
Médico é preso com armas e carro equipado com sirene na Avenida Paulista após alegar ser assessor parlamentar
Homem de 69 anos foi abordado pela Guarda Civil Metropolitana dirigindo um veículo de luxo com dispositivos luminosos e sirene ligados. Durante a abordagem, afirmou ser assessor de deputados estaduais, apresentou distintivo do Legislativo paulista e portava duas armas de fogo. Polícia investiga possível simulação de função pública e porte ilegal de armamento.
Um médico identificado como Douglas Ramos, de 69 anos, foi preso em flagrante na noite de segunda-feira (13), na Avenida Paulista, região central da capital paulista, após ser abordado por agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) conduzindo um veículo de luxo equipado com sirene e dispositivos luminosos semelhantes aos utilizados por viaturas policiais.
Segundo o Boletim de Ocorrência registrado no 78º Distrito Policial (Jardins), os guardas realizavam patrulhamento preventivo quando perceberam um Mercedes-Benz GLC 250 trafegando com giroflex e sirene acionados. O veículo possuía equipamentos luminosos instalados no para-brisa dianteiro, no vidro traseiro e também no para-choque dianteiro.
A princípio, os agentes suspeitaram que pudesse se tratar de uma viatura descaracterizada pertencente a alguma força de segurança. No entanto, por se tratar de um automóvel de luxo e diante das características incomuns do veículo, decidiram realizar a abordagem.
Alegação de cargo parlamentar
Durante a abordagem, conforme consta no boletim policial, Douglas Ramos afirmou inicialmente ser assessor parlamentar, apresentando um distintivo do Poder Legislativo do Estado de São Paulo.
Ainda de acordo com o registro da ocorrência, ele declarou aos agentes ser assessor do deputado estadual Capitão Telhada (PP) e também do ex-deputado estadual Coronel Telhada, pai do parlamentar. O médico também afirmou ser amigo do comandante-geral da Polícia Militar.
No entanto, segundo a Polícia Civil, a informação apresentada inicialmente não foi confirmada.
Posteriormente, ao prestar depoimento à autoridade policial, Douglas Ramos mudou sua versão e afirmou que não exercia função de assessor parlamentar, apresentando-se apenas como médico neurocirurgião especializado em traumas de guerra.
Ele declarou ainda que estava atrasado para uma reunião de trabalho e que, por esse motivo, conduzia o veículo de forma acelerada.
Duas armas foram encontradas
Durante a revista pessoal e veicular, os agentes localizaram uma pistola calibre 9 milímetros, considerada arma de uso restrito, que estava na cintura do médico.
No interior do automóvel foi encontrado ainda um revólver calibre .357, além de dezenas de munições.
Douglas Ramos informou ser Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), porém, segundo a ocorrência, apresentou apenas registros das armas e não exibiu a documentação necessária para justificar o porte e o transporte do armamento nas circunstâncias da abordagem.
As armas, munições, o veículo e o distintivo apresentado foram apreendidos pelas autoridades.
Sirene e equipamentos semelhantes aos de viaturas
Além das armas, chamou a atenção dos agentes o fato de o Mercedes estar equipado com sirene e diversos dispositivos luminosos semelhantes aos utilizados por viaturas policiais descaracterizadas.
Segundo os guardas municipais, o conjunto de equipamentos poderia induzir terceiros a acreditar que o veículo integrava alguma corporação policial ou órgão oficial.
Esse aspecto passou a integrar a investigação, que apura eventual utilização indevida de equipamentos privativos de órgãos de segurança pública.
Crimes investigados
O caso foi registrado pela Polícia Civil como:
- Porte ilegal de arma de fogo de uso restrito;
- Posse irregular de armamento, conforme análise da documentação apresentada;
- Simulação da qualidade de funcionário público (falsa atribuição de função pública);
- Localização e apreensão do veículo utilizado.
A investigação também deverá analisar a procedência do distintivo apresentado pelo médico e se houve eventual uso indevido da identificação parlamentar.
Deputados foram procurados
Após a divulgação do caso, a imprensa procurou o deputado estadual Capitão Telhada, o ex-deputado Coronel Telhada e a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) para esclarecer a afirmação feita pelo médico de que atuaria como assessor parlamentar.
Até o momento das reportagens, não havia manifestação pública das partes sobre a declaração apresentada pelo investigado durante a abordagem.
Investigação continua
A Polícia Civil dará continuidade às investigações para esclarecer:
- a origem e a regularidade dos equipamentos instalados no veículo;
- a legalidade do porte e transporte das armas;
- a autenticidade do distintivo apresentado;
- se houve utilização indevida da condição de assessor parlamentar;
- e eventual prática de outros delitos relacionados à simulação de função pública.
O material apreendido será submetido à perícia, enquanto os depoimentos e a documentação recolhida serão analisados para subsidiar o inquérito policial instaurado sobre o caso.