
Eleição no exterior mostra divisão entre Lula e Flávio Bolsonaro; EUA e Japão dão força ao candidato do PL
Brasileiros que votaram fora do país dividiram o mapa entre os dois candidatos; Lula venceu em mais países, mas Flávio Bolsonaro teve resultados expressivos nos maiores colégios eleitorais
A votação dos brasileiros que vivem no exterior apresentou uma disputa bastante dividida entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026.
O levantamento dos boletins de urna mostrou diferenças importantes de acordo com o país. Lula conquistou a maioria em uma quantidade maior de países, enquanto Flávio Bolsonaro obteve resultados expressivos justamente em alguns dos principais colégios eleitorais brasileiros fora do país.
Em um levantamento inicial do g1, com países que já haviam encerrado completamente a apuração, Lula aparecia à frente em 27 dos 36 países analisados, enquanto Flávio Bolsonaro liderava em nove. Na soma desses 36 países, Lula tinha 53.746 votos contra 40.914 de Flávio.
O cenário, porém, mudou quando a apuração oficial avançou e os grandes colégios eleitorais foram incorporados.
Japão foi um dos principais destaques para Flávio
Um dos resultados mais expressivos de Flávio Bolsonaro ocorreu no Japão.
O candidato do PL recebeu 24.601 votos, correspondentes a aproximadamente 71,6% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com 5.222 votos, cerca de 15,2%.
O Japão tornou-se especialmente relevante porque possui uma das maiores concentrações de eleitores brasileiros no exterior. O desempenho de Flávio no país ajudou a reduzir a diferença acumulada por Lula em outras nações.
Estados Unidos também deram vantagem a Flávio
Outro resultado importante apareceu nos Estados Unidos, o maior colégio eleitoral brasileiro fora do território nacional.
Com a totalização avançada, Flávio Bolsonaro ficou à frente no país, com aproximadamente 45 mil votos, contra cerca de 23,3 mil de Lula.
Em termos percentuais, Flávio alcançou aproximadamente 61,1% dos votos válidos, enquanto Lula ficou em torno de 31,7%.
O resultado americano tem peso especial justamente pelo tamanho do eleitorado brasileiro residente no país.
Lula teve desempenho forte na Europa
Lula, por outro lado, apresentou resultados expressivos em vários países europeus.
Na Alemanha, por exemplo, o petista ficou à frente de Flávio com ampla vantagem. No levantamento inicial, Lula havia registrado 15.169 votos, contra 3.488 de Flávio, alcançando mais de 74% dos votos válidos naquele recorte.
Na França, Lula também teve desempenho elevado, com 8.974 votos, aproximadamente 78,4% dos válidos no levantamento inicial.
Na Espanha, foram 7.063 votos para Lula contra 3.297 para Flávio, enquanto nos Países Baixos o petista também apresentou vantagem expressiva.
Portugal também terminou com vantagem para Lula na totalização avançada: aproximadamente 26,4 mil votos para o petista, contra 19,4 mil para Flávio.
Israel foi outro destaque de Flávio
Flávio Bolsonaro também terminou à frente em Israel.
No levantamento por países, o candidato do PL recebeu aproximadamente 523 votos, correspondentes a 74,4% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 92 votos.
O resultado colocou Israel entre os países onde Flávio apresentou uma das maiores vantagens proporcionais.
Além de Israel e Japão, Flávio venceu no primeiro levantamento consolidado em países como Emirados Árabes Unidos, Catar, Filipinas, Grécia, Moçambique, Tailândia e Taiwan.
Lula venceu em mais países
Apesar dos resultados expressivos de Flávio em alguns grandes colégios eleitorais, Lula terminou à frente na maior quantidade de países.
Entre os locais em que o petista venceu estão Alemanha, Austrália, China, França, Espanha, Portugal, Canadá, Argentina, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Singapura, Malásia, Dinamarca, Finlândia, Turquia e outros.
Na totalização avançada, Lula liderava em 64 países, enquanto Flávio aparecia na frente em 37, segundo levantamento baseado nos dados do TSE.
Isso demonstra uma característica importante da votação internacional: vencer em mais países não significa necessariamente concentrar mais votos, porque o número de eleitores varia muito de uma nação para outra.
