
Record cancela debate presidencial após ausência de Lula e Flávio Bolsonaro
Emissora cancelou encontro marcado para 27 de setembro depois de Lula e Flávio Bolsonaro informarem que não participariam; quatro outros candidatos haviam confirmado presença
A Record cancelou o debate entre os candidatos à Presidência da República que estava marcado para o domingo, 27 de setembro, às 21h, depois que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) comunicaram que não participariam do encontro.
A emissora justificou que, sem os dois candidatos que, segundo os levantamentos considerados pela própria Record, concentram a maior parcela das intenções de voto, o debate deixaria de cumprir sua finalidade de colocar frente a frente as principais propostas da eleição.
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, apenas uma semana depois da data inicialmente prevista para o debate.
1. O comunicado da Record
Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, 23 de setembro, a Record informou que decidiu cancelar o programa depois de receber a confirmação de que Lula e Flávio não compareceriam.
A emissora afirmou que os dois candidatos tinham mais de 35% das intenções de voto nos levantamentos mais recentes considerados para a decisão e que, juntos, representavam cerca de 70% das intenções de voto.
Segundo a Record, um debate realizado tão próximo do primeiro turno deveria reunir os principais candidatos para permitir o confronto de propostas.
A emissora concluiu que, sem a participação dos dois nomes, o programa não ofereceria ao eleitor o confronto de ideias esperado.
2. Quatro candidatos haviam confirmado presença
Antes do cancelamento, Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) haviam confirmado participação.
Com a ausência de Lula e Flávio, entretanto, a Record optou por não realizar o encontro.
Isso significa que o cancelamento não ocorreu porque todos os candidatos haviam recusado o convite. Quatro candidaturas haviam confirmado presença, mas a emissora considerou que a ausência dos dois nomes que concentravam a maior parcela das intenções de voto retiraria do programa a finalidade pretendida.
3. Um debate que ocorreria a apenas sete dias da eleição
A data escolhida pela Record tinha importância no calendário eleitoral.
O debate estava previsto para 27 de setembro, enquanto o primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro.
Seria, portanto, um dos últimos momentos de confronto televisionado antes da votação.
A proximidade da eleição foi justamente um dos argumentos utilizados pela Record para justificar o cancelamento: na avaliação da emissora, nessa fase da campanha o debate teria como função colocar diante dos eleitores as principais propostas em disputa.
4. Lula e Flávio não participariam
O cancelamento ocorreu especificamente depois de as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro informarem que não participariam.
A Record não apresentou, no comunicado sobre o cancelamento, uma justificativa individual de cada campanha para a ausência.
Portanto, é importante separar duas informações: a Record informou oficialmente que os dois não compareceriam; já as razões particulares de cada candidatura para a decisão não foram apresentadas pela emissora no comunicado que fundamentou o cancelamento.
A ausência conjunta teve consequência prática: o debate deixou de ser realizado.
5. Não é o primeiro debate cancelado pela ausência dos dois
O episódio também se repete em relação a outro encontro eleitoral.
No início de setembro, um debate que seria organizado por um consórcio de veículos de comunicação também foi cancelado depois de Lula e Flávio Bolsonaro não confirmarem participação.
O consórcio reunia veículos como CNN Brasil, Exame, Metrópoles, Nova Brasil FM, Rádio Itatiaia, RedeTV!, Rede Vida, SBT, SBT News, Terra e VEJA+ TV.
Assim, o cancelamento da Record representa o segundo caso recente em que um debate presidencial do primeiro turno deixa de acontecer diante da ausência dos dois candidatos.
6. O impacto para os demais candidatos
A decisão também afeta diretamente as candidaturas que haviam confirmado presença.
Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema tinham se preparado para participar de um confronto televisionado na reta final da campanha.
Com o cancelamento, os quatro deixam de ter aquela oportunidade específica de apresentar propostas e responder aos adversários em um debate organizado pela Record.
A questão é particularmente relevante porque debates são uma das formas pelas quais candidatos podem expor posições em um mesmo ambiente e responder diretamente a questionamentos e críticas.
