Aprovado por quase ninguém, rejeitado por quase todos

Aprovado por quase ninguém, rejeitado por quase todos

Pesquisa mostra Lula preso no meio do caminho, com mais desaprovação do que aplausos

Os números até tentam disfarçar, mas a matemática não mente. A mais recente pesquisa AtlasIntel/Bloomberg revela um retrato pouco confortável para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: quase metade do país não aprova seu desempenho, enquanto a outra metade faz cara de desconfiança — e cruza os braços.

Segundo o levantamento, 48,7% dizem aprovar Lula, mas 50,7% afirmam desaprovar. É aquele cenário clássico em que o governo tenta comemorar o copo meio cheio, enquanto a população olha para o meio vazio — que, neste caso, está um pouco mais fundo.

Quando a pergunta é mais direta, o desconforto aumenta. 48,5% classificam o governo como “ruim” ou “péssimo”, contra 47,1% que avaliam como “bom” ou “ótimo”. Uma diferença pequena, é verdade, mas suficiente para mostrar que o Planalto já não fala para um país convencido — fala para um país dividido, impaciente e cada vez mais crítico.

A pesquisa ouviu 5.418 eleitores adultos, entre os dias 15 e 21 de janeiro de 2026. Ou seja, não é ruído isolado, nem reclamação de rede social: é termômetro nacional. E o termômetro aponta febre política.

No discurso oficial, Lula segue repetindo que governa para “reconstruir o Brasil”. Nos números, porém, o que aparece é um presidente que ainda não convenceu nem metade da sala. A aprovação não decola, a rejeição lidera — e a famosa base sólida parece cada vez mais escorregadia.

No fim, a pesquisa deixa um recado claro, ainda que indigesto: Lula não está em lua de mel com o eleitorado — está em uma relação cheia de cobranças, desconfiança e poucos elogios. E, como toda relação assim, o risco de desgaste só aumenta com o tempo.

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