Comissão da Câmara arquiva pedido de impeachment contra Ricardo Nunes após denúncia de redução da frota de ônibus no segundo turno

Comissão da Câmara arquiva pedido de impeachment contra Ricardo Nunes após denúncia de redução da frota de ônibus no segundo turno

Por cinco votos a dois, comissão especial da Câmara Municipal de São Paulo rejeita pedido apresentado por vereadores do PSOL contra o prefeito. Denúncia apontava possível descumprimento de decisão da Justiça Eleitoral que determinava a circulação de 100% da frota de ônibus em 25 de outubro, além de suposta pressão sobre servidores municipais para participar de atividades políticas em favor de Flávio Bolsonaro. Relator Major Palumbo considerou que a representação não apresentava provas suficientes para justificar a abertura de um processo de impeachment e defendeu que eventuais irregularidades sejam apuradas pela Justiça Eleitoral.

A Comissão Especial da Câmara Municipal de São Paulo decidiu, na terça-feira, 3 de novembro de 2026, arquivar o pedido de impeachment apresentado contra o prefeito Ricardo Nunes (MDB). A decisão foi tomada por cinco votos favoráveis ao relatório que recomendava o encerramento da denúncia e dois votos contrários. Com isso, a representação não seguirá para análise do plenário da Câmara e não será aberta uma Comissão Processante a partir desse pedido.

O caso teve origem nas acusações de que a Prefeitura de São Paulo não teria disponibilizado integralmente a frota de ônibus determinada pela Justiça Eleitoral para o segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro. A decisão judicial estabelecia que o transporte coletivo municipal deveria operar com 100% da frota utilizada em dias úteis, buscando assegurar o deslocamento dos eleitores até os locais de votação.

Os vereadores do PSOL que apresentaram a denúncia sustentaram que a administração municipal descumpriu a determinação judicial e que a redução da oferta de ônibus poderia ter prejudicado o exercício do direito ao voto. A representação também incluiu acusações relacionadas à suposta utilização política de servidores comissionados da Prefeitura em atividades de campanha favoráveis ao candidato Flávio Bolsonaro (PL).

O pedido foi protocolado pelas vereadoras Amanda Paschoal, Celso Giannazi e Silvia da Bancada Feminista, todos do PSOL. Os parlamentares solicitaram que Ricardo Nunes fosse responsabilizado por possíveis infrações político-administrativas, improbidade administrativa e descumprimento de decisão judicial.

A comissão especial foi instalada em 29 de outubro para examinar se a denúncia reunia os requisitos necessários para avançar dentro do Legislativo municipal. Depois da análise do material apresentado, o relator, vereador Major Palumbo (PP), elaborou parecer contrário à abertura do processo e recomendou o arquivamento.

A votação terminou com cinco vereadores favoráveis ao parecer e dois contrários. A decisão representou o encerramento da tramitação dessa denúncia na Câmara Municipal, sem que houvesse julgamento definitivo sobre todas as acusações apresentadas contra o prefeito.

Como surgiu o pedido de impeachment

A controvérsia começou no próprio dia do segundo turno presidencial, em 25 de outubro, quando surgiram denúncias de que a frota de ônibus da capital paulista estava operando abaixo do percentual determinado pela Justiça Eleitoral.

A discussão ganhou força depois que a Justiça determinou que a Prefeitura disponibilizasse 100% da frota de ônibus prevista para os dias úteis. A medida tinha como finalidade assegurar que os eleitores pudessem se deslocar gratuitamente e com disponibilidade adequada de transporte para votar.

A determinação judicial ocorreu na véspera da votação, no sábado, 24 de outubro, o que levou a administração municipal a argumentar que havia pouco tempo para reorganizar a operação do sistema de transporte, mobilizar trabalhadores e localizar veículos que não estavam programados para circular naquele domingo.

A Prefeitura afirmou que já havia apresentado antecipadamente seu planejamento de transporte à Justiça Eleitoral e que o modelo previsto para o segundo turno seguia a programação utilizada no primeiro turno, quando a demanda registrada havia sido inferior à capacidade disponibilizada.

Entretanto, depois da determinação judicial, a administração informou que comunicou as concessionárias para que cumprissem a nova exigência.

O prefeito Ricardo Nunes afirmou que a frota que estava em operação era suficiente para atender à demanda dos passageiros e negou que tenha existido qualquer orientação deliberada para impedir ou dificultar o deslocamento dos eleitores.