O cancelamento, entretanto, não impede que essas candidaturas continuem participando de entrevistas, atos de campanha e outros programas eleitorais.
7. O histórico da temporada de debates
O primeiro debate presidencial televisionado da campanha de 2026 ocorreu em 23 de agosto, organizado pela Band.
Na ocasião, participaram Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Renan Santos. Lula e Flávio não participaram, e Romeu Zema também ficou fora daquele encontro.
A Record também realizou entrevistas individuais com candidatos entre 15 e 21 de setembro, dentro do Jornal da Record.
Segundo levantamento divulgado pela imprensa, passaram pelas entrevistas Lula, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Renan Santos.
Isso significa que, embora o debate tenha sido cancelado, a emissora manteve outras formas de cobertura eleitoral.
8. O próximo debate do primeiro turno
Com o cancelamento da Record, o calendário ficou reduzido.
O próximo e, segundo a programação divulgada até agora, último debate presidencial previsto antes do primeiro turno será realizado pela Globo em 1º de outubro, três dias antes da votação.
A participação de Lula e Flávio nesse encontro ainda não estava garantida nas informações divulgadas em 23 de setembro.
Segundo informações sobre as regras eleitorais, os debates de primeiro turno podem ser realizados até a sexta-feira anterior à eleição, dentro dos limites estabelecidos pela legislação e pelos acordos entre emissoras e partidos.
9. E se houver segundo turno?
A Record informou que mantém um debate para uma eventual segunda etapa da eleição.
O encontro está previsto para 11 de outubro, às 21h, caso a eleição presidencial tenha segundo turno.
Nesse cenário, o debate reuniria apenas os dois candidatos que avançarem para a segunda votação.
A data é posterior ao primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e anterior ao segundo turno, previsto para 25 de outubro.
10. A questão do acesso do eleitor ao confronto de propostas
O cancelamento reacende uma questão recorrente nas eleições: o papel dos debates no acesso do eleitor às propostas dos candidatos.
A própria Record justificou sua decisão dizendo que um debate realizado tão próximo da eleição deveria colocar frente a frente as principais propostas em disputa.
Ao mesmo tempo, a ausência de candidatos não impede que emissoras realizem entrevistas separadas ou que os postulantes divulguem suas propostas por outros meios.
O que desaparece com o cancelamento é justamente o formato de confronto simultâneo, no qual os candidatos podem questionar uns aos outros dentro das mesmas regras.
11. O que fica definido
Com a decisão anunciada em 23 de setembro, ficam estabelecidos alguns pontos:
- o debate da Record de 27 de setembro foi cancelado;
- Lula e Flávio Bolsonaro haviam informado que não participariam;
- Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema haviam confirmado presença;
- a Record justificou o cancelamento pela ausência dos dois candidatos que concentravam a maior parcela das intenções de voto nos levantamentos considerados pela emissora;
- a cobertura eleitoral da Record continuará em seus diferentes canais e plataformas;
- o debate da Globo permanece previsto para 1º de outubro;
- e, caso haja segundo turno, a Record prevê novo debate em 11 de outubro.
12. Um debate cancelado, uma eleição em reta final
A decisão da Record ocorre em uma fase decisiva do calendário eleitoral, a 11 dias do primeiro turno.
O episódio mostra como a participação dos principais candidatos influencia a própria realização dos debates. Ao mesmo tempo, coloca em evidência a dificuldade de organizar confrontos quando algumas candidaturas não confirmam presença.
A Record decidiu cancelar o encontro porque considerou que, sem Lula e Flávio Bolsonaro, o programa não cumpriria a finalidade planejada.
Agora, resta o debate previsto para 1º de outubro, na Globo, como o próximo confronto televisionado de primeiro turno atualmente programado. Em caso de segundo turno, a Record pretende voltar a reunir os dois finalistas em 11 de outubro.
Até lá, entrevistas, propaganda eleitoral, eventos de campanha e manifestações públicas continuam sendo os principais espaços para que os candidatos apresentem suas posições aos eleitores.