
Flávio Bolsonaro afirma que Tereza Cristina aceitou convite para ser vice, mas decisão final depende do PP
Senador diz que ex-ministra concordou em integrar a chapa presidencial, enquanto Progressistas mantém posição de neutralidade e adia definição sobre eventual aliança para as eleições de 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta sexta-feira (31) que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) aceitou o convite para compor sua chapa como candidata à vice-presidência da República nas eleições de 2026. Segundo o pré-candidato do Partido Liberal, a formação da chapa, entretanto, ainda depende da aprovação do Progressistas (PP) e da Federação União Progressista, integrada pelo PP e pelo União Brasil.
A declaração foi dada antes de uma reunião política em São Paulo e ocorre em meio às negociações para a definição da composição da candidatura presidencial do PL.
Flávio elogia Tereza Cristina
Ao confirmar o convite, Flávio Bolsonaro destacou a trajetória política da senadora, que foi ministra da Agricultura durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo ele, Tereza Cristina reúne experiência política, reconhecimento nacional e forte influência junto ao agronegócio.
“Tereza Cristina é um quadro excepcional, foi ministra do presidente Bolsonaro, é uma referência em várias áreas, em especial no agro, respeitadíssima na política, dentro e fora do País. O convite foi feito, ela aceitou e agora estamos esperando para saber se o partido vai avançar ou não”, afirmou.
Senadora mantém cautela
Embora Flávio tenha afirmado que o convite foi aceito, Tereza Cristina adotou um discurso mais cauteloso nos últimos dias.
Após reunião com o senador, realizada na quarta-feira (29), a parlamentar confirmou que o tema foi discutido pela primeira vez, classificou o encontro como produtivo, mas ressaltou que nenhuma decisão definitiva havia sido tomada.
Segundo ela, qualquer composição dependeria de fatores políticos, pessoais e, principalmente, da deliberação das instâncias partidárias.
Nos bastidores, aliados afirmam que a senadora passou a admitir com maior disposição a possibilidade de integrar a chapa presidencial, representando uma mudança em relação às semanas anteriores, quando sua prioridade era disputar a presidência do Senado Federal.
PP resiste à aliança
Apesar da sinalização positiva de Tereza Cristina, a proposta enfrenta resistência dentro do Progressistas.
Dirigentes do partido afirmam que a posição predominante da Federação União Progressista continua sendo a neutralidade na eleição presidencial.
A avaliação de parte da direção nacional é que o partido deve preservar sua autonomia política e concentrar esforços nas disputas estaduais e legislativas.
Além disso, integrantes da legenda apontam dificuldades na relação entre Flávio Bolsonaro e o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI).
Relação entre Flávio e Ciro Nogueira
Nos bastidores, dirigentes afirmam que o relacionamento entre ambos se desgastou após os desdobramentos das investigações envolvendo o chamado caso Banco Master.
Segundo integrantes do PP, a cúpula partidária esperava uma manifestação pública de solidariedade de Flávio Bolsonaro quando Ciro Nogueira foi alvo de operação da Polícia Federal relacionada à investigação sobre supostas vantagens indevidas envolvendo o empresário Daniel Vorcaro.
A ausência desse gesto teria contribuído para aumentar o distanciamento político entre as lideranças.
Críticas à coordenação da pré-campanha
Outro fator apontado por integrantes do Progressistas diz respeito à condução da pré-campanha presidencial do PL.
Dirigentes afirmam que o senador Rogério Marinho (PL-RN) concentrou grande parte das decisões estratégicas, reduzindo a participação de outras lideranças políticas e dificultando negociações com partidos aliados nos estados.
Avaliação semelhante também é compartilhada por parte de integrantes do próprio Partido Liberal.
Segundo interlocutores da legenda, Rogério Marinho possui reconhecida capacidade de articulação política, mas sua atuação excessivamente centralizada teria limitado o diálogo com possíveis aliados.
União Brasil também deve manter neutralidade
Mesmo que o Progressistas venha a rever sua posição, uma eventual aliança dependerá igualmente do União Brasil, já que ambas as legendas integram oficialmente a Federação União Progressista e precisam adotar a mesma orientação na eleição presidencial.
Até o momento, dirigentes do União Brasil também demonstram preferência pela neutralidade, argumentando que uma aproximação com a candidatura de Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades políticas e eleitorais.
Estratégia eleitoral do PL
A escolha do candidato a vice tornou-se uma das principais prioridades da campanha do Partido Liberal.
Tereza Cristina é considerada uma das opções mais valorizadas pela direção do PL por reunir atributos considerados estratégicos para ampliar o alcance eleitoral da candidatura.
Entre os fatores destacados por aliados estão:
- forte representatividade junto ao agronegócio;
- boa interlocução com o setor produtivo;
- experiência administrativa como ex-ministra da Agricultura;
- capacidade de ampliar o diálogo com o eleitorado feminino e com partidos de centro.
Enquanto as negociações continuam, o PL mantém conversas com outras legendas em busca de uma composição que fortaleça a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro antes do prazo final para o registro das chapas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).