Segundo informações apresentadas pela administração municipal, circularam 8.814 ônibus de uma frota total aproximada de 12 mil veículos. Nunes afirmou que a notificação judicial foi recebida às 13h10 do sábado e que, às 13h32, a determinação já havia sido encaminhada às empresas responsáveis pelo transporte.

A administração sustentou que a mobilização de milhares de trabalhadores e veículos em poucas horas representava uma dificuldade operacional, especialmente porque as escalas de trabalho e as folgas dos funcionários já estavam organizadas.

A oposição, por outro lado, argumentou que a determinação judicial precisava ser cumprida independentemente das dificuldades administrativas e que a quantidade de ônibus efetivamente disponibilizada demonstrava uma diferença significativa em relação à exigência estabelecida pela Justiça.

Denúncia apontou que apenas parte da frota estava nas ruas

Um dos principais elementos utilizados pelos autores do pedido de impeachment foi o levantamento sobre a quantidade de ônibus em circulação durante o domingo eleitoral.

Dados divulgados sobre o monitoramento da frota municipal indicaram que, às 13h20, aproximadamente 71,7% dos ônibus que atendiam às linhas municipais estavam em circulação. O levantamento foi baseado em informações do Businfo, aplicativo que acompanha o deslocamento dos veículos por meio de geolocalização.

Outros levantamentos apresentados durante a discussão apontaram números diferentes, dependendo do horário e do critério utilizado para calcular a frota disponível, incluindo a quantidade de veículos, as partidas programadas e a capacidade operacional.

A Folha de S.Paulo também publicou informações atribuídas à SPTrans segundo as quais a Prefeitura teria disponibilizado 58,6% das partidas de ônibus previstas em determinado levantamento das viagens programadas para o domingo.

A diferença entre os indicadores foi um dos pontos relevantes do debate. A quantidade de veículos em circulação em determinado horário não representa necessariamente o total de viagens realizadas ao longo de todo o dia. Da mesma forma, o percentual de partidas programadas não corresponde diretamente à quantidade de passageiros transportados.

Para os autores da denúncia, independentemente do indicador considerado, havia elementos suficientes para justificar uma investigação sobre o cumprimento da ordem judicial.

A oposição também alegou que os problemas de transporte foram sentidos principalmente por pessoas que precisavam sair do trabalho e se dirigir aos locais de votação, situação que poderia afetar o exercício do direito ao voto.

A vereadora Luana Alves (PSOL), integrante da comissão, defendeu que a redução da frota não poderia ser tratada apenas como uma dificuldade logística. Na avaliação da parlamentar, a distribuição dos veículos e a disponibilidade do transporte precisavam ser examinadas em relação às diferentes regiões da cidade.

Os autores sustentaram que a redução da oferta poderia ter produzido consequências eleitorais e pediram que a Câmara examinasse a responsabilidade administrativa do prefeito.

Major Palumbo apresenta parecer pelo arquivamento

O vereador Major Palumbo (PP), relator da comissão especial, apresentou parecer favorável ao arquivamento do pedido de impeachment.

Em sua avaliação, a denúncia não apresentava elementos concretos suficientes para transformar as acusações em um processo de responsabilização político-administrativa contra Ricardo Nunes.

O relator argumentou que os documentos apresentados pelos vereadores do PSOL se apoiavam principalmente em reportagens e informações que, segundo ele, não demonstravam de maneira inequívoca a existência de uma conduta irregular praticada pessoalmente pelo prefeito.

Palumbo também destacou que a Prefeitura havia encaminhado orientação às empresas concessionárias para que cumprissem a determinação judicial, sustentando que não havia demonstração de uma ordem deliberada do chefe do Executivo para impedir a circulação dos ônibus.

O vereador afirmou que eventuais falhas operacionais deveriam ser atribuídas às empresas responsáveis pelo serviço, caso fossem identificadas irregularidades na execução dos contratos.

Em seu parecer, o relator também mencionou a aplicação de multas às concessionárias que eventualmente não cumprissem as obrigações previstas.

A interpretação de Palumbo foi a de que a existência de problemas na prestação do transporte público não seria suficiente, isoladamente, para justificar o impeachment do prefeito.

Para que uma medida dessa natureza avançasse, seria necessário demonstrar uma conduta juridicamente relevante, com elementos que sustentassem a responsabilidade pessoal de Ricardo Nunes.

