
FIFA abre investigação após influenciador IShowSpeed sofrer ataques racistas de torcedores argentinos na Copa do Mundo
Darren Jason Watkins Jr., um dos maiores criadores de conteúdo do mundo, foi alvo de gestos racistas durante a partida entre Argentina e Egito. Entidade máxima do futebol condenou o episódio e apura a conduta dos envolvidos.
A FIFA abriu uma investigação para apurar atos de racismo praticados por torcedores argentinos contra o influenciador digital norte-americano Darren Jason Watkins Jr., conhecido mundialmente como IShowSpeed, durante a Copa do Mundo de 2026.
O episódio aconteceu após a vitória da Argentina por 3 a 2 sobre o Egito, em partida válida pelas oitavas de final do torneio, disputada no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, nos Estados Unidos. O influenciador acompanhava o jogo das arquibancadas vestindo a camisa da seleção egípcia quando foi hostilizado por um torcedor que fez repetidos gestos imitando um macaco em sua direção, uma manifestação amplamente reconhecida como racista.
As imagens foram registradas durante a transmissão realizada pelo próprio IShowSpeed e rapidamente viralizaram nas redes sociais, provocando forte repercussão internacional e manifestações de indignação de torcedores, atletas e internautas.
Este não foi um caso isolado. Dias antes, durante a partida entre Argentina e Cabo Verde, o influenciador já havia relatado ter sido alvo de insultos racistas e ofensas discriminatórias por parte de outros torcedores argentinos. Entre as provocações registradas estava a frase em inglês “Go cry to the zoo” (“Vá chorar no zoológico”), considerada ofensiva e de cunho racista.
Diante da repercussão, a FIFA confirmou a abertura de uma investigação oficial para identificar os responsáveis e analisar possíveis punições. A entidade reafirmou sua política de tolerância zero contra qualquer forma de discriminação e destacou que o racismo não tem espaço no futebol nem em qualquer ambiente esportivo.
Aos 21 anos, IShowSpeed tornou-se um dos maiores influenciadores do planeta. Natural de Cincinnati, nos Estados Unidos, ele acumula dezenas de milhões de seguidores nas principais plataformas digitais e ultrapassou a marca de 50 milhões de inscritos no YouTube, tornando-se o primeiro criador de conteúdo negro a alcançar esse número. Em 2026, também foi incluído pela revista Time entre as 100 pessoas mais influentes do esporte.
Conhecido por acompanhar grandes eventos esportivos ao redor do mundo, o streamer é fã declarado de Cristiano Ronaldo e frequentemente produz conteúdos relacionados ao futebol, entrevistando atletas, visitando estádios e realizando transmissões ao vivo durante competições internacionais.
Racismo exige combate permanente
O episódio reacende o debate sobre a necessidade de medidas mais rígidas para combater o racismo nos estádios. Gestos, insultos ou qualquer manifestação discriminatória atentam contra a dignidade humana e violam princípios fundamentais do esporte, que deve promover respeito, igualdade e inclusão.
Casos como este reforçam a importância de investigações rápidas, identificação dos responsáveis e aplicação das punições previstas nos regulamentos esportivos e nas legislações nacionais. Organizações esportivas, clubes, federações, autoridades e torcedores compartilham a responsabilidade de combater qualquer forma de preconceito.
O futebol é um patrimônio mundial capaz de unir povos, culturas e nações. Atitudes racistas não representam os valores do esporte e precisam ser repudiadas com firmeza para que os estádios sejam ambientes seguros e respeitosos para todos, independentemente de raça, cor, nacionalidade ou origem.