
Flávio Bolsonaro culpa Lula por ameaça de tarifa dos EUA e diz que foi aos Estados Unidos negociar para evitar prejuízos ao Brasil
Senador afirma que buscou diálogo com autoridades norte-americanas para impedir a adoção de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, critica a política externa do governo Lula e defende o cancelamento das medidas antes da decisão do governo Trump.
Às vésperas da decisão do governo dos Estados Unidos sobre a possível imposição de uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) voltou a responsabilizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo agravamento das relações diplomáticas entre Brasília e Washington.
Em publicação feita nas redes sociais nesta quarta-feira (15), Flávio afirmou que o governo petista adotou uma postura de confronto com os Estados Unidos ao longo dos últimos anos e sustentou que sua atuação teve objetivo oposto. Segundo ele, enquanto Lula “atacou e provocou os EUA o tempo todo”, ele viajou ao país para dialogar diretamente com autoridades e representantes norte-americanos na tentativa de impedir a adoção das tarifas.
“O presidente Lula atacou e provocou os Estados Unidos durante todo esse período. Eu fiz o contrário: fui negociar. Bati em todas as portas, conversei com quem tinha que conversar. Os interesses do Brasil sempre vêm em primeiro lugar”, declarou o senador.
Viagem aos Estados Unidos
A manifestação ocorre após Flávio Bolsonaro participar de uma audiência pública nos Estados Unidos para discutir os impactos das possíveis sanções comerciais sobre produtos brasileiros.
Durante o encontro, o parlamentar defendeu inicialmente que a aplicação das tarifas fosse adiada para depois das eleições presidenciais brasileiras, previstas para outubro. Segundo ele, uma decisão imediata poderia produzir efeitos políticos internos e beneficiar eleitoralmente o atual presidente.
Na ocasião, Flávio argumentou que uma eventual taxação seria difícil de ser revertida futuramente e afirmou que o cenário político brasileiro poderá ser completamente diferente após a realização das eleições.
“O Brasil realizará eleições presidenciais em outubro. Em apenas 90 dias, o cenário político poderá mudar completamente. Aplicar agora uma tarifa que depois será difícil retirar acabaria recompensando justamente aqueles responsáveis pela atual situação”, afirmou durante a audiência.
Mudança de posicionamento
Após a repercussão da declaração, Flávio Bolsonaro esclareceu que sua posição oficial não é pelo adiamento, mas pelo cancelamento definitivo das tarifas.
Em conversa com jornalistas, o senador afirmou que não deseja qualquer aumento de impostos sobre produtos brasileiros e voltou a responsabilizar o governo federal pela deterioração da relação bilateral.
“Eu quero o cancelamento da tarifa. Não quero tarifa para o Brasil. Quem quer essa tarifa é o Lula. Estamos usando argumentos políticos para convencer as autoridades americanas de que a medida não deve ser aplicada”, declarou.
Segundo o parlamentar, sua intenção é preservar a competitividade das exportações brasileiras e evitar prejuízos à economia nacional.
Críticas à política externa
Ao longo das últimas semanas, Flávio Bolsonaro intensificou as críticas à condução da política externa do governo Lula, afirmando que declarações do presidente e posicionamentos diplomáticos do Brasil provocaram desgaste junto ao governo norte-americano.
Na avaliação do senador, o relacionamento entre os dois países poderia ser mais estável caso o governo brasileiro adotasse uma postura de maior aproximação institucional com Washington.
Declarações de Eduardo Bolsonaro
O debate sobre as tarifas também ganhou repercussão após manifestações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL).
Em julho de 2025, após o então anúncio de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, Eduardo agradeceu publicamente ao presidente norte-americano Donald Trump por meio da rede Truth Social.
Na ocasião, afirmou esperar que as autoridades brasileiras passassem a tratar a relação com os Estados Unidos com maior seriedade e declarou que o Brasil não poderia seguir caminhos semelhantes aos de Venezuela, Cuba ou Nicarágua.
Dias depois, durante comentários sobre a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil, Eduardo Bolsonaro voltou a gerar repercussão ao afirmar que, caso houvesse um cenário de “terra arrasada”, ao menos sentiria que estaria “vingado”, declaração que provocou críticas de adversários políticos.
Decisão aguardada
O governo dos Estados Unidos deverá anunciar sua decisão sobre a adoção ou não das tarifas comerciais nesta quarta-feira. A medida poderá atingir diversos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.
Caso sejam implementadas, as tarifas poderão aumentar os custos das exportações brasileiras, afetando empresas de diferentes setores e ampliando as discussões diplomáticas e econômicas entre os dois países.
Enquanto o governo federal trabalha para evitar a adoção das medidas por meio de negociações diplomáticas, integrantes da oposição defendem que a deterioração das relações bilaterais decorre da atual condução da política externa brasileira, enquanto aliados do Palácio do Planalto atribuem a ameaça tarifária a fatores políticos e comerciais ligados ao governo norte-americano.