
Bandeiras dos Estados Unidos marcam primeiro ato de campanha de Flávio Bolsonaro em Copacabana
Símbolos norte-americanos apareceram entre apoiadores durante a largada da candidatura presidencial do senador; evento ocorreu em trio elétrico na Avenida Atlântica e teve referências a Jair Bolsonaro, críticas a Lula e discurso voltado ao eleitorado conservador
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República começou neste domingo (16), em um cenário carregado de símbolos políticos. Na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, apoiadores que participaram do primeiro ato oficial da candidatura levaram bandeiras dos Estados Unidos, que chamaram a atenção em meio à mobilização na orla.
O evento foi realizado em um trio elétrico montado na Avenida Atlântica, tradicional espaço de manifestações ligadas ao bolsonarismo no Rio. A escolha do local não foi casual: Copacabana foi palco de grandes atos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de mobilizações da direita nos últimos anos e ocupa um lugar importante na trajetória política da família.
A presença das bandeiras norte-americanas acrescentou um elemento visual particular à largada. Segundo o material publicado pelo Estado de Minas, os símbolos foram levados por apoiadores que acompanharam a mobilização. A reportagem não atribui aos participantes uma explicação específica para a presença das bandeiras.
Flávio sobe ao trio usando colete à prova de balas
Flávio Bolsonaro participou do ato usando colete à prova de balas, uma imagem que se tornou recorrente em suas aparições públicas durante a campanha.
O senador esteve acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, do candidato do PL ao governo do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, e de Daniella Marques, que presidiu a Caixa Econômica Federal durante o governo de Jair Bolsonaro.
A proteção utilizada por Flávio também se relaciona ao discurso de segurança adotado pela campanha nas últimas semanas. O candidato afirma ter recebido ameaças de morte e sua equipe passou a reforçar a preocupação com sua segurança durante os eventos eleitorais.
Em julho, Flávio chegou a dispensar a escolta da Polícia Federal que estava prevista para acompanhá-lo durante a campanha. A justificativa apresentada por ele foi a desconfiança de que poderia haver agentes infiltrados, uma vez que a corporação é comandada pelo diretor-geral Andrei Rodrigues, indicado durante o governo Lula.
A campanha afirma que passou a ampliar a estrutura de segurança do candidato.
O peso de Jair Bolsonaro na largada
Outro componente central do evento foi a presença simbólica de Jair Bolsonaro.
Durante seu discurso, Flávio fez referências ao pai e pediu que os apoiadores prestassem uma homenagem pública ao ex-presidente.
A relação entre pai e filho ocupa papel estratégico na construção da candidatura. Jair Bolsonaro continua sendo uma das principais referências políticas do grupo bolsonarista, e a campanha de Flávio procura preservar essa identidade ao mesmo tempo em que apresenta o senador como candidato à sucessão presidencial.
A escolha de Copacabana reforçou essa estratégia. O local já foi utilizado em manifestações de grande porte do bolsonarismo e se transformou em um dos principais espaços públicos associados às mobilizações políticas da direita no Rio de Janeiro.
Críticas a Lula e apelo ao eleitorado conservador
No discurso de abertura da campanha, Flávio direcionou críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e procurou mobilizar o eleitorado conservador.
A largada no Rio ocorreu em meio à disputa direta pelo eleitorado de direita e à tentativa do PL de manter a força política construída pelo bolsonarismo desde 2018.
A campanha apresenta Flávio como representante do grupo político liderado por seu pai e aposta em temas que marcaram a trajetória eleitoral da família Bolsonaro, entre eles segurança pública, combate ao crime organizado, conservadorismo e críticas ao governo petista.
Copacabana como cenário político
A Avenida Atlântica funcionou, mais uma vez, como uma espécie de palco político do bolsonarismo.
A faixa de orla escolhida para o evento já recebeu manifestações em defesa de Jair Bolsonaro e atos contra governos do PT. Ao iniciar ali sua corrida presidencial, Flávio procurou associar sua candidatura à memória política construída pelo pai no Rio.
O simbolismo também está relacionado à própria trajetória de Jair Bolsonaro no estado. Foi no Rio de Janeiro que a família consolidou sua carreira política e construiu uma base eleitoral que posteriormente ajudou a projetar Jair Bolsonaro à Presidência da República.
Para Flávio, portanto, a largada teve duas dimensões: apresentar formalmente sua candidatura ao país e, ao mesmo tempo, reafirmar diante de sua principal base política a continuidade do projeto associado ao sobrenome Bolsonaro.
Bandeira dos EUA chama atenção
Entre camisetas, bandeiras brasileiras e símbolos do movimento bolsonarista, as bandeiras dos Estados Unidos foram um dos elementos que mais chamaram atenção no ato.
A presença do símbolo norte-americano ocorre em um momento no qual a política externa e a relação do Brasil com os Estados Unidos também fazem parte do debate eleitoral de 2026.
No entanto, a reportagem que registrou a presença das bandeiras não informa se elas representavam uma orientação oficial da campanha ou uma iniciativa individual dos apoiadores. Por isso, não é possível atribuir à campanha de Flávio uma posição específica sobre o uso das bandeiras apenas a partir da presença dos símbolos no evento.
A largada de uma disputa marcada pela polarização
O primeiro ato de Flávio Bolsonaro reuniu elementos que ajudam a definir a identidade visual e política de sua campanha: o sobrenome Bolsonaro, a homenagem ao pai, críticas ao governo Lula, a defesa de pautas conservadoras, o discurso sobre segurança e a preocupação com possíveis ameaças.
O colete à prova de balas usado pelo candidato acrescentou uma dimensão pessoal ao evento. A imagem de um candidato presidencial protegido por segurança durante o próprio lançamento da campanha reforçou o discurso adotado por Flávio e seus aliados de que ele estaria sob risco.
Ao mesmo tempo, a presença das bandeiras dos Estados Unidos introduziu uma imagem adicional em um ato que pretendia reafirmar a identidade política do bolsonarismo.
A campanha começou, assim, em um dos cenários mais emblemáticos da direita brasileira, com Flávio Bolsonaro tentando transformar a força política construída por Jair Bolsonaro em uma candidatura própria ao Palácio do Planalto.