A diferença na votação internacional
Com a apuração avançada, Lula terminou a votação no exterior com aproximadamente 157,4 mil votos, correspondentes a 47,57% dos votos válidos.
Flávio Bolsonaro ficou com aproximadamente 143,9 mil votos, ou 43,49%.
A diferença ficou próxima de 13,5 mil votos entre os dois candidatos.
Portanto, apesar de Lula ter terminado à frente na votação internacional, Flávio conseguiu uma votação bastante próxima e dominou alguns dos principais polos eleitorais brasileiros fora do país.
Quase um milhão de brasileiros estavam aptos a votar
O eleitorado brasileiro no exterior é formado por centenas de milhares de cidadãos espalhados por diferentes países.
Para as eleições de 2026, aproximadamente 916,5 mil brasileiros estavam aptos a votar fora do Brasil, distribuídos por 186 cidades em 134 países.
Entretanto, a participação efetiva foi muito menor.
Segundo dados do TSE citados pela CNN, 341.766 eleitores compareceram às urnas, enquanto 574.345 não votaram. Isso significa que mais de 62% dos eleitores cadastrados no exterior não participaram do primeiro turno.
Exterior vota somente para presidente
Há uma particularidade importante na eleição fora do Brasil.
Os brasileiros residentes no exterior votam exclusivamente para presidente e vice-presidente da República.
Por isso, a votação internacional representa um retrato específico da disputa presidencial, sem interferência das eleições para governador, senador, deputado federal ou deputado estadual.
As urnas foram distribuídas em diferentes cidades, e a diferença de fuso horário permitiu que alguns resultados fossem conhecidos antes do encerramento da votação no Brasil.
O mapa internacional também mostra a polarização
O resultado no exterior reforça a divisão observada dentro do Brasil.
Flávio Bolsonaro apresentou desempenho muito forte em locais como Estados Unidos, Japão e Israel, enquanto Lula teve ampla vantagem em diversos países europeus e em outras partes do mundo.
O mapa, portanto, não apresenta uma predominância absoluta de apenas um dos candidatos.
Há países nos quais a diferença foi enorme para um dos lados, enquanto em outros a disputa foi mais equilibrada.
Do Japão aos Estados Unidos, Flávio mostrou força
Os resultados obtidos por Flávio nos Estados Unidos e no Japão merecem destaque pelo tamanho dos respectivos eleitorados.
Nos Estados Unidos, a vantagem foi superior a 20 mil votos.
No Japão, a diferença também foi superior a 19 mil votos.
Esses números ajudam a explicar por que Flávio conseguiu reduzir a distância em relação a Lula na votação internacional, mesmo tendo ficado atrás na quantidade total de países vencidos.
Lula mantém vantagem na Europa
Na outra ponta, Lula obteve grandes vantagens em países europeus.
Alemanha, França, Espanha, Portugal, Países Baixos e outros países registraram votação favorável ao petista.
Em alguns deles, a vantagem percentual foi bastante elevada, mostrando que o eleitorado brasileiro no exterior apresenta comportamentos eleitorais muito diferentes conforme a região.
O que o resultado significa para o segundo turno
A votação no exterior não decide isoladamente a eleição presidencial. O eleitorado brasileiro fora do país representa uma parcela pequena do eleitorado nacional.
Ainda assim, os números têm relevância política porque mostram como os dois candidatos se comportaram diante de comunidades brasileiras espalhadas pelo mundo.
Lula terminou o primeiro turno com mais votos no exterior, enquanto Flávio Bolsonaro obteve vitórias importantes em alguns dos maiores colégios eleitorais, especialmente Estados Unidos e Japão.
O resultado também revela uma disputa internacional bastante polarizada, com diferentes regiões do mundo apresentando preferências distintas.
Depois do primeiro turno, a eleição presidencial segue para uma nova etapa entre Lula e Flávio Bolsonaro. No Brasil e no exterior, os dois candidatos agora terão de disputar novamente os votos de milhões de eleitores.
O primeiro turno deixou uma fotografia clara: Lula teve maior alcance territorial entre os países, mas Flávio Bolsonaro demonstrou força em importantes comunidades brasileiras no exterior — e a diferença final de votos internacionais foi relativamente pequena diante do tamanho do eleitorado cadastrado.