EUA preparam nova rodada de tarifas contra 60 países e Brasil pode enfrentar alíquota adicional de 12,5%

EUA preparam nova rodada de tarifas contra 60 países e Brasil pode enfrentar alíquota adicional de 12,5%

Medida anunciada pelo governo Donald Trump é baseada em investigação sobre trabalho forçado; nova cobrança poderá se somar às tarifas já anunciadas contra produtos brasileiros

O governo dos Estados Unidos prepara uma nova rodada de tarifas comerciais que poderá atingir aproximadamente 60 países, entre eles o Brasil. A informação foi divulgada pelo representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, em entrevista à emissora CNBC.

Segundo Greer, as novas medidas devem ser anunciadas “em breve” e terão como base uma investigação aberta pelo governo dos Estados Unidos sobre o uso de trabalho forçado em cadeias produtivas de diferentes países.

A apuração foi iniciada em março com fundamento na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelo governo norte-americano para investigar práticas comerciais consideradas desleais ou prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos. O processo também contou com audiências públicas para discutir os possíveis impactos das medidas.

“Esperamos ver alguma ação em breve”, afirmou Greer ao ser questionado sobre a investigação.

Brasil pode receber tarifa de 12,5%

O Brasil está entre os países que podem ser atingidos pela nova política comercial. Conforme as informações divulgadas pelas autoridades norte-americanas, produtos brasileiros poderão enfrentar uma tarifa adicional de até 12,5%.

As novas alíquotas deverão variar entre 10% e 12,5%, dependendo dos resultados das investigações conduzidas pelo governo dos Estados Unidos.

A previsão é que a nova cobrança substitua uma tarifa global temporária de 10% implementada pela administração Trump no início de 2026, depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou parte das sobretaxas adotadas anteriormente.

O governo norte-americano afirma que a legislação dos Estados Unidos proíbe a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. A justificativa apresentada pelo representante comercial é que diversos parceiros comerciais não teriam mecanismos equivalentes de fiscalização ou não aplicariam regras consideradas suficientes pelos Estados Unidos.

Medida ocorre em meio a escalada comercial contra o Brasil

A possível nova tarifa surge em um momento de forte tensão comercial entre Washington e Brasília.

Na semana anterior, Donald Trump havia anunciado uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. A medida, oficializada pelo governo norte-americano em 15 de julho, entrou no centro de uma crise diplomática e comercial entre os dois países.

Apesar da sobretaxa, determinados produtos foram excluídos da medida, entre eles café, carne bovina, petróleo, aeronaves e suco de laranja.

Caso a nova tarifa de até 12,5% seja confirmada, empresas brasileiras poderão enfrentar uma nova camada de custos para acessar o mercado norte-americano, dependendo dos produtos e setores atingidos pela investigação.

Investigação envolve grandes economias

A apuração norte-americana alcança uma ampla lista de parceiros comerciais. Além do Brasil, estão incluídos países e blocos econômicos como União Europeia, China, Japão, Índia, México, Coreia do Sul, Taiwan, Vietnã, Indonésia, Malásia, Tailândia, Bangladesh, Camboja, Singapura, Suíça e Noruega.

A abrangência da investigação amplia o alcance da medida e indica que o governo Trump pretende utilizar o argumento do trabalho forçado como parte de uma política comercial mais ampla.

A definição final das tarifas, no entanto, dependerá da conclusão das investigações. Até o momento, Washington não confirmou oficialmente a data exata do anúncio nem detalhou quais produtos de cada país poderão ser atingidos.

Tarifas também são utilizadas em outras frentes

A nova ameaça tarifária faz parte de uma sequência de medidas comerciais adotadas pelo governo Donald Trump.

Além das medidas contra o Brasil, o governo norte-americano anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Canadá. A política comercial também envolve negociações e disputas com outras grandes economias.

A estratégia tem provocado preocupação entre setores empresariais e integrantes do próprio governo dos Estados Unidos. Segundo informações divulgadas pelo Financial Times, parte das autoridades norte-americanas defende cautela na adoção de novas tarifas e avalia que a preservação de acordos comerciais firmados em 2025 poderia reduzir impactos sobre a economia norte-americana.

Pressão sobre o custo de vida aumenta preocupação interna

O debate sobre as tarifas ocorre em meio a preocupações com o custo de vida nos Estados Unidos.

O cenário internacional, marcado também pelo aumento das tensões envolvendo os Estados Unidos e o Irã, contribuiu para a elevação dos preços da energia e ampliou os temores sobre os efeitos econômicos das novas medidas.

Uma pesquisa realizada pela Focaldata para o Financial Times apontou que mais de dois terços dos entrevistados desaprovam a condução do governo em relação ao custo de vida.

Para analistas, a pressão econômica e a reação da população podem influenciar o ritmo e a intensidade da política tarifária de Trump.

Brasil acompanha possíveis impactos

Para o Brasil, a nova ameaça ocorre em um momento delicado das relações comerciais com os Estados Unidos. A combinação de diferentes tarifas pode afetar a competitividade de produtos brasileiros no mercado norte-americano, dependendo da forma como as medidas forem aplicadas.

A nova investigação, contudo, ainda não resultou em uma lista definitiva de produtos atingidos. Também não está confirmado se a eventual alíquota de 12,5% será aplicada de forma geral ou apenas a determinados setores identificados no processo.

A expectativa é que o governo dos Estados Unidos apresente os próximos passos após a conclusão da apuração prevista para os próximos dias.

Até lá, o Brasil permanece sob risco de enfrentar uma nova rodada de barreiras comerciais em meio à escalada da política protecionista do governo Donald Trump.

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