O relator também questionou a tentativa de utilizar o procedimento de impeachment para examinar questões que, segundo ele, já estavam submetidas à apuração da Justiça Eleitoral.

Na conclusão do parecer, defendeu que o pedido não reunia condições para ser transformado em acusação formal contra o prefeito e recomendou seu arquivamento.

Relator afirma que a Prefeitura tomou providências após receber a ordem judicial

Outro argumento utilizado por Major Palumbo foi a atuação da administração municipal depois de receber a determinação da Justiça Eleitoral.

O relator afirmou que a Prefeitura encaminhou a orientação às concessionárias responsáveis pelo transporte público e adotou providências para ampliar a quantidade de veículos nas ruas.

Na avaliação do vereador, esse comportamento não demonstraria uma omissão deliberada do prefeito, mas uma tentativa de cumprir a determinação judicial dentro das condições operacionais existentes.

Palumbo também questionou a interpretação dos autores da denúncia de que a administração teria retido intencionalmente parte da frota.

O parecer sustentou que não havia demonstração de que Ricardo Nunes tivesse determinado a redução do transporte para prejudicar eleitores ou interferir no resultado da eleição presidencial.

Outro ponto apresentado pelo relator foi a redução da abstenção eleitoral no segundo turno em comparação com o primeiro. Para ele, esse dado também deveria ser considerado na avaliação das alegações de que a oferta de ônibus teria comprometido o comparecimento dos eleitores às urnas.

O relator argumentou que a eleição transcorreu dentro da normalidade e que não havia demonstração concreta de que o prefeito tivesse atuado para impedir o exercício dos direitos políticos da população.

Essa conclusão, entretanto, corresponde à interpretação apresentada no parecer aprovado pela comissão e não equivale a uma decisão definitiva da Justiça Eleitoral sobre todos os acontecimentos daquele domingo.

Acusação de pressão sobre servidores em favor de Flávio Bolsonaro

Além da questão dos ônibus, o pedido de impeachment apresentou outra acusação contra Ricardo Nunes: a suposta utilização da estrutura administrativa municipal para favorecer a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

Os vereadores do PSOL alegaram que servidores comissionados da Prefeitura teriam sido convocados ou pressionados a participar de atividades políticas relacionadas à candidatura do senador do PL.

A denúncia mencionou uma reunião envolvendo aproximadamente 300 funcionários comissionados, na qual, segundo os autores, teria ocorrido orientação para que os participantes comparecessem a manifestações de apoio a Flávio Bolsonaro.

Os parlamentares argumentaram que a utilização de cargos públicos, da estrutura administrativa ou da relação de subordinação funcional para pressionar trabalhadores a participar de atividades eleitorais poderia configurar irregularidade.

A acusação também foi relacionada a decisões da Justiça do Trabalho que proibiram exigências ou pressões sobre servidores e trabalhadores terceirizados para participação em eventos políticos.

Ricardo Nunes negou irregularidades.

O relator Major Palumbo também rejeitou a interpretação apresentada pelos vereadores do PSOL. Em seu parecer, questionou a alegação de que funcionários comissionados teriam sido obrigados a participar de atividades políticas.

Palumbo argumentou que a ocupação de cargos de confiança não permite presumir, por si só, que servidores tenham sido coagidos a participar de manifestações políticas.

O relator contestou a consistência dessa parte da denúncia e afirmou que não havia elementos suficientes para demonstrar que o prefeito tivesse utilizado a administração municipal para constranger funcionários ou interferir no processo eleitoral.

A discussão, portanto, envolveu duas interpretações diferentes: a dos autores da representação, que apontaram possível pressão política sobre servidores, e a do relator, que considerou insuficientes os elementos apresentados para sustentar a abertura do impeachment.

A rejeição do pedido pela comissão não representa uma decisão judicial de inexistência de qualquer irregularidade. Eventuais denúncias relacionadas à conduta eleitoral de agentes públicos continuam sujeitas à análise das autoridades competentes.

Vereadores do PSOL tentam impedir o arquivamento

Durante a reunião da comissão especial, a oposição tentou ampliar o prazo para examinar o parecer apresentado por Major Palumbo.

A vereadora Luana Alves (PSOL) apresentou um requerimento de vista pelo período de dois dias. A intenção era obter mais tempo para analisar o relatório e discutir os argumentos utilizados pelo relator antes da votação.

