Ex-mulher de Janones é convidada pelo PL para debate da Globo; medida protetiva expõe acusações graves contra deputado aliado de Lula

Ex-mulher de Janones é convidada pelo PL para debate da Globo; medida protetiva expõe acusações graves contra deputado aliado de Lula

Leandra Guedes, prefeita de Ituiutaba, denunciou supostas ameaças envolvendo fotografias íntimas e obteve medida protetiva da Justiça mineira. Janones nega as acusações e afirma ser vítima de uma armação.

O Partido Liberal (PL), ligado à campanha de Flávio Bolsonaro, convidou Leandra Guedes, prefeita de Ituiutaba (MG) e ex-mulher do deputado federal André Janones, para acompanhar o debate presidencial da TV Globo, em 23 de outubro de 2026. A movimentação ganhou repercussão porque Leandra obteve uma medida protetiva contra o parlamentar em 2025. Segundo reportagens, o convite também foi discutido como estratégia para impedir a presença de Janones no mesmo ambiente.

As acusações e a medida protetiva

Leandra e Janones mantiveram um relacionamento entre 2014 e 2018. Conforme o relato apresentado pela prefeita à Justiça, após o término da relação, o deputado teria utilizado imagens íntimas para pressioná-la e ameaçado divulgar outros registros. Ela também afirmou que uma fotografia sua de lingerie teria sido enviada a um secretário municipal e que as imagens teriam sido produzidas sem seu consentimento. As acusações incluem supostas tentativas de interferência na administração municipal, com exigências relacionadas à demissão de servidores.

Em dezembro de 2024, Leandra recorreu à Justiça com base na Lei Maria da Penha. A medida protetiva foi concedida, e a decisão, divulgada posteriormente, estabeleceu restrições à aproximação e ao contato entre os dois.

Entre as determinações relatadas estão a proibição de Janones se aproximar a menos de 300 metros da ex-companheira, manter contato com ela e familiares, frequentar os mesmos locais e divulgar fotografias ou vídeos íntimos relacionados a Leandra. A Justiça identificou indícios de violência psicológica e moral ao analisar o pedido de proteção. Como o processo tramita em segredo de Justiça, não há confirmação pública de que todas as restrições permaneçam atualmente em vigor.

É importante esclarecer: essas informações descrevem acusações apresentadas pela prefeita e medidas preventivas concedidas pela Justiça. A existência de uma medida protetiva não equivale, por si só, a uma condenação criminal definitiva.

Janones nega as acusações

André Janones negou ter divulgado imagens íntimas da ex-companheira e afirmou que foi vítima de uma armação. Em manifestação pública anterior, declarou que não enviou fotografias e que não praticou os atos atribuídos a ele. O deputado também sustentou que o caso já havia sido esclarecido.

As negativas precisam ser registradas, assim como as acusações e a decisão judicial. O direito de defesa deve ser respeitado, mas isso não elimina a importância de apurar denúncias dessa natureza com seriedade, sobretudo quando envolvem possível exposição da intimidade, chantagem ou violência psicológica.

Convite do PL e repercussão eleitoral

A campanha de Flávio Bolsonaro convidou Leandra para acompanhar o último debate presidencial da Globo antes do segundo turno. De acordo com as reportagens, a presença da prefeita poderia impedir a participação presencial de Janones em razão das restrições judiciais, caso estivessem vigentes e fossem aplicáveis à situação.

Leandra afirmou que estava viajando e que precisava conhecer melhor o convite antes de decidir se aceitaria. Posteriormente, o BNews informou que ela recusou o convite.

Janones, aliado do presidente Lula, não acompanhou o debate presencialmente. O senador Camilo Santana informou que o deputado faria uma transmissão ao vivo para comentar as declarações dos candidatos e mobilizar os apoiadores do petista nas redes sociais.

Crítica: repúdio à violência, cobrança por responsabilidade e respeito à Justiça

As acusações relatadas por Leandra são graves e merecem apuração responsável. Se alguém ameaça divulgar imagens íntimas para constranger, chantagear ou controlar uma ex-companheira, a conduta representa uma violação séria da dignidade e da privacidade. Nenhuma posição política deve servir de escudo contra a investigação de possíveis abusos.

É necessário repudiar qualquer forma de violência psicológica, intimidação ou exposição não consentida da intimidade. Ao mesmo tempo, a crítica pública precisa respeitar o direito de defesa e evitar tratar acusações como condenações definitivas.

Também é legítimo questionar a utilização eleitoral de um caso que envolve uma medida protetiva. Se o convite do PL teve como objetivo afastar Janones do debate, como apontaram as reportagens, a estratégia demonstra até que ponto a disputa política pode incorporar conflitos pessoais e judiciais. Isso não invalida o direito de Leandra de aceitar um convite ou participar de um evento público, nem reduz a importância da proteção concedida pela Justiça.

O ponto central não deve ser apenas quem ganhou vantagem na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, mas a necessidade de tratar com seriedade denúncias de violência contra mulheres. A proteção judicial não pode ser transformada em espetáculo, e acusações dessa gravidade não devem ser banalizadas como simples munição eleitoral.

A posição que deve prevalecer é clara: repúdio a qualquer forma de violência contra mulheres, respeito às medidas judiciais e apuração responsável dos fatos, sem privilégios partidários e sem condenações antecipadas. Janones tem direito de se defender das acusações; Leandra tem direito à proteção e à preservação de sua intimidade. A Justiça deve garantir ambos os direitos, com rigor e imparcialidade.

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