FLÁVIO BOLSONARO DISCURSA EM MAR-A-LAGO, DIVIDE PALCO COM JIM CAVIEZEL E REAFIRMA: “AINDA NÃO FOI O FIM”

FLÁVIO BOLSONARO DISCURSA EM MAR-A-LAGO, DIVIDE PALCO COM JIM CAVIEZEL E REAFIRMA: “AINDA NÃO FOI O FIM”

Senador participa de encontro internacional da CPAC na propriedade de Donald Trump, na Flórida, ao lado do ator que interpretará Jair Bolsonaro no filme Dark Horse. Em discurso dirigido ao Brasil e aos Estados Unidos, Flávio sinaliza que continuará atuando politicamente e reforça sua aproximação com o movimento conservador internacional.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou, na quinta-feira, 5 de novembro, de um jantar de gala da Conferência de Ação Política Conservadora, a CPAC, realizado em Mar-a-Lago, propriedade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Palm Beach, na Flórida. O parlamentar discursou durante o encontro e dividiu a programação com o ator norte-americano Jim Caviezel, escolhido para interpretar o ex-presidente Jair Bolsonaro na cinebiografia Dark Horse.

A participação de Flávio representa mais um movimento de aproximação com lideranças e representantes do conservadorismo internacional. O evento reuniu políticos, empresários, ativistas e integrantes de organizações conservadoras de diferentes países. A conferência começou no dia 4 e tem programação prevista até sábado, 7 de novembro.

O jantar de gala estava marcado para as 18h no horário local, 20h em Brasília, no Salão Donald J. Trump. A organização não divulgou antecipadamente o horário exato do discurso do senador. A presença de Donald Trump também não estava confirmada.

“Ainda não foi o fim”: a mensagem de Flávio

Em sua manifestação, Flávio falou sobre o cenário político brasileiro e norte-americano e procurou transmitir uma mensagem de continuidade aos apoiadores. Mesmo depois do resultado eleitoral no Brasil e da derrota do movimento republicano nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, o senador afirmou que os acontecimentos recentes não representam o encerramento de um projeto político.

“Grandes coisas estão por vir e eu sei que não foi o fim para o Brasil e eu sei que não foi o fim para a América. Do que eu tenho a falar para os meus irmãos brasileiros é que ainda não chegou o fim, muita coisa pode acontecer”, declarou.

Em outro trecho, o parlamentar recorreu à fé para falar sobre o futuro e afirmou que, mesmo quando o desfecho não acontece como esperado, é necessário agradecer a Deus e manter a esperança.

A mensagem foi direcionada não apenas aos brasileiros, mas também aos conservadores norte-americanos. Flávio procurou demonstrar que a derrota nas urnas não significa, necessariamente, o fim de sua atuação política ou da influência do bolsonarismo.

A fala também ocorreu em um momento delicado para o Partido Republicano. Nas eleições de meio de mandato, o partido de Trump sofreu um revés político, perdendo espaço no Congresso norte-americano. Flávio, entretanto, aproveitou a oportunidade para transmitir uma mensagem de resistência e continuidade.

Jim Caviezel, o ator que interpretará Jair Bolsonaro

Um dos momentos de maior repercussão foi o encontro entre Flávio e Jim Caviezel, ator norte-americano de 57 anos que interpretará Jair Bolsonaro em Dark Horse, produção cinematográfica sobre a trajetória política do ex-presidente brasileiro.

O encontro aconteceu em Mar-a-Lago e foi registrado por Eduardo Bolsonaro, irmão do senador e ex-deputado federal. Eduardo publicou o vídeo nas redes sociais, mostrando Flávio cumprimentando o ator.

Na legenda, escreveu: “Agora mesmo, em Mar-a-Lago, Flávio Bolsonaro, livre, encontra o ator Jim Caviezel”.

Caviezel ganhou reconhecimento internacional ao interpretar Jesus Cristo em A Paixão de Cristo, filme lançado em 2004 e dirigido por Mel Gibson. Também protagonizou Som da Liberdade, de 2023, produção que alcançou grande repercussão entre grupos conservadores e abordou o tráfico de crianças.

A escolha do ator para interpretar Jair Bolsonaro deu projeção internacional ao projeto cinematográfico. A presença de Caviezel na CPAC e seu encontro com Flávio aproximaram dois assuntos que já despertam interesse entre apoiadores do ex-presidente: a produção do filme e a articulação política do bolsonarismo no exterior.

Eduardo Bolsonaro também participa da articulação

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro também aparece entre os participantes e palestrantes anunciados pela CPAC. Ele tem atuado na articulação internacional do movimento conservador brasileiro e mantém residência nos Estados Unidos desde 2025.

A participação dos irmãos no evento demonstra a intenção de preservar canais de diálogo com representantes da direita norte-americana e de outros países.

A própria CPAC divulgou os nomes de Flávio e Eduardo em sua programação. A organização é conhecida por reunir lideranças conservadoras e promover debates sobre liberdade econômica, imigração, segurança, religião, políticas públicas e o combate ao socialismo e ao comunismo.

