Embaixada brasileira ajudou na mudança de Lulinha para Madri, mostram mensagens

Embaixada brasileira ajudou na mudança de Lulinha para Madri, mostram mensagens

Estrutura diplomática teria sido colocada à disposição da família do filho de Lula; Itamaraty confirma apoio escolar, mas nega uso de van oficial

Mensagens recuperadas do celular da lobista Roberta Luchsinger mostram que o então embaixador do Brasil na Espanha, Orlando Leite Ribeiro, ofereceu apoio da Embaixada Brasileira em Madri durante a mudança de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e de sua família para a capital espanhola, em 2025.

Entre as conversas, o diplomata ofereceu uma funcionária da embaixada para acompanhar visitas a escolas, forneceu informações sobre bairros e instituições de ensino e também ajudou a intermediar uma visita à Universidade de Salamanca. Em março de 2025, Ribeiro chegou a escrever para Roberta e Renata Abreu Moreira, mulher de Lulinha, dizendo que estava sendo um prazer ajudá-las no processo de instalação em Madri e que continuassem contando com ele.

Outro ponto que chama atenção nas mensagens é a menção a uma van da embaixada que poderia ser utilizada para auxiliar na compra de móveis durante a instalação. O Itamaraty, porém, negou que o veículo tenha sido utilizado. O ministério confirmou que o setor educacional da embaixada prestou assistência relacionada às escolas.

Lulinha vive em Madri desde meados de 2025. Segundo as reportagens, Roberta Luchsinger participou da organização da mudança e arcou com os custos da transferência. Ela também mantinha contatos com integrantes do governo e é investigada pela Polícia Federal em apurações relacionadas a suspeitas de corrupção e tráfico de influência. Lulinha também é alvo de investigação e, por meio de seu advogado, nega envolvimento em irregularidades.

O episódio levanta questionamentos sobre até onde deve chegar o uso da estrutura de uma representação diplomática para atender demandas particulares de familiares do presidente da República. O apoio para informações escolares pode ser apresentado pelo Itamaraty como atendimento institucional, mas a proximidade revelada pelas mensagens e a oferta de recursos da embaixada alimentam críticas sobre possível tratamento privilegiado.

As mensagens, por si só, não comprovam crime ou desvio de recursos públicos. O próprio Itamaraty contestou parte das informações, especialmente sobre a utilização da van. Ainda assim, a revelação coloca novamente Lulinha, Roberta Luchsinger e integrantes da estrutura diplomática no centro das discussões sobre as relações entre interesses privados e agentes públicos.

O caso também ganha peso político porque ocorre em meio às investigações da Polícia Federal que analisam as relações de Lulinha com Roberta Luchsinger e outras pessoas ligadas ao governo federal.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags