Petrobras lança edital de R$ 270 milhões para projetos culturais e anuncia maior investimento da história da estatal no setor

Petrobras lança edital de R$ 270 milhões para projetos culturais e anuncia maior investimento da história da estatal no setor

Programa prevê financiamento de iniciativas em todo o país por meio da Lei Rouanet e da Lei do Audiovisual, com recursos distribuídos entre todas as regiões brasileiras e novas categorias voltadas à cultura digital e produção de games.

A Petrobras lançou oficialmente o edital Seleção Petrobras Cultural 2026, que disponibilizará R$ 270 milhões para financiar projetos culturais em todo o Brasil. O investimento será realizado por meio da Lei Rouanet e da Lei do Audiovisual e, segundo a companhia, representa o maior aporte já destinado pela estatal ao setor cultural.

O anúncio foi feito durante cerimônia realizada no Rio de Janeiro, com a participação da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e do secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares.

Durante o evento, Magda Chambriard afirmou que a iniciativa busca fortalecer a economia criativa, ampliar oportunidades para artistas e produtores culturais e estimular a geração de emprego, renda e reconhecimento internacional para a produção artística brasileira.

“A Petrobras acredita na cultura. Quando falamos que a companhia impulsiona o PIB do país, não estamos falando apenas de petróleo, gás, fertilizantes e biocombustíveis. A cultura também movimenta a economia, gera empregos e fortalece a identidade nacional”, declarou a presidente da estatal.

Márcio Tavares destacou que o incentivo à cultura representa uma política pública voltada ao desenvolvimento econômico, social e criativo do país.

Edital contempla todas as regiões do Brasil

O programa prevê a seleção de projetos em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.

O regulamento determina que cada uma das cinco regiões do país receba, no mínimo, 15% do orçamento total, garantindo um investimento mínimo de R$ 40,5 milhões por região.

Além disso, cada estado deverá sediar atividades de pelo menos dois projetos contemplados.

Novas modalidades ampliam áreas atendidas

A edição de 2026 reúne 11 modalidades de patrocínio, incluindo duas categorias inéditas:

  • Produção de Games;
  • Incubação e Desenvolvimento Cultural.

Também poderão receber recursos projetos ligados às áreas de artes visuais, artes cênicas, música, audiovisual, festivais, cultura digital, patrimônio cultural, espaços culturais, instituições de memória e manifestações populares.

Critérios de seleção

O edital estabelece ainda critérios voltados à representatividade.

Pelo menos 25% dos projetos selecionados deverão ser liderados por realizadores ou abordar temas relacionados a grupos historicamente sub-representados, entre eles:

  • mulheres;
  • pessoas negras;
  • povos indígenas;
  • comunidades tradicionais;
  • pessoas com deficiência;
  • população LGBTQIAPN+;
  • populações nômades.

Também haverá pontuação adicional para propostas apresentadas por produtores das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e do Espírito Santo, além de iniciativas executadas em três ou mais regiões brasileiras.

Inscrições

As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas exclusivamente pela internet.

O prazo começou em 1º de julho e permanece aberto até 31 de julho de 2026, às 18 horas (horário de Brasília).

Novo centro cultural

Durante o lançamento do edital, a Petrobras também anunciou a criação do espaço Petrobras Futuros Arte e Tecnologia, localizado no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro.

O centro cultural abrirá ao público em agosto e receberá exposições, apresentações de artes cênicas, música e projetos selecionados por chamadas públicas, reunindo produções das cinco regiões brasileiras.

Debate sobre prioridades dos investimentos

O anúncio do investimento reacendeu discussões nas redes sociais e entre especialistas sobre a destinação de recursos incentivados para a cultura. Enquanto defensores da iniciativa afirmam que o setor cultural gera emprego, movimenta a economia e fortalece a produção artística nacional, críticos questionam se um aporte dessa magnitude é compatível com o momento enfrentado pelos consumidores, que convivem com preços elevados dos combustíveis e outros custos de vida. A Petrobras, por sua vez, afirma que o programa integra sua política institucional de investimento cultural e é realizado por meio dos mecanismos legais de incentivo fiscal previstos na legislação brasileira.

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