Ao lado de Flávio, Tarcísio acusa governo Lula de sabotagem contra São Paulo

Ao lado de Flávio, Tarcísio acusa governo Lula de sabotagem contra São Paulo

Governador afirma que divergências políticas prejudicaram obras e recursos para o estado; Flávio defende maior alinhamento entre União e São Paulo

Em uma live ao lado de Flávio Bolsonaro (PL), o governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), elevou o tom contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e acusou a União de prejudicar São Paulo por divergências políticas.

Durante a transmissão, realizada em 23 de setembro, Tarcísio afirmou que o governo federal teria “sabotado” o estado e citou como exemplo a expansão do metrô até o Jardim Ângela, na zona sul da capital.

“A gente foi muito sabotado pelo governo federal aqui nesse período”, declarou o governador. Segundo ele, o metrô do Jardim Ângela poderia estar em obras, mas não avançou por causa da atuação do governo federal. Tarcísio acrescentou que o projeto poderá avançar com um eventual governo federal alinhado à sua administração.

Outro ponto levantado pelo governador foi o financiamento da saúde paulista. Tarcísio afirmou que a União deixa de repassar R$ 2,7 bilhões por ano ao estado e disse que essa situação precisaria mudar.

A declaração, porém, foi contestada pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira (24). A pasta afirmou que o governo Lula repassa atualmente R$ 3,8 bilhões a mais por ano para a saúde de São Paulo do que a gestão Jair Bolsonaro. O ministério também apresentou números sobre Farmácia Popular, Mais Médicos, UBS, Samu e investimentos do Novo PAC no estado.

Jardim Ângela virou símbolo da disputa

A expansão da Linha 5-Lilás até o Jardim Ângela é um dos principais pontos da discussão.

Lula anunciou a obra em 2024, mas o contrato de financiamento ainda não havia sido formalizado. Na ocasião, o presidente afirmou que faria a expansão, mas criticou a ausência de Tarcísio e do então prefeito Ricardo Nunes em uma cerimônia relacionada ao projeto.

Tarcísio, por sua vez, sustenta que divergências políticas contribuíram para o atraso.

O episódio mostra como obras de infraestrutura passaram a ocupar espaço central na disputa eleitoral de 2026, com União, governo paulista e Prefeitura de São Paulo envolvidos em diferentes etapas de financiamento e execução.

A disputa pelos R$ 5,45 bilhões

A relação entre o governo paulista e a União também foi marcada por uma disputa envolvendo R$ 5,45 bilhões em financiamentos.

Em julho, Tarcísio acionou o Supremo Tribunal Federal para cobrar a liberação dos recursos, alegando demora superior a 70 dias. Na ocasião, o governo federal respondeu que os processos seguiam os trâmites administrativos e técnicos previstos.

O caso passou a ser utilizado politicamente como exemplo das divergências entre São Paulo e Brasília.

Ao lado de Flávio, Tarcísio retomou esse argumento para defender uma relação mais integrada entre o governo estadual e uma eventual administração federal alinhada ao seu grupo político.

Flávio ganha espaço no discurso de Tarcísio

A participação de Tarcísio teve também um componente eleitoral explícito.

Durante a live, o governador defendeu Flávio Bolsonaro para a Presidência e pediu que os eleitores adotassem uma estratégia de voto útil. Também afirmou que pretende participar de forma mais intensa da campanha de Flávio.

A transmissão contou ainda com a presença do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), além de outros aliados políticos.

A aproximação entre Tarcísio e Flávio já vinha sendo demonstrada em eventos anteriores, mas a live marcou uma participação pública mais direta do governador na campanha presidencial.

Críticas ao PT e a Lula

Durante a transmissão, Tarcísio também fez críticas duras ao PT. Chamou o partido de “Partido das Trevas” e afirmou que pretende “expulsar o PT”, além de fazer referência a Lula como “pai da mentira”.

O governador também declarou que espera um forte sentimento antipetista durante a eleição e pediu aos eleitores que participem da campanha de Flávio nas redes sociais.

As declarações mostram que a transmissão deixou de ser apenas uma aparição conjunta entre candidatos e passou a funcionar também como um ato de campanha, com Tarcísio associando a eleição presidencial à discussão sobre investimentos, obras e recursos para São Paulo.

O que está confirmado e o que é acusação

A principal controvérsia está justamente na interpretação dos atrasos e dos recursos.

Tarcísio atribui parte dos problemas à atuação política do governo federal e utiliza o termo “sabotagem”. O governo Lula nega essa interpretação e afirma que os processos seguem critérios administrativos e técnicos.

Além disso, existem obras em São Paulo que contam com participação conjunta de recursos federais e estaduais, como o túnel Santos-Guarujá e o Trem Intercidades São Paulo-Jundiaí. Portanto, a relação entre os governos não se resume a um conflito permanente: há também projetos em que as duas administrações participam conjuntamente.

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