
Ataque contra tenente da Rota: sexto suspeito morre em operação policial; oficial permanece internado em estado grave
Suspeito apontado como participante do atentado foi morto durante uma ação da Rota na Zona Leste de São Paulo. Desde o início das investigações, seis homens morreram em confrontos com a Polícia Militar e três suspeitos foram presos. O principal acusado de atirar no tenente continua foragido.
A força-tarefa montada para esclarecer o atentado contra o tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos ganhou um novo desdobramento na noite de sexta-feira (10). Durante uma operação realizada na Zona Leste da capital paulista, policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) localizaram um homem apontado como participante do ataque ao oficial. Segundo a Polícia Militar, houve troca de tiros e o suspeito morreu após ser baleado.
Com o episódio, chega a seis o número de homens mortos em ações policiais relacionadas à investigação desde o atentado ocorrido em 27 de junho. Paralelamente, outros três suspeitos já foram presos durante o avanço das investigações.
Suspeito foi localizado após denúncia anônima
De acordo com a Polícia Militar, equipes da Rota receberam informações de que Márcio dos Santos Ferreira, de 45 anos, conhecido pelo apelido de “Tetão”, estaria escondido em um imóvel localizado na Rua Touro, no bairro de São Mateus, na Zona Leste de São Paulo.
Ao chegarem ao endereço, os policiais encontraram um homem que admitiu estar dando abrigo ao suspeito.
Segundo a versão apresentada pela corporação, durante a entrada dos agentes no imóvel houve uma troca de tiros. Márcio acabou atingido pelos disparos e foi socorrido ao Hospital Cidade Tiradentes, mas não resistiu aos ferimentos.
Nenhum policial ficou ferido durante a ação.
O caso foi registrado como morte decorrente de intervenção policial e será investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), conforme determina o procedimento adotado em ocorrências desse tipo.
Irmão do suspeito está preso
Entre os investigados já detidos está Carlos Roberto Ferreira, de 52 anos, irmão de Márcio dos Santos Ferreira.
Inicialmente houve uma informação equivocada indicando que ambos teriam morrido durante a operação, mas a informação foi posteriormente corrigida. Carlos permanece preso e integra o grupo de suspeitos investigados pelo atentado.
Tenente foi baleado na cabeça
O ataque aconteceu na noite de 27 de junho, em São Caetano do Sul, na Região Metropolitana de São Paulo.
Segundo as investigações, o tenente Ronickson Pimentel dos Santos foi surpreendido por dois homens que ocupavam uma motocicleta. Um dos criminosos efetuou disparos que atingiram a cabeça do policial.
Desde então, o oficial permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André.
Estado de saúde continua grave, porém estável
O boletim médico mais recente divulgado pelo 1º Batalhão de Polícia de Choque informa que Ronickson passou por uma traqueostomia, procedimento realizado sem complicações.
Após a cirurgia, ele retornou à UTI, onde continua recebendo tratamento intensivo.
Segundo a Polícia Militar, os parâmetros neurológicos permanecem considerados favoráveis, enquanto a pressão intracraniana segue controlada em níveis baixos.
O sistema de drenagem cerebral continua funcionando normalmente.
O tenente permanece sem febre, apresenta estabilidade na função renal, recebe antibióticos e alimentação por sonda enteral.
A realização de uma gastrostomia, procedimento destinado ao suporte nutricional de longo prazo, foi adiada para a próxima semana por decisão da equipe médica.
Sequência de operações elevou número de mortos
Desde o atentado, a Polícia Militar intensificou as buscas pelos envolvidos utilizando informações repassadas por denúncias anônimas.
A primeira morte ocorreu em 29 de junho, durante uma abordagem na região da Estrada do Aricanduva, no bairro José Bonifácio. Segundo a PM, houve confronto armado e o suspeito morreu no local.
Dias depois, outra operação realizada em Guaianases terminou com mais um homem morto. Posteriormente, a própria Secretaria da Segurança Pública informou que não havia confirmação de que ele participasse do atentado contra o tenente.
Na noite de 2 de julho, em Peruíbe, no litoral paulista, policiais da Rota localizaram Elenilson Misael da Silva, conhecido como “Galego”. Apontado pela investigação como integrante de uma organização criminosa e suspeito de envolvimento direto no ataque, ele morreu durante um confronto.
Na madrugada de 9 de julho, duas novas mortes foram registradas durante uma ação policial em Heliópolis, na Zona Sul da capital.
Segundo a Polícia Militar, apenas um dos mortos possuía ligação com o atentado: Marcelo de Jesus Dias, de 37 anos, identificado como o piloto da motocicleta utilizada no ataque ao tenente Ronickson. Conforme a corporação, ele também era procurado pela Justiça por crimes de roubo, furto, corrupção de menores e tráfico de drogas.
Principal atirador continua foragido
Apesar das prisões e das mortes registradas durante as operações, o principal suspeito de efetuar os disparos contra o tenente ainda não foi localizado.
A Secretaria da Segurança Pública mantém recompensa de R$ 50 mil por informações que levem à captura de Hércules da Costa Siqueira, apontado pela investigação como o autor dos tiros que atingiram o policial.
As investigações prosseguem para identificar todos os envolvidos na tentativa de homicídio e esclarecer a motivação do atentado, considerado um dos casos de maior repercussão recente envolvendo agentes das forças de segurança de São Paulo.