O pedido, entretanto, foi rejeitado por cinco votos a dois, reproduzindo a mesma divisão política que posteriormente prevaleceu na votação do arquivamento.

A oposição também apresentou um relatório paralelo, com uma interpretação contrária à apresentada por Palumbo. O documento, entretanto, não chegou a ser lido durante a sessão.

Os vereadores contrários ao arquivamento defenderam que as acusações deveriam ser examinadas com maior profundidade, principalmente diante da existência de uma determinação judicial expressa para que a frota de ônibus operasse com a frequência dos dias úteis.

Luana Alves e Hélio Rodrigues (PT) votaram contra o parecer que recomendava o encerramento do pedido.

Os dois parlamentares defenderam a continuidade da investigação no âmbito da Câmara e questionaram a decisão de encerrar o procedimento antes de uma apuração mais ampla das circunstâncias envolvendo a operação do transporte público.

A maioria da comissão, porém, entendeu que a representação não reunia os requisitos necessários para avançar.

Como ficou a votação na comissão especial

O resultado foi de cinco votos favoráveis ao arquivamento e dois contrários.

A comissão era presidida pelo vereador Rubinho Nunes (União Brasil), e tinha Major Palumbo (PP) como relator.

Votaram pelo arquivamento:

  • Major Palumbo (PP): relator, apresentou o parecer contrário à abertura do impeachment.
  • Rubinho Nunes (União Brasil): presidente da comissão, acompanhou o parecer.
  • Kenji Ito (Podemos): votou pelo arquivamento.
  • Sandra Tadeu (PL): votou pelo arquivamento.
  • Sandra Santana (MDB): votou pelo arquivamento.

Votaram contra o arquivamento:

  • Luana Alves (PSOL): defendeu a continuidade da apuração.
  • Hélio Rodrigues (PT): acompanhou a posição contrária ao encerramento do caso.

Com a maioria formada, o relatório foi aprovado e o pedido de impeachment acabou arquivado.

A composição do colegiado também foi um elemento importante para o resultado. Os cinco votos favoráveis ao parecer vieram de vereadores de partidos que integravam a maioria responsável pela aprovação do relatório, enquanto os dois votos contrários foram dos representantes da oposição.

Arquivamento impede que o pedido avance ao plenário

Com a aprovação do parecer, a denúncia não será encaminhada ao plenário da Câmara Municipal para uma votação sobre a abertura de um processo de impeachment.

É importante distinguir o arquivamento da representação de um julgamento definitivo sobre a responsabilidade do prefeito.

A comissão especial analisou se o pedido apresentava condições para prosseguir no Legislativo. Não realizou um julgamento criminal, não declarou a inexistência de qualquer problema no transporte público e tampouco substituiu a investigação da Justiça Eleitoral.

O resultado encerra a tramitação dessa representação específica na Câmara Municipal, mas não impede que órgãos de controle e autoridades judiciais continuem examinando fatos relacionados ao segundo turno.

A legislação prevê procedimentos próprios para a responsabilização de prefeitos por infrações político-administrativas. Uma eventual cassação de mandato exige a instauração regular do processo, o direito de defesa e o cumprimento dos quóruns legais.

Como a comissão decidiu arquivar a denúncia na etapa de admissibilidade, essas fases não foram alcançadas.

Justiça Eleitoral ainda pode examinar as denúncias

Um dos principais fundamentos utilizados por Major Palumbo foi justamente a existência de um foro próprio para investigar possíveis irregularidades eleitorais.

A discussão sobre a quantidade de ônibus disponibilizada no segundo turno e os possíveis efeitos sobre o deslocamento dos eleitores envolve questões que podem ser examinadas pela Justiça Eleitoral.

Também estão sujeitas à apuração as denúncias relacionadas à eventual utilização da estrutura pública e à pressão sobre servidores municipais em favor de uma candidatura.

A análise eleitoral pode considerar documentos administrativos, registros de circulação dos ônibus, comunicações entre a Prefeitura e as concessionárias, dados de passageiros, decisões judiciais e eventuais testemunhos.

Caso sejam identificadas irregularidades, as autoridades poderão avaliar as responsabilidades de cada envolvido, observando a legislação aplicável e o direito de defesa.

O arquivamento na Câmara, portanto, não significa que todas as questões relacionadas ao transporte público e à campanha presidencial tenham sido definitivamente resolvidas.

