
Flávio Bolsonaro critica Lula após crise diplomática com o Paraguai e volta a relacionar governo ao tarifaço dos EUA
Senador afirma que presidente ampliou tensões com o país vizinho após declaração sobre a Guerra do Paraguai, critica a condução da política externa e reafirma propostas para educação durante transmissão nas redes sociais
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026, fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao comentar a recente crise diplomática entre Brasil e Paraguai. Durante uma transmissão ao vivo em seu canal no YouTube, realizada na quinta-feira (30), o parlamentar afirmou que o governo federal estaria ampliando desgastes nas relações internacionais e voltou a contestar a narrativa de que a família Bolsonaro teria responsabilidade pelas medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil.
Declaração sobre o Paraguai
Ao abordar o tema, Flávio Bolsonaro afirmou que Lula estaria criando conflitos diplomáticos desnecessários, fazendo referência à reação do governo paraguaio após declarações do presidente brasileiro sobre a Guerra do Paraguai.
“O presidente está conseguindo brigar até com o Paraguai agora. E como tem otário que acredita que a culpa é de Bolsonaro das tarifas? Tem que ser muito otário”, declarou o senador.
A fala ocorreu dias após Lula defender investimentos nas Forças Armadas e mencionar episódios históricos envolvendo a Guerra do Paraguai (1864–1870). Na ocasião, o presidente afirmou que, em determinado momento da história, o Paraguai invadiu territórios do Brasil, da Argentina e do Uruguai, comentário que provocou forte reação em Assunção.
Reação do governo paraguaio
Após a repercussão das declarações de Lula, o governo do presidente Santiago Peña convocou o embaixador brasileiro no Paraguai, José Antônio Marcondes de Carvalho, para prestar esclarecimentos e entregar uma nota diplomática oficial.
O Ministério das Relações Exteriores do Paraguai informou que a medida foi adotada em razão da insatisfação com as declarações do presidente brasileiro, consideradas inadequadas pelas autoridades paraguaias.
O episódio elevou a tensão diplomática entre os dois países e motivou conversas entre os chefes de Estado para tratar da crise.
Críticas sobre as tarifas dos Estados Unidos
Durante a mesma transmissão, Flávio Bolsonaro voltou a comentar as sanções e medidas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil.
O senador contestou declarações de integrantes do governo federal que atribuem à atuação da oposição parte da deterioração das relações com Washington.
Segundo o parlamentar, a responsabilidade pelas dificuldades diplomáticas seria da atual política externa conduzida pelo governo Lula.
Defesa de propostas para a educação
Além das críticas ao governo, Flávio Bolsonaro aproveitou a transmissão para apresentar propostas ligadas à área da educação, caso seja eleito presidente da República.
Entre as principais medidas defendidas pelo senador estão:
- retomada da implantação das escolas cívico-militares;
- fortalecimento da disciplina e da gestão compartilhada entre educadores e militares;
- criação de um novo programa de financiamento estudantil para o ensino superior.
Segundo o parlamentar, sua proposta prevê que estudantes somente iniciem o pagamento das mensalidades após conseguirem inserção no mercado de trabalho.
O modelo apresentado possui características semelhantes ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), embora o senador afirme que pretende promover ajustes no formato atualmente existente.
Cenário eleitoral
As declarações ocorrem em meio ao início da campanha para as eleições presidenciais de 2026, período em que os principais pré-candidatos intensificam agendas públicas, entrevistas e apresentações de propostas.
Flávio Bolsonaro tem concentrado parte de seus discursos em críticas à política externa, à condução da economia e à atuação do governo federal, enquanto busca consolidar alianças partidárias e definir a composição de sua chapa presidencial.
Ao mesmo tempo, o cenário político permanece marcado por debates sobre relações internacionais, economia, segurança pública e educação, temas que devem ocupar posição central durante a campanha eleitoral.