FBI investiga movimentações financeiras da Federação Argentina durante a Copa do Mundo; apuração mira US$ 260 milhões que passaram por bancos dos EUA

FBI investiga movimentações financeiras da Federação Argentina durante a Copa do Mundo; apuração mira US$ 260 milhões que passaram por bancos dos EUA

Autoridades americanas investigam possíveis crimes de fraude e lavagem de dinheiro envolvendo a Associação do Futebol Argentino (AFA). A investigação concentra-se em contratos comerciais internacionais administrados por uma empresa sediada nos Estados Unidos e ainda está em fase preliminar, sem acusações formais.

Enquanto a seleção da Argentina segue sua campanha na Copa do Mundo de 2026, a Associação do Futebol Argentino (AFA) passou a enfrentar uma investigação conduzida pelo Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI) e pelo Departamento de Justiça americano. A apuração busca esclarecer movimentações de centenas de milhões de dólares realizadas por meio do sistema financeiro dos Estados Unidos e verificar se houve violações à legislação do país, incluindo possíveis crimes de fraude financeira e lavagem de dinheiro.

Segundo informações divulgadas pelo jornal argentino La Nación e reproduzidas por veículos brasileiros, o foco da investigação está em operações financeiras realizadas pela entidade por meio de contas bancárias americanas utilizadas para administrar contratos comerciais internacionais.

Investigação analisa movimentação de US$ 260 milhões

Os investigadores concentram a análise em aproximadamente US$ 260 milhões movimentados pela AFA por intermédio da empresa TourProdEnter LLC, sediada nos Estados Unidos e ligada ao produtor teatral Javier Faroni e à empresária Erica Gillette.

De acordo com documentos bancários obtidos pela imprensa argentina, a empresa administrava pagamentos referentes a contratos comerciais internacionais da federação, incluindo acordos firmados com grandes patrocinadores e parceiros comerciais.

Os recursos circularam por contas abertas em cinco instituições financeiras americanas:

  • Citibank;
  • Bank of America;
  • JP Morgan;
  • PNC Bank;
  • Synovus Bank.

A principal preocupação das autoridades é identificar se parte dessas operações financeiras violou leis americanas relacionadas à lavagem de dinheiro, fraude bancária ou movimentação irregular de recursos.

Parte do dinheiro segue sem destinação identificada

Segundo os investigadores, apenas parte dos US$ 260 milhões possui documentação capaz de justificar despesas operacionais da entidade.

Outra parcela, estimada em US$ 57 milhões, teria sido transferida para diversas empresas e pessoas físicas sem documentação considerada suficiente para comprovar a finalidade econômica das operações.

A origem, o destino e a legalidade dessas transferências permanecem sob análise das autoridades federais americanas.

Promotores especializados conduzem a investigação

O caso é conduzido pelos promotores federais Patrick Gushue, Christopher Ting e Michael Berger, integrantes do Distrito Sul da Flórida e especializados em investigações de crimes financeiros internacionais.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos trabalha em conjunto com agentes do FBI para reconstruir o fluxo financeiro das operações realizadas pela AFA em território americano.

O objetivo é determinar se a utilização do sistema bancário dos Estados Unidos ocorreu de forma compatível com a legislação federal ou se houve mecanismos destinados a ocultar recursos ou dificultar o rastreamento das operações.

Empresário prestou depoimento ao FBI

Entre os personagens centrais da investigação está o empresário Guillermo Tofoni, que apresentou denúncias relacionadas às operações financeiras da AFA.

Segundo o jornal La Nación, Tofoni já prestou depoimento a representantes do FBI e forneceu informações sobre contratos internacionais administrados pela entidade.

Seu relato é considerado uma das bases utilizadas pelas autoridades para aprofundar a investigação.

Ex-integrantes do governo Milei podem ser convocados

O Departamento de Justiça também avalia ouvir antigos integrantes do governo do presidente Javier Milei que tiveram acesso a informações relacionadas à administração financeira da AFA.

As autoridades pretendem verificar se esses ex-integrantes possuem documentos ou informações que possam contribuir para esclarecer a estrutura utilizada nas movimentações internacionais da entidade.

Caso começou após denúncia em 2024

A origem da investigação remonta a setembro de 2024, quando o então Ministério da Segurança da Argentina encaminhou informações às autoridades americanas relatando suspeitas sobre operações financeiras da federação.

Naquele momento, o FBI entendeu que não havia elementos suficientes para abrir uma investigação criminal.

Entretanto, durante 2025 e no início de 2026, novos documentos bancários e informações adicionais reforçaram as suspeitas, levando o Departamento de Justiça a instaurar uma investigação mais ampla sobre o caso.

Presidente da AFA acompanha a Copa enquanto investigação avança

O presidente da Associação do Futebol Argentino, Claudio “Chiqui” Tapia, permanece acompanhando a delegação argentina durante a Copa do Mundo.

Segundo a imprensa argentina, Tapia foi autorizado pela Justiça de seu país a viajar ao Mundial após prestar garantia financeira em outro processo no qual responde por supostas irregularidades relacionadas ao recolhimento de contribuições previdenciárias e tributos.

Esse processo é distinto da investigação conduzida pelas autoridades americanas.

Empresa administrava contratos comerciais internacionais

Os investigadores procuram entender por que uma empresa privada sediada nos Estados Unidos passou a centralizar o recebimento de receitas provenientes de contratos internacionais da AFA.

Entre os acordos administrados pela TourProdEnter LLC estariam contratos firmados com patrocinadores e parceiros comerciais de alcance global, incluindo empresas do setor esportivo e de mídia.

As autoridades buscam reconstruir todo o percurso percorrido pelos recursos após sua entrada no sistema financeiro americano.

Nenhuma acusação formal foi apresentada

Até o momento, a investigação permanece em fase preliminar.

Nem a Associação do Futebol Argentino, nem seu presidente Claudio Tapia, nem os responsáveis pela TourProdEnter LLC foram formalmente denunciados ou acusados criminalmente pelas autoridades dos Estados Unidos.

O objetivo atual da investigação é reunir documentos, rastrear operações financeiras, ouvir testemunhas e verificar se existem elementos suficientes para justificar eventual abertura de um processo criminal.

Enquanto isso, a AFA segue concentrada na disputa da Copa do Mundo de 2026, ao mesmo tempo em que enfrenta uma das mais relevantes investigações financeiras de sua história recente, conduzida pelas autoridades federais norte-americanas.

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