Davi Alcolumbre dispara contra aliados de Flávio Bolsonaro, questiona críticas às urnas e lamenta eleição de políticos que, segundo ele, se promovem com ofensas e agressões

Davi Alcolumbre dispara contra aliados de Flávio Bolsonaro, questiona críticas às urnas e lamenta eleição de políticos que, segundo ele, se promovem com ofensas e agressões

Presidente do Senado reage às críticas do líder do PL, Carlos Portinho, e direciona seu discurso aos setores da oposição que contestaram o resultado da eleição presidencial após a derrota de Flávio Bolsonaro para Lula. Alcolumbre afirma que o mesmo sistema eleitoral aceito no primeiro turno passou a ser questionado no segundo, lembra a eleição de 120 deputados federais do PL e mais de 20 senadores e reclama de ataques pessoais, ameaças e cobranças por impeachment de ministros do STF. Discurso ocorre em meio à crise sobre a redução da maioridade penal e à disputa pelo comando do Senado em 2027.

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), protagonizou um duro pronunciamento no plenário da Casa na quarta-feira (4 de novembro de 2026), ao criticar parlamentares e lideranças políticas que, segundo ele, utilizaram ataques pessoais, ofensas e questionamentos às instituições como instrumentos de promoção eleitoral. Sem poupar os setores da oposição ligados ao bolsonarismo, Alcolumbre também questionou a postura de aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que passaram a contestar a confiabilidade das urnas eletrônicas depois do resultado do segundo turno da eleição presidencial.

A manifestação ocorreu em um ambiente de tensão política, poucas horas depois de o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), cobrar publicamente o cumprimento de um compromisso atribuído à Presidência da Casa para colocar em votação propostas relacionadas à redução da maioridade penal. Portinho acusou Alcolumbre de romper um entendimento construído entre os líderes partidários e afirmou que a decisão de adiar a análise da matéria havia provocado uma crise de confiança entre os parlamentares.

Em resposta ao ambiente de cobranças, Alcolumbre fez um discurso de aproximadamente oito minutos, no qual relatou as dificuldades de presidir o Congresso Nacional em meio à polarização política e às críticas dirigidas à sua atuação. O senador afirmou que a divergência política é legítima, mas estabeleceu uma distinção entre o debate parlamentar e aquilo que classificou como agressões pessoais.

“Algumas vezes, alguns colegas nossos passam apenas do debate para as agressões em relação a esta Presidência”, declarou Alcolumbre, referindo-se às críticas feitas por parlamentares na tribuna e também às manifestações divulgadas nas redes sociais.

O presidente do Senado afirmou que os ataques não estavam restritos à sua atuação institucional e que as redes sociais haviam se transformado em instrumentos de disseminação de ofensas, ameaças e informações falsas. Segundo ele, as consequências dessas manifestações atingem também familiares dos políticos envolvidos.

“Isso não é normal. A gente precisa respeitar todas as opiniões, o contraditório e as divergências. Mas está impossível! A rede social se tornou um instrumento de ofensas, agressões e mentiras. E você fica o todo tempo correndo atrás do prejuízo. Ninguém se preocupa com a honra e com a família da pessoa”, afirmou.

A declaração demonstra o grau de desgaste entre a Presidência do Senado e setores da oposição que, durante a campanha eleitoral, utilizaram críticas à condução de Alcolumbre como uma das principais bandeiras políticas.

Alcolumbre critica políticos eleitos com discursos de ataques

Um dos trechos mais contundentes do pronunciamento foi a crítica aos parlamentares que, na avaliação do presidente do Senado, conseguiram conquistar mandatos utilizando ataques a adversários e instituições, sem apresentar propostas concretas para a população.

Alcolumbre afirmou que muitos candidatos concentraram suas campanhas em críticas ao Supremo Tribunal Federal, ao governo federal e à própria Presidência do Senado, em vez de discutir projetos para o desenvolvimento de seus estados.

“Infelizmente, muitos atores políticos do meu país chamado Brasil se promoveram e ganharam a eleição ofendendo e agredindo as pessoas”, declarou.

Em seguida, acrescentou que a estratégia eleitoral baseada em ataques estava relacionada ao crescimento de um ambiente que classificou como radicalismo.

O presidente do Senado também questionou quais propostas concretas esses parlamentares teriam apresentado aos eleitores durante a campanha.

“Não teve proposta de universidade. Eles não apresentaram para os seus estados a proposta de levar novos institutos federais para formar a juventude e dar a ela um futuro. Eles não apresentaram nas propostas nos seus estados que iriam vir para Brasília para defender o desenvolvimento econômico do Brasil. Eles não apresentaram para o Brasil que iam cuidar da saúde dos brasileiros. Eles não apresentaram para o Brasil que iam vir para Brasília, como deputado ou senador, para defender a democracia”, afirmou.

Na sequência, mencionou a defesa do Estado de Direito e das instituições democráticas, sustentando que, na sua avaliação, esses temas foram deixados em segundo plano por candidatos que preferiram concentrar suas campanhas em críticas e ameaças.

O senador também reclamou de ataques direcionados à sua decisão de não colocar em votação pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.

