
Flávio Bolsonaro diz usar colete à prova de balas por medo de atentado e relembra ataque sofrido por Jair Bolsonaro
Senador afirma que vive sob ameaça constante, reforça discurso de perseguição política e diz estar preparado para enfrentar “o ódio” durante a pré-campanha presidencial
O senador Flávio Bolsonaro voltou ao centro do debate político após revelar que passou a usar colete à prova de balas com frequência por medo de sofrer um atentado semelhante ao que atingiu seu pai, Jair Bolsonaro, durante a campanha presidencial de 2018.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar apareceu vestindo o equipamento de proteção por baixo de uma camisa da seleção brasileira — símbolo frequentemente associado ao eleitorado conservador e bolsonarista. O gesto foi interpretado por aliados como um recado direto de que a disputa eleitoral de 2026 deve continuar marcada por tensão política, polarização e clima de hostilidade.
Segundo Flávio, a decisão de utilizar o colete não é exagero, mas uma medida preventiva diante do que chamou de “ódio” e “desumanização” promovidos contra ele e sua família.
“Eles já tentaram fazer com meu pai e não conseguiram. Eu sei do que são capazes”, declarou o senador no vídeo que rapidamente repercutiu entre apoiadores e opositores.
A fala faz referência ao atentado a faca sofrido por Jair Bolsonaro durante um ato de campanha em Juiz de Fora, Minas Gerais, em setembro de 2018 — episódio que marcou profundamente a trajetória política da família Bolsonaro e passou a ser constantemente citado pelo grupo como símbolo de perseguição política e violência ideológica.
Discurso de resistência mobiliza base bolsonarista
Nos bastidores do PL, aliados avaliam que a exposição do uso do colete também funciona como estratégia de aproximação com a militância conservadora em um momento delicado para a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
O senador enfrenta desgaste após a divulgação de mensagens relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, investigado por supostas fraudes financeiras. Mesmo negando irregularidades, a crise aumentou a pressão sobre o núcleo político bolsonarista.
Diante desse cenário, Flávio tem intensificado discursos emocionais e de enfrentamento, buscando reforçar a imagem de alguém perseguido politicamente, assim como seu pai afirma ter sido ao longo dos últimos anos.
Durante a gravação, o senador afirmou que não pretende recuar:
“Acham que vão me intimidar, mas não vão. Estou preparado”, disse, enquanto batia no próprio braço e mencionava o “sangue Bolsonaro”.
Comparações bíblicas e narrativa de perseguição
Essa não foi a primeira vez que Flávio utilizou um discurso carregado de simbolismo religioso e político. Recentemente, o senador também se comparou ao profeta Elias, personagem bíblico conhecido por enfrentar perseguições e desafios em nome da fé.
A estratégia reforça uma narrativa já consolidada dentro do bolsonarismo: a de que o grupo estaria sendo alvo de ataques constantes por parte de adversários políticos, setores da imprensa e instituições.
Enquanto críticos enxergam exagero e tentativa de vitimização, apoiadores afirmam que o clima de radicalização política no Brasil justifica a preocupação do senador com a própria segurança.
Pré-campanha deve elevar tom da polarização
A declaração de Flávio Bolsonaro acontece em meio ao crescimento da tensão eleitoral para 2026. Pesquisas recentes mostram o senador consolidado entre os principais nomes da direita, disputando espaço diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Analistas políticos avaliam que episódios como esse tendem a aumentar ainda mais a polarização entre lulistas e bolsonaristas, especialmente nas redes sociais, onde o discurso emocional costuma gerar forte engajamento.
Ao apostar em mensagens de resistência, perseguição e segurança pessoal, Flávio tenta fortalecer sua conexão com a base conservadora e transformar ataques políticos em combustível eleitoral para a corrida presidencial.