TSE nega pedido para retirar vídeo que chama Flávio Bolsonaro de “mentiroso Master” e mantém publicação da campanha de Lula

TSE nega pedido para retirar vídeo que chama Flávio Bolsonaro de “mentiroso Master” e mantém publicação da campanha de Lula

Ministra Estela Aranha entendeu que expressão integra a crítica política eleitoral e não configura, por si só, afirmação factual falsa. Vídeo questiona declarações de Flávio sobre Nossa Senhora Aparecida e menciona o Banco Master.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou, neste sábado (17 de outubro de 2026), o pedido para retirar das redes sociais um vídeo publicado pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que chama o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de “mentiroso Master”.

A publicação foi divulgada em 26 de setembro no perfil “Brasil com Lula”, no Instagram, e reúne críticas às declarações do candidato do PL durante a campanha eleitoral. A decisão foi tomada pela ministra Estela Aranha, que considerou a expressão parte do embate político e entendeu que não ficou caracterizada uma afirmação categórica de fato falso nesse trecho do vídeo.

O conteúdo aborda a controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e questiona a credibilidade de Flávio em relação a outras declarações públicas. A peça também afirma que o candidato teria contado “43 mentiras” durante a campanha, sem apresentar, no próprio vídeo, a indicação de uma fonte para esse número.

O que diz a decisão

Ao analisar o caso, a ministra afirmou que a expressão “mentiroso Master”, embora contundente e depreciativa, deve ser compreendida no contexto da disputa eleitoral e das críticas dirigidas às declarações públicas do candidato.

Segundo a decisão, não basta que uma propaganda utilize palavras duras para que seja considerada irregular. É necessário avaliar se o conteúdo ultrapassa os limites da crítica política e apresenta uma imputação factual ilícita.

A decisão não representa uma confirmação judicial de que Flávio tenha mentido nas situações mencionadas. O TSE analisou o pedido de remoção e concluiu que, naquele caso, não havia fundamento suficiente para determinar a retirada do vídeo.

Controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida

Antes do primeiro turno, circulou nas redes sociais a alegação de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A atribuição do título é de natureza religiosa e está ligada à Igreja Católica, não sendo uma decisão que compete exclusivamente ao presidente da República.

Flávio negou que pretendesse retirar o título e chegou a erguer uma imagem da santa em um ato de campanha ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O vídeo da campanha de Lula mostra a negativa de Flávio sobre esse assunto, mas procura questionar sua credibilidade em relação a outras declarações, utilizando a expressão “mentiroso Master”.

O que a decisão significa para a campanha

A decisão mantém o vídeo disponível, mas não valida automaticamente todas as afirmações contidas nele. O julgamento se limitou à análise jurídica do pedido de remoção apresentado à Justiça Eleitoral.

O episódio evidencia a tensão entre dois princípios importantes nas eleições: a liberdade de expressão para criticar candidatos e a responsabilidade de não divulgar acusações factuais falsas ou sem fundamento.

Na prática, o TSE entendeu que a expressão questionada, considerada dentro do contexto da propaganda eleitoral, não justificava a retirada do material naquele processo.

A decisão reforça que a crítica política pode utilizar linguagem contundente, mas não estabelece autorização irrestrita para divulgar qualquer acusação. Cada publicação continua sujeita à análise de seu conteúdo, contexto e eventual violação das regras eleitorais.

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