
EUA pressionam Moraes: Subsecretário diz que ministro é “o coração da perseguição” contra Bolsonaro
Representante do Departamento de Estado acusa Moraes de censura e afirma que Washington está “tomando medidas”; tensão entre Brasil e EUA aumenta com tarifaço e sanções
O clima entre Brasil e Estados Unidos esquentou ainda mais nesta quinta-feira (24), após uma declaração contundente de Darren Beattie, subsecretário de Diplomacia Pública do governo norte-americano. Em uma publicação oficial, Beattie acusou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de ser o “centro nervoso” de uma suposta máquina de perseguição e censura contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“O juiz Moraes é o coração pulsante do complexo de perseguição e censura contra Jair Bolsonaro”, escreveu o subsecretário, completando que a atuação do ministro afetou até a liberdade de expressão nos Estados Unidos. Ele ainda reforçou que, sob a liderança de Trump e do secretário Marco Rubio, o governo norte-americano está atento e já está tomando providências.
A postagem foi feita em uma conta institucional do Departamento de Estado e, pouco depois, compartilhada pela própria embaixada dos EUA no Brasil — o que reforça o peso político da fala. Moraes, vale lembrar, é relator de diversos processos contra Bolsonaro, incluindo a ação sobre tentativa de golpe após as eleições de 2022.
Atritos diplomáticos e ameaças de sanções
As declarações de Beattie vêm em resposta direta à postagem anterior do secretário de Estado Marco Rubio, que anunciou a suspensão do visto americano de Moraes e de outros ministros do STF. A medida teria sido motivada pela atuação do ministro em casos envolvendo Bolsonaro e pelo que os EUA classificam como “censura” a plataformas digitais americanas.
Além disso, há um pano de fundo comercial: o chamado “tarifaço” anunciado por Trump — uma taxa de 50% sobre produtos brasileiros que deve entrar em vigor em 1º de agosto. O governo dos EUA argumenta que há uma desvantagem comercial e que o Brasil tem adotado medidas que ferem o livre mercado, a liberdade de expressão e a política internacional de Washington.
Eduardo Bolsonaro em campo nos EUA
Desde março, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) está em solo americano atuando para pressionar o governo dos EUA a tomar medidas contra Moraes. Após o anúncio do tarifaço, ele chegou a sugerir que os brasileiros agradecessem a Donald Trump pelas sanções impostas ao Brasil.
Em paralelo, o Brasil tenta, nos bastidores, reduzir ou derrubar as novas tarifas antes de agosto. Se não houver acordo, o governo brasileiro estuda aplicar a chamada Lei da Reciprocidade Econômica como forma de resposta.
O que esperar agora?
As críticas a Moraes, que já vinham ganhando força entre aliados de Trump, agora tomam proporções oficiais. Ao vincular o ministro do STF à repressão da liberdade de expressão nos EUA, o governo americano sinaliza que não trata o assunto apenas como disputa jurídica brasileira — mas como um impasse diplomático com repercussões internacionais.
A escalada de tensão entre os dois países pode ter desdobramentos mais amplos, tanto no comércio quanto na política. E, no centro da crise, está um ministro que virou símbolo da polarização entre bolsonaristas e defensores das instituições democráticas brasileiras.