O encontro de Mar-a-Lago também foi apresentado como uma oportunidade de aproximação entre lideranças internacionais. Não se trata apenas de uma reunião social: a CPAC funciona como espaço de articulação, divulgação de ideias e construção de relações políticas.

O encontro acontece após a saída de Flávio do Brasil

A participação do senador nos Estados Unidos ocorre pouco mais de uma semana depois de sua saída do Brasil, em 27 de outubro. Flávio chegou a Miami no dia seguinte, acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas.

A viagem aconteceu dois dias depois do segundo turno da eleição presidencial, vencido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O episódio ganhou repercussão porque Flávio não entregou os passaportes comum e diplomático, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

O senador passou a ser alvo de críticas de adversários políticos, enquanto seus apoiadores questionaram a condução das medidas judiciais e defenderam o direito de sua defesa.

Em 31 de outubro, Donald Trump foi questionado por jornalistas em Mar-a-Lago sobre a possibilidade de se reunir com Flávio. O presidente norte-americano respondeu que não tinha planos de encontro, mas declarou: “Ele pode ficar aqui o tempo que quiser”. Na mesma ocasião, Trump também criticou o processo eleitoral brasileiro, classificando a eleição como uma “vergonha”.

Já o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que o governo dos Estados Unidos não participou da saída do senador do Brasil.

É importante registrar que a presença de Flávio em Mar-a-Lago não significa, por si só, que tenha ocorrido uma reunião particular com Trump. O encontro com o presidente norte-americano não foi confirmado.

O caso Dark Horse e a investigação sobre Daniel Vorcaro

A produção do filme Dark Horse também está no centro de uma investigação da Polícia Federal relacionada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.

Segundo informações divulgadas sobre a investigação, Vorcaro teria negociado o aporte de aproximadamente R$ 134 milhões para financiar a produção. Desse montante, cerca de R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados, conforme os valores mencionados em reportagens sobre o caso.

Flávio confirmou que buscou investidores para viabilizar o filme e reconheceu a negociação com Vorcaro. Entretanto, nega ter cometido irregularidades e sustenta que a captação de recursos tinha finalidade privada e relacionada à produção cinematográfica.

A Polícia Federal investiga a origem e o destino dos valores, incluindo a possibilidade de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Essas são hipóteses investigativas, não crimes definitivamente comprovados contra Flávio. O senador nega as acusações.

O caso ganhou ainda mais repercussão porque o filme retrata Jair Bolsonaro e conta com um ator conhecido internacionalmente no papel principal. A investigação procura esclarecer se os recursos foram efetivamente utilizados na produção ou se tiveram outra destinação.

A CPAC e o custo para participar do evento

A conferência realizada em Mar-a-Lago também chamou atenção pelo formato de gala e pelos valores dos pacotes oferecidos aos participantes.

Reportagem do BP Money informou que os ingressos começavam em US$ 2,5 mil, aproximadamente R$ 13,2 mil na conversão divulgada, e chegavam a US$ 25 mil nos pacotes mais completos.

As modalidades ofereciam diferentes níveis de acesso, incluindo jantar, atividades de relacionamento, encontros com palestrantes e eventos exclusivos. O pacote mais caro, chamado Co-Host, incluía acesso ampliado à programação.

Esses valores dizem respeito aos pacotes comerciais disponibilizados pela organização e não comprovam quanto Flávio ou Eduardo pagaram, nem se os dois receberam algum tipo de credencial ou convite.

Flávio tenta manter o protagonismo político

A participação em Mar-a-Lago ocorre em um momento decisivo para o futuro político de Flávio Bolsonaro. Depois de disputar a Presidência da República e perder para Lula, o senador procura manter sua presença no debate nacional e fortalecer relações com lideranças conservadoras fora do país.

Sua mensagem na CPAC foi direta: a derrota eleitoral não representa o encerramento de sua trajetória. Ao dividir a programação com Jim Caviezel, encontrar representantes do movimento conservador e discursar em um dos ambientes mais conhecidos da direita norte-americana, Flávio buscou demonstrar que continua politicamente ativo.

É possível reconhecer o peso simbólico de sua participação sem ignorar os questionamentos que ainda precisam ser respondidos. As investigações sobre o filme e as circunstâncias de sua saída do Brasil continuam sendo assuntos relevantes. O senador tem o direito de apresentar sua defesa, assim como as autoridades têm o dever de investigar eventuais irregularidades com provas e respeito ao devido processo legal.

O ponto político mais importante do discurso, porém, foi a tentativa de transmitir que o projeto conservador brasileiro não termina com uma eleição. Flávio escolheu um palco internacional para reafirmar essa mensagem e mostrar que pretende continuar disputando espaço no cenário político.

“Ainda não chegou o fim” foi o recado de Flávio Bolsonaro em Mar-a-Lago. Para seus apoiadores, a participação representa resistência e continuidade. Para seus adversários, é mais um capítulo de uma disputa que ainda está longe de terminar. O fato é que o senador aproveitou a oportunidade para levar sua mensagem a um público internacional e manter seu nome em evidência.

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