Flávio Bolsonaro aciona STF e pede investigação contra Lula após fala sobre “traidores da pátria”

Flávio Bolsonaro aciona STF e pede investigação contra Lula após fala sobre “traidores da pátria”

Defesa do senador alega que discurso do presidente incentivou ameaças nas redes sociais e solicita abertura de inquérito por suposta incitação ao crime

A disputa política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganhou um novo capítulo no Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa do parlamentar protocolou uma notícia-crime pedindo a abertura de investigação contra o chefe do Executivo por supostos crimes de ameaça e incitação ao crime, após declarações feitas por Lula durante um evento público realizado em Goiás.

O pedido foi apresentado ao STF nesta semana e tem como base um discurso do presidente ocorrido em 2 de junho, durante a inauguração do Campus Catalão do Instituto Federal Goiano. Na ocasião, Lula criticou brasileiros que, segundo ele, buscam apoio de autoridades estrangeiras para pressionar o Brasil em questões políticas e econômicas.

Declaração de Lula gerou reação da defesa de Flávio

O trecho que motivou a ação judicial faz referência ao episódio histórico envolvendo Tiradentes e Joaquim Silvério dos Reis, conhecido por delatar a Inconfidência Mineira.

Durante o discurso, Lula afirmou:

“Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, meditem.”

Para os advogados de Flávio Bolsonaro, a declaração ultrapassou os limites da crítica política e teria criado um ambiente propício para manifestações violentas contra o senador e seus familiares.

Defesa aponta aumento de ameaças nas redes sociais

Segundo os documentos apresentados ao Supremo, um levantamento realizado pela equipe jurídica identificou um aumento significativo de mensagens com teor agressivo nas redes sociais nas horas seguintes ao pronunciamento presidencial.

De acordo com a defesa, mais de 1.600 publicações teriam sido registradas contendo ameaças explícitas contra Flávio Bolsonaro e membros de sua família. Outras centenas de mensagens, segundo os advogados, continham referências indiretas ou celebrações de possíveis atos violentos.

O material foi anexado à petição como forma de demonstrar o que a defesa considera uma relação entre a fala presidencial e a repercussão nas plataformas digitais.

Advogados questionam referência histórica

Outro ponto destacado pelos representantes do senador diz respeito à própria narrativa histórica utilizada pelo presidente.

A defesa argumenta que a afirmação sobre Joaquim Silvério dos Reis estaria incorreta, uma vez que o delator da Inconfidência Mineira não foi executado por enforcamento. Historicamente, quem foi condenado à morte e executado foi Tiradentes, enquanto Joaquim Silvério dos Reis morreu anos depois por causas naturais.

Segundo os advogados, esse detalhe reforçaria o caráter inadequado da comparação utilizada durante o discurso.

Pedido será analisado pelo Supremo

Agora, caberá ao STF avaliar os argumentos apresentados e decidir se há elementos suficientes para dar andamento ao pedido de investigação.

O episódio ocorre em meio ao aumento da tensão política que antecede as eleições presidenciais de 2026, cenário marcado por disputas judiciais, debates sobre liberdade de expressão e forte polarização entre grupos ligados ao governo e à oposição.

Até o momento, o Palácio do Planalto não havia se manifestado oficialmente sobre a iniciativa apresentada pela defesa de Flávio Bolsonaro.

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