelhantes.
Com a saída de Petro, Lula passa agora a lidar com uma administração colombiana liderada por De la Espriella, cuja plataforma política representa uma guinada acentuada à direita.
Petro deixa o cargo, mas segue ativo politicamente
Petro deixou formalmente a Casa de Nariño na sexta-feira, acompanhado de sua filha Antonella e de membros de seu círculo próximo.
Em seu discurso de despedida, o ex-presidente defendeu sua gestão e afirmou que a Colômbia está em uma situação melhor do que quando assumiu o cargo.
Petro também utilizou suas últimas declarações públicas para fazer uma referência direta a seus opositores políticos.
Ele lembrou acusações de que seu governo tentaria fechar o Congresso, argumentando que isso nunca ocorreu durante sua presidência. Em seguida, observou ironicamente que o Congresso foi fechado justamente no dia em que ele deixou o cargo — embora, segundo ele, a decisão não tenha sido tomada por seu governo.
A referência foi direcionada à decisão do presidente do Congresso, Honorio Henríquez Pinedo, aliado da nova administração, de fechar o Capitólio Nacional na sexta-feira.
O fechamento impediu a realização de um evento político solicitado por setores da esquerda e associados à coalizão Pacto Histórico de Petro.
Pacto Histórico acusa novo governo de restringir a oposição
A coalizão política de Petro, que apoiou seu governo e agora passou à oposição, criticou a decisão de fechar o Capitólio.
Representantes do Pacto Histórico classificaram a medida como uma tentativa de impedir o exercício dos direitos políticos da oposição.
O grupo argumentou que seus membros no Congresso têm o direito estabelecido de utilizar o Capitólio Nacional para atividades políticas.
Em nota, o Pacto Histórico pediu que Honorio Henríquez Pinedo explicasse por que o prédio foi fechado e afirmou que a decisão impediu a realização de um evento político da oposição.
O episódio adicionou mais uma camada de tensão a uma já significativa transição de poder.
De la Espriella assume o governo
Abelardo de la Espriella assumiu formalmente a presidência da Colômbia em 7 de agosto, iniciando um mandato de quatro anos que deve levar o país a uma direção política marcadamente diferente.
A cerimônia de posse foi incomum. O evento de De la Espriella foi realizado fora de Bogotá, e Petro não compareceu.
De la Espriella fez campanha com uma plataforma centrada em medidas mais rígidas contra o crime organizado e grupos armados, maior ênfase na segurança e uma agenda política mais conservadora. Sua chegada representa uma mudança significativa após o governo de Petro, que colocou reformas sociais, políticas ambientais e negociações com grupos armados no centro de sua gestão.
A transição também ocorre em meio a disputas sobre o legado político e econômico deixado por Petro, incluindo debates sobre política fiscal, segurança e negociações com organizações armadas.
Um novo capítulo para a Colômbia — e para Lula
Para Lula, a saída de Petro significa o fim de uma importante parceria política na América do Sul.
A ligação de despedida do presidente brasileiro destacou a relação próxima mantida entre os dois governos, mas a mudança de liderança na Colômbia fará com que Brasília precise agora estabelecer uma nova relação com um presidente cuja agenda política difere substancialmente da de Petro.
A transição em Bogotá, portanto, tem implicações não apenas para a política interna colombiana, mas também para a diplomacia regional.
Petro deixa o cargo como uma figura proeminente da esquerda contemporânea na América Latina. De la Espriella inicia sua presidência prometendo uma abordagem mais dura em relação à segurança e uma ruptura política com a direção adotada pela administração anterior.
Para Lula, a ligação telefônica de 5 de agosto foi ao mesmo tempo uma despedida de um aliado regional e o encerramento de um capítulo nas relações Brasil-Colômbia — justamente quando uma nova era política começa em Bogotá.