Tony Bellotto volta a criticar a direita e reacende debate sobre politização de artistas

Tony Bellotto volta a criticar a direita e reacende debate sobre politização de artistas

Durante entrevista ao Roda Viva, guitarrista dos Titãs relembra a ditadura militar, critica a extrema direita e lamenta o posicionamento político de antigos colegas do rock nacional.

O músico e escritor Tony Bellotto, guitarrista e fundador dos Titãs, voltou a colocar a política no centro de suas declarações durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Ao relembrar o período da ditadura militar, Bellotto classificou o regime como “uma coisa horrível”, afirmou que a censura marcou sua geração e voltou a defender que o rock brasileiro nasceu ligado à luta pela democracia e pela liberdade de expressão.

Na entrevista, Bellotto também lamentou o posicionamento político de artistas como Roger Moreira, do Ultraje a Rigor, e Lobão, dizendo ter ficado “muito decepcionado” com o apoio deles a pautas que ele considera ligadas à direita e à extrema direita.

O integrante dos Titãs declarou ainda que, em sua avaliação, “a direita democrática desapareceu” no Brasil, afirmando que o cenário político passou a ser dominado pela extrema direita. Como exemplo de um político que admirava, citou o ex-governador de São Paulo, Mário Covas, lembrando que fez campanha para ele nos anos 1990.

As declarações, porém, voltaram a provocar críticas de parte do público nas redes sociais. Críticos de Bellotto afirmam que o músico frequentemente utiliza entrevistas para retomar debates sobre a ditadura militar e fazer críticas à direita, mantendo um discurso político que, na visão desses setores, pouco dialoga com quem pensa diferente. Também argumentam que artistas deveriam concentrar suas manifestações em temas culturais, em vez de transformar entrevistas sobre música em discussões político-partidárias.

Por outro lado, apoiadores do músico defendem que artistas têm o direito de expressar suas opiniões sobre política e democracia, especialmente aqueles que viveram o período da ditadura e relatam experiências pessoais relacionadas à censura e à repressão.

A entrevista aconteceu em meio à turnê comemorativa dos 40 anos do álbum Cabeça Dinossauro, um dos discos mais marcantes da história dos Titãs. Além da carreira musical, Bellotto também falou sobre sua trajetória como escritor e sobre o impacto que o contexto político dos anos 1980 teve na formação artística da banda.

As declarações reforçam como o debate político continua dividindo opiniões entre artistas e o público brasileiro, especialmente quando figuras conhecidas utilizam espaços de grande audiência para comentar temas ideológicos e o cenário político nacional.

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