De aliada de Bolsonaro a apoio de Lula: Soraya vê sonho da reeleição escapar e amarga queda em pesquisa

De aliada de Bolsonaro a apoio de Lula: Soraya vê sonho da reeleição escapar e amarga queda em pesquisa

Senadora aparece fora das vagas ao Senado em Mato Grosso do Sul e mudança de posicionamento político vira alvo de críticas e ironias nos bastidores

A política costuma cobrar caro de quem troca de lado no meio do caminho — e, ao que tudo indica, a conta pode ter chegado para a senadora Soraya Thronicke em Mato Grosso do Sul. Eleita em 2018 na onda bolsonarista que tomou conta do país, Soraya agora enfrenta um cenário complicado rumo à reeleição após se aproximar do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se afastar da base conservadora que a colocou no Senado.

Uma nova pesquisa eleitoral divulgada nesta semana mostra a parlamentar fora das posições que garantiriam vaga ao Senado em 2026. E nos bastidores políticos do estado, a leitura já começou a circular com ironia: para parte do eleitorado que a elegeu ao lado do bolsonarismo, Soraya teria trocado o discurso, mas perdido o apoio no caminho.

Segundo o levantamento encomendado pela Federação das Indústrias do Mato Grosso do Sul ao Instituto Opinião, a senadora aparece apenas na quarta colocação em um dos principais cenários estimulados da disputa ao Senado. Como o estado terá duas vagas em jogo, Soraya ficaria de fora da próxima legislatura caso os números se confirmem nas urnas.

Na pesquisa, o ex-governador Reinaldo Azambuja lidera com 38,7% das intenções de voto, seguido pelo ex-deputado Capitão Contar, com 33,7%, e pelo senador Nelsinho Trad, que aparece com 26,1%. Já Soraya Thronicke registra 16,6% e não conquista vaga em nenhum dos cenários apresentados pela pesquisa.

O resultado reforça a dificuldade da senadora em reconstruir sua identidade política depois da mudança de rota adotada nos últimos anos. Em 2018, Soraya foi eleita pelo PSL surfando na popularidade de Jair Bolsonaro e chegou a ser chamada por aliados de “musa do bolsonarismo”. Mas o cenário mudou drasticamente após as eleições de 2022.

Nos últimos anos, a parlamentar passou a votar alinhada ao governo Lula em pautas importantes no Congresso e intensificou aproximações com integrantes da base governista. Recentemente, durante um evento em Anastácio, no Mato Grosso do Sul, Soraya surpreendeu ao elogiar Lula publicamente.

“O presidente Lula me deixou de queixo caído pela humanidade”, declarou a senadora, em fala que rapidamente repercutiu entre apoiadores e críticos.

A mudança de postura virou munição para adversários políticos e também provocou desgaste entre antigos eleitores conservadores. Nas redes sociais, não faltaram comentários irônicos dizendo que Soraya “saiu do palanque de Bolsonaro para tentar abrigo no lulismo” e acabou ficando sem parte dos dois eleitorados.

O sociólogo Arilton Freres, diretor do Instituto Opinião, afirmou que a trajetória política da senadora ajuda a explicar o desempenho atual nas pesquisas.

“Ela foi eleita com apoio da base bolsonarista, depois passou a dialogar com outro eleitorado. Essa mudança de base pode estar relacionada à dificuldade de repetir o desempenho eleitoral do passado”, explicou.

Enquanto Soraya enfrenta turbulência, o bolsonarismo segue forte em Mato Grosso do Sul. A pesquisa também aponta vantagem de Flávio Bolsonaro em cenários presidenciais no estado, especialmente entre setores ligados ao agronegócio, uma das forças econômicas da região.

Nos bastidores, aliados da senadora ainda apostam que ela poderá recuperar espaço até 2026. Mas o levantamento acendeu um alerta político importante: em tempos de polarização intensa, mudanças de posicionamento podem custar caro nas urnas — principalmente quando o eleitor sente que o discurso já não é mais o mesmo.

E assim, quem chegou ao Senado carregada pela força de uma onda política agora vê crescer o risco de assistir à próxima legislatura do lado de fora do plenário.

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