
Buscas por Kátia Abreu disparam após críticas a Janja e expõem crise dentro da campanha de Lula
Ex-senadora questionou o protagonismo da primeira-dama, defendeu mais espaço para Geraldo Alckmin e perguntou se a prioridade é “aparecer ou eleger o marido”; repercussão levou o nome de Kátia ao pico do Google Trends.
As críticas da ex-senadora Kátia Abreu (PT-TO) à participação de Janja Lula da Silva na campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva ganharam uma dimensão que ultrapassou os bastidores do PT. Na quarta-feira (7), as buscas pelo nome de Kátia Abreu chegaram ao índice máximo de 100 no Google Trends, justamente quando suas declarações passaram a repercutir intensamente.
O dado não representa 100 pesquisas, mas o pico relativo de interesse pelo termo dentro do período analisado. A curva saiu de um patamar praticamente residual, disparou e depois começou a recuar, permanecendo, contudo, acima do nível anterior à repercussão.
“Menos Janja e mais Alckmin”
Kátia Abreu, que coordena a campanha de Lula no Tocantins, havia defendido internamente uma mudança de estratégia para o segundo turno. Durante uma reunião com integrantes da campanha, afirmou, segundo relatos divulgados pela imprensa, que era necessário “menos Janja e mais Alckmin”.
Posteriormente, em entrevista, ela confirmou o conteúdo e explicou que sua crítica não era pessoal contra a primeira-dama, mas uma avaliação eleitoral.
“Janja está maior que o Alckmin na campanha. E isso está errado”, declarou Kátia. Ela argumentou que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) poderia contribuir mais, especialmente em São Paulo, junto ao setor empresarial e ao mercado financeiro.
Em outra declaração, Kátia resumiu sua preocupação com uma pergunta que acabou viralizando:
“Nesta hora, qual é a prioridade: aparecer ou eleger o marido?”
Segundo a ex-senadora, sua prioridade é a eleição de Lula, e a participação de cada integrante da campanha deveria ser avaliada pelo resultado eleitoral que produz.
A resposta de Janja
Janja reagiu às críticas e deixou claro que não pretende abandonar a campanha.
Segundo o UOL, ela enviou uma mensagem a Kátia Abreu afirmando que continuará participando do processo eleitoral. Kátia, entretanto, disse posteriormente que não queria transformar o episódio em uma discussão pessoal ou em uma “fofoca”.
A assessoria da primeira-dama também divulgou uma posição oficial:
“Independente do que falem, Janja seguirá na campanha. Sua participação é legítima e sempre respaldada pelo presidente Lula.”
Ou seja, a resposta foi direta: as críticas não serão suficientes para retirar Janja dos palanques, eventos e atividades eleitorais.
A crítica veio de dentro do próprio PT
O episódio ganhou importância porque Kátia Abreu não é uma adversária de Lula. Ela está integrada à campanha presidencial e coordena as atividades do PT no Tocantins.
Além disso, reportagens apontaram que as críticas não ficaram isoladas. Integrantes do partido e coordenadores da campanha também teriam demonstrado preocupação com o espaço ocupado pela primeira-dama e defendido maior protagonismo de Alckmin.
Kátia também criticou a concentração da comunicação da campanha no ministro Sidônio Palmeira, afirmando que, em um momento considerado de alto risco eleitoral, outras pessoas deveriam participar da formulação da estratégia. Para ela, críticas e opiniões diferentes poderiam ajudar a corrigir os rumos antes do segundo turno.
Por que a repercussão foi tão grande?
A explosão das buscas por Kátia Abreu mostra que a discussão ultrapassou o círculo interno do PT. O nome da ex-senadora passou a ser procurado por milhares de pessoas justamente depois que suas críticas começaram a circular.
O Google Trends registrou o índice máximo de interesse relativo, mas é importante destacar que esse indicador não permite saber quantas pessoas efetivamente fizeram a busca nem atribuir todo o movimento a uma única reportagem. Ele mostra apenas que o termo alcançou seu maior nível relativo de popularidade no período analisado.
Críticas à atuação de Janja
A controvérsia também recoloca em discussão o papel político de uma primeira-dama durante uma campanha presidencial.
Janja participa de eventos, palanques e atividades eleitorais ao lado do marido e afirma ter respaldo de Lula. Seus defensores consideram legítima sua atuação política e pública.
Já os críticos questionam se essa exposição amplia o eleitorado de Lula ou se concentra a campanha em setores que já apoiam o presidente.
Essa foi precisamente a linha adotada por Kátia Abreu: não questionar simplesmente a existência de Janja na campanha, mas perguntar qual resultado eleitoral sua presença efetivamente produz.
A crítica é ainda mais relevante porque ocorre depois de um primeiro turno no qual Lula terminou atrás de Flávio Bolsonaro, aumentando a pressão sobre sua equipe para modificar a estratégia do segundo turno.
O ponto mais delicado para Lula
O episódio revela uma dificuldade política para a campanha petista: a crítica não veio apenas da oposição, mas de dentro da própria estrutura eleitoral de Lula.
Kátia Abreu pede mais espaço para Alckmin, mais diversidade regional na coordenação, mais participação de diferentes especialistas na comunicação e uma avaliação objetiva sobre o desempenho de Janja.
Janja, por sua vez, responde que continuará presente e que possui o respaldo do próprio Lula.
O resultado é um choque de estratégias no momento em que a campanha precisa conquistar novos eleitores. E a pergunta de Kátia acabou se transformando no centro da discussão:
a prioridade deve ser ampliar a exposição de quem participa da campanha ou concentrar todos os esforços na tentativa de eleger Lula?
Enquanto o PT discute essa resposta internamente, uma consequência já é concreta: Kátia Abreu, que antes aparecia pouco nas buscas, tornou-se um dos nomes mais procurados no Google no momento em que passou a questionar publicamente a atuação de Janja.