Prefeitura havia questionado a decisão judicial sobre os ônibus

Durante a controvérsia, a Prefeitura de São Paulo divulgou uma nota criticando a determinação da Justiça Eleitoral, especialmente pelo prazo reduzido para reorganizar a operação do transporte.

A administração municipal argumentou que o planejamento para os dois domingos de votação havia sido apresentado antecipadamente e que a programação original previa uma quantidade de ônibus considerada suficiente diante da demanda registrada no primeiro turno.

Segundo a Prefeitura, no primeiro turno, em 4 de outubro, aproximadamente 6,9 mil ônibus haviam operado, com reforço de 40% na frota, para atender a cerca de 3,4 milhões de passageiros.

A gestão afirmou que o mesmo planejamento estava previsto para o segundo turno, mas que a determinação judicial para disponibilizar 100% da frota exigiu uma reorganização operacional em menos de 12 horas.

A Prefeitura também afirmou que a mobilização de milhares de trabalhadores que estavam de folga poderia afetar o direito ao descanso e à participação dos próprios funcionários na votação.

Apesar das críticas, a administração declarou que cumpriria a determinação judicial e encaminharia a orientação às empresas concessionárias.

Essa justificativa foi considerada pelo relator Major Palumbo na elaboração do parecer favorável ao arquivamento.

O resultado político para Ricardo Nunes

A decisão representa o encerramento de uma importante frente de pressão política contra Ricardo Nunes dentro da Câmara Municipal.

O prefeito, que já havia enfrentado críticas da oposição durante a campanha presidencial, conseguiu evitar que a denúncia apresentada pelo PSOL avançasse para uma Comissão Processante.

O caso tinha potencial para ampliar o desgaste político da administração municipal, especialmente porque reunia duas acusações relacionadas ao processo eleitoral: a suposta redução deliberada da oferta de transporte público e a possível pressão sobre servidores em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro.

A aprovação do arquivamento demonstra que a maioria da comissão não considerou suficientes os elementos apresentados para iniciar um procedimento de impeachment.

Entretanto, o resultado não elimina o debate sobre a prestação do serviço de transporte público no dia da votação, nem afasta a necessidade de esclarecer eventuais irregularidades que possam ser comprovadas em outras instâncias.

A discussão também evidencia a diferença entre uma denúncia política apresentada ao Legislativo e uma investigação conduzida pelas autoridades responsáveis pela fiscalização eleitoral.

Conclusão: comissão rejeita impeachment, mas controvérsia sobre o transporte permanece

O pedido de impeachment contra Ricardo Nunes foi arquivado pela Comissão Especial da Câmara Municipal de São Paulo por cinco votos a dois, após parecer do vereador Major Palumbo contrário à abertura do processo.

Os autores da denúncia sustentavam que o prefeito deveria responder pelo possível descumprimento da determinação judicial que exigia a circulação de 100% da frota de ônibus no segundo turno das eleições presidenciais. Também apontaram uma suposta utilização política de servidores comissionados em atividades favoráveis a Flávio Bolsonaro.

A defesa apresentada pela administração municipal foi de que houve dificuldades operacionais provocadas pelo curto prazo da determinação judicial, mas que as concessionárias receberam orientação para cumprir a ordem. O prefeito negou que tenha existido intenção de prejudicar eleitores.

O relator entendeu que não havia provas suficientes de uma conduta pessoal de Ricardo Nunes que justificasse o impeachment e que as possíveis irregularidades eleitorais deveriam ser examinadas pela Justiça Eleitoral.

A oposição tentou impedir o arquivamento, pediu mais tempo para analisar o relatório e apresentou uma manifestação paralela, mas acabou derrotada pela maioria da comissão.

Com a decisão, Ricardo Nunes não será submetido a um processo de impeachment decorrente dessa representação na Câmara Municipal.

O episódio, contudo, deixa questões importantes sobre a obrigação do poder público de assegurar transporte adequado durante as eleições, o cumprimento de decisões judiciais e os limites da participação de agentes públicos em campanhas políticas.

O arquivamento encerra uma etapa da disputa política, mas não transforma automaticamente todas as acusações em fatos inexistentes nem substitui a apuração dos órgãos competentes. A responsabilidade por eventuais irregularidades deverá ser estabelecida com base em provas, procedimentos legais e decisões das autoridades responsáveis.

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