
Dono de fazenda onde polícia encontrou quase trezentos mil pés de maconha é preso temporariamente no Ceará
Proprietário do terreno, de cinquenta e nove anos, é investigado por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Defesa afirma que a área havia sido arrendada a um terceiro, enquanto a Polícia Civil segue apurando quem era o responsável pelo cultivo da droga.
A Polícia Civil do Estado do Ceará prendeu temporariamente, nesta quinta-feira (2), o proprietário da fazenda onde foi localizada a maior plantação de maconha já descoberta no estado. O homem, de cinquenta e nove anos, é investigado pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, após a descoberta de aproximadamente duzentos e noventa mil pés de maconha em uma extensa área rural no município de Acopiara, na região Centro-Sul do Ceará.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), após o cumprimento do mandado de prisão, o investigado foi conduzido à unidade policial, passou pelos procedimentos legais e permaneceu à disposição da Justiça. A polícia informou ainda que ele possui antecedentes criminais por receptação e que as investigações continuam para esclarecer toda a dinâmica do caso e identificar todos os envolvidos.
A gigantesca plantação foi localizada durante uma operação realizada no último dia vinte e cinco de junho. Conforme a Polícia Civil, o cultivo ocupava uma área de aproximadamente três hectares, equivalente a cerca de quatro campos da Arena Castelão.
Para dimensionar toda a extensão da plantação, os agentes utilizaram drones e aeronaves. No local, foram encontrados aproximadamente cento e sessenta mil pés de maconha ainda em fase de cultivo e outros cento e trinta mil pés já colhidos, totalizando cerca de duzentos e noventa mil pés da droga.
As investigações apontaram que a propriedade rural pertence ao homem preso. No entanto, a defesa sustenta que o terreno havia sido arrendado formalmente a outra pessoa, por meio de contrato registrado em cartório. Segundo a advogada Mariah Lopes, esse documento já foi entregue às autoridades e demonstra que a responsabilidade pela utilização da área estava sob os cuidados do arrendatário.
Antes de ser preso, o proprietário, João Holanda Neto, divulgou um vídeo emocionado nas redes sociais, no qual pediu que o arrendatário se apresentasse à polícia. Nas imagens, ele afirma ter sido traído por uma pessoa conhecida da família há muitos anos.
“Como é que você faz uma coisa dessa com minha família? Você conhece a gente há mais de quinze anos”, declarou.
O proprietário também afirmou que enfrenta um tratamento contra câncer de pele e destacou ser pai de cinco filhos, incluindo uma criança de apenas três anos. Segundo sua defesa, ele compareceu espontaneamente à Polícia Civil para prestar esclarecimentos, mesmo sabendo da possibilidade de prisão.
Em respeito ao devido processo legal, a identidade do suposto arrendatário não foi divulgada oficialmente, já que, até o momento das publicações, não havia confirmação de mandado de prisão contra ele.
Falhas na operação também são investigadas
Além da investigação sobre os responsáveis pelo cultivo da droga, outro inquérito foi aberto para apurar possíveis falhas na atuação policial após a descoberta da plantação.
Dias depois da operação, imagens mostraram que ainda havia pés de maconha na propriedade sem vigilância permanente, situação que gerou forte repercussão e questionamentos sobre a preservação da área.
O delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, reconheceu a existência de falhas na custódia do local. Diante disso, a Controladoria-Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) instaurou procedimento para investigar a conduta dos agentes responsáveis pela operação.
O governador do Ceará, Elmano de Freitas, determinou a abertura da apuração disciplinar, enquanto o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) informou que acompanha as investigações por meio do controle externo da atividade policial.
A Polícia Civil ressaltou que novas informações serão divulgadas apenas no momento oportuno, para não comprometer o andamento das diligências. O objetivo agora é identificar todos os integrantes da organização criminosa responsável pelo gigantesco cultivo ilegal e esclarecer qual era o papel de cada investigado no esquema.