Damares Alves deixa equipe do plano de governo de Flávio Bolsonaro após ataques e crise interna no bolsonarismo

Damares Alves deixa equipe do plano de governo de Flávio Bolsonaro após ataques e crise interna no bolsonarismo

Senadora afirma que cumpriu sua missão na elaboração inicial das propostas, denuncia ataques de aliados da direita e admite que não voltou a conversar com Flávio Bolsonaro desde o agravamento da crise envolvendo Michelle Bolsonaro.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) decidiu se afastar da equipe responsável pela elaboração do plano de governo do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República. A decisão ocorre em meio ao desgaste provocado pela crise interna no campo bolsonarista, intensificada após o conflito público entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Em entrevista, Damares confirmou que encerrou sua participação na fase inicial do projeto e afirmou que considera sua missão concluída neste momento. Segundo ela, sua colaboração foi voltada principalmente à construção das propostas para a área de direitos humanos, tema no qual foi convidada a atuar por sua experiência como ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos durante o governo Jair Bolsonaro.

Apesar do afastamento, a senadora não descartou voltar a colaborar futuramente. Ela afirmou que, caso Flávio Bolsonaro vença as eleições presidenciais, poderá contribuir durante o período de transição de governo.

“Já fiz o que era preciso no primeiro momento. Depois a gente volta a ajudar no governo de transição”, declarou.

Ataques vindos da própria direita pesaram na decisão

Damares revelou que um dos principais fatores para sua saída foi a intensa onda de ataques que passou a receber nas redes sociais por parte de integrantes do próprio campo conservador.

Segundo a parlamentar, as críticas extrapolaram o debate político e assumiram um tom ofensivo, especialmente após ela se posicionar durante a crise envolvendo Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro.

Nos últimos dias, a senadora relatou que passou a ser alvo de ataques misóginos e de ameaças direcionadas inclusive à sua família. Em entrevistas anteriores, chegou a afirmar que recebeu mensagens afirmando que sua filha seria morta, situação que classificou como extremamente grave.

Flávio não voltou a procurá-la

Outro ponto destacado por Damares foi o distanciamento em relação ao pré-candidato do PL.

Ela confirmou que Flávio Bolsonaro não manteve mais contato desde que a crise familiar ganhou repercussão nacional.

Segundo a senadora, não houve novas conversas para tentar reconstruir a articulação política nem para discutir sua permanência na equipe responsável pelo plano de governo.

A declaração evidencia o impacto que o conflito interno provocou na coordenação política da pré-campanha presidencial.

Convite fazia parte da construção do programa de governo

Antes do afastamento, Damares integrava um grupo técnico encarregado de formular propostas para diferentes áreas da administração pública.

Sua função era coordenar sugestões ligadas aos direitos humanos, assistência social, proteção da infância, políticas para mulheres e liberdade religiosa.

Mesmo deixando oficialmente a equipe, ela ressaltou que continua apoiando o projeto político e não rompeu com Flávio Bolsonaro nem com o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Crise ganhou força após desentendimento com Michelle Bolsonaro

O afastamento acontece poucos dias depois da repercussão da crise envolvendo Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro.

O conflito veio à tona após divergências políticas e familiares, gerando manifestações públicas de aliados, críticas nas redes sociais e intenso debate entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A situação expôs divisões dentro do grupo político bolsonarista justamente no momento em que Flávio busca consolidar sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto.

Desde então, diferentes lideranças conservadoras passaram a se posicionar sobre o episódio, enquanto integrantes do partido tentam reduzir os impactos da crise sobre a campanha.

Possível retorno permanece em aberto

Embora tenha decidido interromper sua participação na elaboração do plano de governo, Damares Alves deixou claro que não considera o afastamento definitivo.

Segundo ela, existe a possibilidade de voltar a colaborar caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente, especialmente durante a fase de organização do governo de transição.

Enquanto isso, a senadora afirma que continuará exercendo seu mandato no Senado e acompanhando o cenário político, mas fora da equipe responsável pela construção do programa de governo da campanha presidencial.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags