Bahamas Club encerra atividades após mais de 30 anos e fecha um dos capítulos mais emblemáticos da noite paulistana

Bahamas Club encerra atividades após mais de 30 anos e fecha um dos capítulos mais emblemáticos da noite paulistana

Fundado por Oscar Maroni nos anos 1990, o Bahamas Club marcou a história do entretenimento adulto em São Paulo, enfrentou disputas judiciais, reabriu após absolvição de seu proprietário e encerra definitivamente suas atividades meses após a morte do empresário.

Após mais de três décadas de funcionamento, o tradicional Bahamas Club, um dos estabelecimentos mais conhecidos da noite paulistana, encerrou oficialmente suas atividades em São Paulo. O fechamento foi confirmado pela assessoria dos proprietários, que, no entanto, não informou a data exata do encerramento nem os motivos que levaram ao fim das operações.

Localizado no bairro de Moema, na zona sul da capital paulista, o Bahamas Club se tornou uma referência nacional no segmento de entretenimento adulto. O espaço reunia hotel, serviços de hospedagem e entretenimento no mesmo endereço, atraindo clientes de diversas regiões do país e tornando-se um dos empreendimentos mais conhecidos da cidade desde sua inauguração, na década de 1990.

O clube foi criado pelo empresário Oscar Maroni, figura conhecida tanto pelos negócios quanto pelas frequentes polêmicas envolvendo sua atuação empresarial e política. Ao longo dos anos, o Bahamas esteve no centro de diversas disputas judiciais, operações policiais e embates com o poder público, tornando-se um dos estabelecimentos mais comentados da capital paulista.

Uma trajetória marcada por controvérsias

A história do Bahamas Club foi marcada por uma longa batalha judicial. Em 2007, Oscar Maroni chegou a ser preso por determinação da Justiça sob acusação de exploração da prostituição nas dependências do clube. O empresário permaneceu preso por cerca de um mês.

Desde o início das investigações, Maroni sempre negou as acusações. Segundo ele, o estabelecimento nunca promoveu ou explorou a prostituição e não havia como impedir legalmente o acesso de garotas de programa ao local, argumentando que a presença dessas mulheres não caracterizava exploração por parte da administração.

Em 2011, a Justiça condenou o empresário a 11 anos de prisão pelo crime de favorecimento à prostituição. Maroni voltou a recorrer da decisão e continuou sustentando sua inocência.

Dois anos depois, em 2013, o Tribunal de Justiça de São Paulo reformou a sentença e absolveu o empresário. Com a decisão favorável, o Bahamas Club voltou a funcionar após permanecer cerca de seis anos fechado. O estabelecimento retornou às atividades com autorizações da Justiça e da Prefeitura para operar oficialmente como hotel e prestador de serviços pessoais e estéticos.

Oscar Maroni tornou-se personagem conhecido nacionalmente

Além da atuação empresarial, Oscar Maroni ganhou notoriedade em todo o país por sua personalidade irreverente e por episódios que repercutiram nacionalmente.

Em 2014, participou da sétima edição do reality show A Fazenda, exibido pela Record TV. Sua passagem pelo programa foi curta: tornou-se o primeiro eliminado da temporada, mas voltou a aparecer frequentemente na imprensa devido ao seu estilo provocador.

Outro episódio amplamente divulgado ocorreu quando Maroni distribuiu cerveja gratuitamente em frente ao seu estabelecimento no dia em que o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi preso. A iniciativa dividiu opiniões e ampliou ainda mais sua exposição pública.

O empresário também protagonizou um longo embate com o então prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, envolvendo a interdição do Oscar’s Hotel, empreendimento de sua propriedade localizado nas proximidades do Aeroporto de Congonhas.

Passagem pela política

Oscar Maroni também tentou ingressar na vida pública.

Em 2008, candidatou-se ao cargo de vereador de São Paulo pelo antigo PT do B. Na ocasião, recebeu 5.804 votos, mas não conseguiu ser eleito.

Anos depois, voltou a disputar uma eleição, desta vez para deputado federal, obtendo 6.361 votos. Em entrevistas concedidas na época, afirmou que suas candidaturas tinham caráter mais simbólico e de protesto do que propriamente uma expectativa de exercer mandato parlamentar.

Encerramento acontece meses após a morte do fundador

O fechamento definitivo do Bahamas Club ocorre poucos meses após a morte de Oscar Maroni, falecido em dezembro de 2025.

Com o encerramento das atividades, chega ao fim uma trajetória de mais de 30 anos que acompanhou profundas transformações na vida noturna paulistana. Ao longo desse período, o Bahamas tornou-se um dos estabelecimentos mais conhecidos da cidade, atravessando diferentes administrações municipais, mudanças na legislação, processos judiciais e intensos debates públicos sobre o funcionamento de casas de entretenimento adulto.

Mesmo cercado por controvérsias durante grande parte de sua existência, o clube consolidou seu nome como um dos espaços mais emblemáticos desse segmento em São Paulo. Seu fechamento encerra um capítulo marcante da história da boemia paulistana e da trajetória empresarial de Oscar Maroni, personagem que permaneceu por décadas no centro das atenções da mídia brasileira.

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