Segundo Alcolumbre, candidatos utilizaram essa cobrança como instrumento eleitoral, apresentando a Presidência do Senado como adversária de suas propostas e prometendo conquistar maioria parlamentar para pressionar a Mesa Diretora.

“Para a minha tristeza e de milhões de pessoas, ganharam as eleições com base em alguma agenda específica, fosse ela contra o Judiciário, fosse ela contra o Executivo, fosse ela contra o presidente do Senado Federal, porque dava voto na eleição um parlamentar ofender o presidente do Senado que não abre impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal”, afirmou.

A fala foi interpretada como uma referência aos parlamentares ligados ao grupo político de Jair Bolsonaro, que defenderam durante a campanha a necessidade de ampliar a bancada de oposição no Senado para pressionar pela análise de pedidos de impeachment contra ministros do STF.

“No primeiro turno, a urna eletrônica prestou”: Alcolumbre questiona mudança de discurso após derrota de Flávio Bolsonaro

O ponto central do pronunciamento foi a defesa do sistema eletrônico de votação e a crítica à contestação do resultado presidencial depois do segundo turno.

Alcolumbre lembrou que o mesmo sistema eleitoral utilizado na eleição presidencial também foi responsável pela escolha de deputados federais e senadores, inclusive integrantes do PL, partido de Flávio Bolsonaro.

O presidente do Senado destacou que o partido conseguiu eleger aproximadamente 120 deputados federais e mais de 20 senadores, utilizando as mesmas urnas eletrônicas que posteriormente passaram a ser questionadas por setores da oposição.

Em uma das passagens mais fortes de seu discurso, Alcolumbre ironizou a diferença de tratamento dada ao sistema eleitoral conforme o resultado das urnas.

“No primeiro turno, a urna eletrônica prestou”, afirmou.

Na sequência, argumentou que o equipamento foi considerado confiável quando o resultado favoreceu os candidatos da oposição, mas passou a ser questionado depois da vitória de Lula no segundo turno.

“Quando abriu no segundo turno, não prestou mais a urna?”, questionou o presidente do Senado.

Alcolumbre também recordou que Flávio Bolsonaro havia terminado o primeiro turno à frente de Lula, com uma vantagem superior a dois milhões de votos, mas acabou derrotado na segunda etapa da disputa presidencial.

O senador questionou por que os mesmos setores políticos que comemoraram o resultado inicial não apresentaram, naquele momento, denúncias de irregularidades contra o sistema eleitoral.

“Eu queria encontrar um para dizer que só deu errado no segundo turno”, ironizou.

A argumentação de Alcolumbre foi direcionada especialmente aos aliados de Flávio Bolsonaro que passaram a levantar suspeitas sobre o resultado eleitoral depois da derrota presidencial.

O presidente do Senado não apresentou uma análise técnica sobre cada questionamento levantado pelos opositores, mas defendeu que a confiabilidade do processo eleitoral não pode ser aceita apenas quando os resultados favorecem determinado grupo político.

A discussão acontece em um momento de forte tensão depois da eleição presidencial de 2026, na qual Lula conquistou a reeleição derrotando Flávio Bolsonaro no segundo turno.

Após o resultado, Flávio e integrantes de seu grupo político fizeram declarações questionando o processo eleitoral. O senador chegou a afirmar que pediria a anulação do pleito e, posteriormente, divulgou uma carta nos Estados Unidos na qual se apresentou como liderança política do Brasil e voltou a mencionar suspeitas de fraude.

Críticas de Alcolumbre acontecem depois de cobrança do líder do PL

O pronunciamento não ocorreu isoladamente. A manifestação de Alcolumbre foi precedida por um confronto público com Carlos Portinho, líder do PL no Senado.

Portinho havia cobrado a votação de propostas relacionadas à redução da maioridade penal, afirmando que existia um entendimento anterior para que o assunto fosse analisado naquela semana.

O senador acusou Alcolumbre de descumprir o compromisso e afirmou que o Senado não poderia ficar subordinado às decisões da Câmara dos Deputados.

Durante sua manifestação, Portinho questionou diretamente a autoridade do presidente da Casa e cobrou o cumprimento da palavra empenhada.

Alcolumbre, por sua vez, justificou o adiamento da votação mencionando a necessidade de aguardar o andamento das discussões na Câmara, após solicitação do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB).

O impasse provocou uma troca de acusações e ampliou o desgaste entre o PL e a Presidência do Senado.

Portinho afirmou que não considerava adequado estabelecer novos acordos sem garantias de cumprimento. Alcolumbre respondeu com críticas ao comportamento de parlamentares que, segundo ele, transformam divergências políticas em ataques pessoais.

A discussão sobre a maioridade penal acabou funcionando como pano de fundo para uma disputa mais ampla sobre o comando político do Congresso e os limites da atuação da Presidência do Senado.

Nikolas Ferreira também entra no contexto das críticas

Durante seu pronunciamento, Alcolumbre mencionou manifestações realizadas no Amapá, seu estado de origem, por lideranças políticas que fizeram campanha contra sua atuação.

A referência foi associada ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que participou de um ato político no estado durante o período eleitoral.

