
Lula critica relação de Marco Rubio com bolsonaristas e fala em “suspeita” de interferência
Presidente afirmou estar preocupado com a atuação do secretário de Estado dos EUA e pediu que Donald Trump não se envolva na eleição brasileira.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou estar “muito preocupado” com a relação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, com integrantes do bolsonarismo. Em entrevista à CNN, Lula disse haver “indícios de interferência” por meio de inteligência artificial, mas ressaltou que, até aquele momento, tratava-se de uma suspeita.
Lula também afirmou esperar que o presidente americano, Donald Trump, não participe da disputa eleitoral brasileira. Segundo ele, Trump teria dito que não pretende interferir nas eleições do Brasil. Lula defendeu que a escolha do próximo presidente seja conduzida pelos próprios brasileiros.
A relação com o bolsonarismo
A declaração ocorre em um cenário de aproximação entre setores da direita brasileira e integrantes do governo Trump. O governo brasileiro passou a acompanhar quatro frentes que considera possíveis formas de influência americana sobre a eleição: manifestações públicas de Trump e Rubio, impulsionamento de perfis políticos, suspeitas envolvendo o fundo RockBridge e encontros de autoridades americanas com influenciadores brasileiros.
O candidato Flávio Bolsonaro nega receber apoio ou financiamento dos Estados Unidos. Até o momento, as suspeitas apresentadas pelo governo brasileiro não equivalem, por si só, a uma comprovação de interferência ilegal no processo eleitoral.
O ponto político da declaração
A fala de Lula coloca a soberania eleitoral no centro da disputa presidencial. Ao mesmo tempo em que critica a aproximação de Rubio com setores ligados ao bolsonarismo, o presidente tenta estabelecer uma distinção entre relações políticas internacionais e eventual interferência no processo eleitoral brasileiro.
Na Assembleia-Geral da ONU, Lula voltou ao tema e afirmou que o Brasil não aceitará interferências externas nas eleições de outubro.
O que permanece em aberto
O principal ponto ainda sem conclusão é se houve efetivamente alguma operação estrangeira destinada a influenciar ilegalmente a eleição brasileira. Há suspeitas e monitoramento por parte do governo, além de negativas dos envolvidos, mas a caracterização jurídica de uma eventual interferência dependerá de provas e das apurações das autoridades competentes.