Flávio Bolsonaro afirma que respeitará o fim da escala 6×1 se for eleito presidente

Flávio Bolsonaro afirma que respeitará o fim da escala 6×1 se for eleito presidente

Senador diz que não tentará reverter a decisão do Congresso, explica mudança de posicionamento após ouvir trabalhadores e defende aumento do poder de compra, segurança pública e mais flexibilidade na organização da jornada de trabalho.

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que, caso seja eleito presidente, respeitará a decisão do Congresso Nacional pelo fim da escala de trabalho 6×1 e não tentará reverter a medida. A declaração foi feita na sexta-feira, 16 de outubro de 2026, durante entrevista à TV Globo.

O posicionamento foi apresentado depois de uma mudança de postura do parlamentar em relação à proposta. Inicialmente contrário ao fim da escala, Flávio chegou a classificar a iniciativa como “eleitoreira” e “oportunista”. Posteriormente, declarou voto favorável e justificou a decisão dizendo que ouviu trabalhadores durante viagens pelo país.

“Eu votei conforme o que ouvi nas ruas”, afirmou o senador, segundo o Correio Braziliense. Ele argumentou que muitos dos trabalhadores com quem conversou defendiam a mudança na jornada.

Flávio descarta tentar reverter a decisão

Durante a entrevista, o candidato foi questionado sobre a possibilidade de aliados do PL retomarem propostas alternativas para modificar as regras de jornada de trabalho. Flávio descartou a intenção de contestar o fim da escala 6×1 caso assuma a Presidência.

“Da minha parte, nenhum questionamento com relação a isso”, declarou.

A afirmação busca esclarecer qual seria sua posição diante da decisão aprovada pelo Congresso. Flávio afirmou que respeitará a deliberação e sustentou que os direitos trabalhistas devem ser preservados.

A discussão ganhou importância durante a campanha presidencial, uma vez que a redução da jornada de trabalho se tornou um dos temas centrais do debate político e econômico. A proposta envolve questões como descanso semanal, remuneração, custos para empresas e possíveis impactos sobre a contratação de trabalhadores.

Mudança de posição ocorreu às vésperas da votação

A alteração no posicionamento de Flávio ocorreu poucos dias antes da votação da proposta no Senado. Em declarações anteriores, o parlamentar havia manifestado resistência ao modelo aprovado e defendido maior liberdade para que empregados e empregadores organizassem os horários de trabalho.

Em 14 de outubro, o Senado aprovou a proposta por 75 votos favoráveis e um contrário, registrado pelo senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Flávio votou favoravelmente de forma remota, enquanto participava de atividades de campanha.

Antes da votação, o candidato havia argumentado que a redução da jornada poderia elevar os custos das empresas e gerar dificuldades para determinados setores. Também defendeu que o governo deveria considerar os impactos econômicos da mudança.

Ao explicar sua decisão, porém, afirmou que levou em conta as manifestações dos trabalhadores que encontrou durante a campanha. Segundo ele, a maioria das pessoas com quem conversou apoiava o fim da escala 6×1.

A mudança de posição também provocou questionamentos de adversários e analistas políticos, especialmente porque a proposta estava em discussão durante o período eleitoral. Lula, defensor da medida, afirmou que a pressão da sociedade contribuiu para que setores da oposição passassem a apoiá-la.

Liberdade na jornada, creches e poder de compra

Mesmo depois de declarar apoio ao fim da escala 6×1, Flávio continuou defendendo maior flexibilidade na organização das jornadas. Na entrevista, citou a situação de mães que criam os filhos sozinhas e precisam conciliar as responsabilidades familiares com o trabalho.

Como parte de suas propostas, mencionou a ampliação da oferta de creches e a possibilidade de conceder vouchers para custear vagas na rede privada quando não houver disponibilidade na rede pública.

O candidato também afirmou que o fim da escala, isoladamente, não resolverá todos os problemas enfrentados pelos trabalhadores. Segundo ele, a recuperação do poder de compra e a melhoria da segurança pública precisam fazer parte das medidas voltadas à população.

“Todo mundo quer trabalhar menos e ganhar mais”, declarou.

A fala resume um dos desafios da discussão: reduzir o tempo de trabalho sem comprometer a renda dos empregados e sem ignorar os efeitos econômicos sobre empresas, especialmente as de menor porte.

Propostas alternativas continuam no debate

Apesar da declaração de que respeitará o fim da escala 6×1, o debate sobre a organização da jornada não está encerrado. Integrantes do PL já defenderam modelos alternativos que ampliariam a negociação entre patrões e empregados e permitiriam maior flexibilidade na distribuição das horas trabalhadas.

Uma dessas propostas, associada ao senador Rogério Marinho (PL-RN), prevê mudanças nas regras de jornada e remuneração proporcional às horas trabalhadas. Esse modelo é alvo de críticas de defensores da redução da jornada sem diminuição salarial, que alertam para o risco de perda de renda dos trabalhadores.

A diferença entre os modelos está justamente nas condições de aplicação: de um lado, a defesa de mais tempo de descanso com preservação dos direitos; de outro, a discussão sobre flexibilidade, custos empresariais e negociação das horas de trabalho.

Na entrevista, Flávio afirmou que não pretende questionar a decisão do Congresso caso seja eleito. A declaração, portanto, deve ser considerada em conjunto com suas manifestações anteriores sobre liberdade na jornada e com as propostas alternativas defendidas por integrantes de seu partido.

O que a declaração significa para os trabalhadores

A fala de Flávio estabelece um compromisso público de não tentar reverter o fim da escala 6×1 se chegar à Presidência. Ao mesmo tempo, deixa em aberto o debate sobre como a nova jornada será implementada, quais serão seus efeitos econômicos e quais medidas poderão ser adotadas para apoiar empresas e trabalhadores durante a transição.

Para os trabalhadores, os pontos centrais são a preservação dos salários, a garantia dos direitos, o acesso ao descanso semanal e a forma como as novas regras serão aplicadas em cada setor. Para os empregadores, a preocupação envolve custos, produtividade, necessidade de contratação e organização das escalas.

A declaração foi dada em meio à disputa eleitoral e representa uma mudança em relação à posição inicialmente manifestada pelo candidato. Flávio atribui a decisão à escuta dos trabalhadores; críticos apontam que o tema ganhou força política às vésperas da votação. O registro dessas duas perspectivas ajuda a compreender o contexto da discussão sem confundir a declaração do candidato com a avaliação de seus adversários.

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