O episódio foi citado por Alcolumbre como exemplo das manifestações que, em sua avaliação, ultrapassaram os limites da divergência política e passaram a atingir pessoalmente o presidente do Senado.

A crítica demonstra que o desgaste entre Alcolumbre e o grupo bolsonarista não está restrito à discussão sobre pedidos de impeachment de ministros do STF ou à votação da maioridade penal. Trata-se também de uma disputa política que envolve a influência da oposição sobre a direção da Casa.

Rogério Marinho é lançado pelo PL para disputar a Presidência do Senado

Outro elemento importante para compreender o momento do pronunciamento é a disputa pela sucessão de Davi Alcolumbre.

No mesmo dia, o PL oficializou a candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à Presidência do Senado, em uma tentativa de reunir a oposição e conquistar o comando da Casa a partir de fevereiro de 2027.

A candidatura representa um movimento para alterar a atual composição de forças políticas no Senado e estabelecer uma nova orientação para a condução dos trabalhos legislativos.

Entre as principais bandeiras defendidas pelos parlamentares bolsonaristas estão a análise dos pedidos de impeachment de ministros do STF, a ampliação da fiscalização sobre o Judiciário e a defesa de maior autonomia do Poder Legislativo.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também mantém seu nome no cenário da disputa, e as articulações envolvem a possibilidade de entendimento para evitar a divisão dos votos da oposição.

Alcolumbre, por sua vez, trabalha para consolidar apoio entre partidos do Centrão, governistas e parlamentares independentes, buscando permanecer no comando do Senado.

A eleição será realizada por voto secreto, circunstância que torna as negociações individuais entre os senadores especialmente importantes.

Nesse cenário, as críticas feitas pelo presidente do Senado aos aliados de Flávio Bolsonaro também ocorrem em meio à disputa pelo controle político da instituição.

Alcolumbre pede que o Congresso volte a discutir propostas para o país

Ao encerrar seu pronunciamento, o presidente do Senado defendeu que os parlamentares abandonem as disputas pessoais e concentrem seus esforços em propostas que possam produzir resultados concretos para a população.

Ele mencionou áreas como infraestrutura, saúde, educação e economia, afirmando que o Congresso precisa direcionar sua atuação para as necessidades nacionais.

O senador também reconheceu que presidir o Congresso em um ambiente de divisão política representa um desafio, mas insistiu na necessidade de respeito às opiniões divergentes e às instituições democráticas.

A manifestação, entretanto, não encerrou o confronto com a oposição. Pelo contrário, evidenciou que a relação entre a Presidência do Senado e os parlamentares ligados ao bolsonarismo permanece marcada por divergências sobre a atuação do Judiciário, a condução das votações e a interpretação dos resultados eleitorais.

O que fica no centro da controvérsia

O discurso de Davi Alcolumbre reúne três questões políticas distintas, mas diretamente relacionadas ao atual momento do Senado.

A primeira é a contestação do resultado presidencial por setores ligados a Flávio Bolsonaro, que passaram a questionar o processo eleitoral depois da derrota no segundo turno. Alcolumbre utilizou o desempenho do PL no primeiro turno para argumentar que os mesmos equipamentos eleitorais foram aceitos quando produziram resultados favoráveis à oposição.

A segunda é o conflito entre a Presidência do Senado e o PL, especialmente depois do adiamento da votação das propostas de redução da maioridade penal e das críticas feitas por Carlos Portinho.

A terceira é a disputa pela sucessão de Alcolumbre, com Rogério Marinho lançado pelo PL e a oposição tentando construir uma maioria para alterar a direção política da Casa.

O pronunciamento também trouxe à tona uma discussão sobre o papel dos parlamentares na defesa das instituições, a liberdade de crítica aos presidentes das Casas legislativas e a responsabilidade dos representantes eleitos no debate público.

A contestação de decisões políticas e administrativas faz parte da atividade parlamentar. Da mesma forma, pedidos de impeachment e críticas ao Supremo Tribunal Federal são instrumentos que integram o debate institucional, desde que observados os procedimentos legais.

Por outro lado, questionamentos sobre o resultado eleitoral precisam ser acompanhados de elementos verificáveis e submetidos às autoridades competentes, não podendo ser tratados como comprovação de fraude apenas por causa de uma derrota.

Ao afirmar que lamenta a eleição de políticos que, segundo sua avaliação, se promoveram por meio de ofensas e agressões, Alcolumbre deixou claro que considera o ambiente de radicalização um dos principais problemas da política brasileira.

Seu discurso, porém, também ocorre em um contexto de disputa por poder, no qual sua própria gestão é questionada por parlamentares que pretendem substituí-lo na Presidência do Senado.

A fala de Alcolumbre, portanto, não se limita à defesa das urnas eletrônicas. Ela representa uma resposta direta às críticas recebidas durante a campanha eleitoral e às cobranças da oposição sobre a condução do Congresso.

A discussão agora permanece concentrada na capacidade dos partidos de transformar suas divergências em debates institucionais, respeitando os procedimentos legislativos e a legitimidade dos resultados eleitorais.

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