
Moraes amplia pressão sobre Bolsonaro e filhos em nova frente de investigação ligada a Daniel Vorcaro
Decisão do ministro do STF reacende críticas sobre perseguição política, avanço do Judiciário e cerco contínuo contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro
O ministro Alexandre de Moraes voltou a colocar a família Bolsonaro no centro das investigações políticas em Brasília. Desta vez, Moraes encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido para apurar supostas ligações entre o senador Flávio Bolsonaro, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
A medida aumentou ainda mais a tensão política em torno do Supremo Tribunal Federal e reforçou críticas de setores conservadores, que enxergam uma perseguição sem fim contra adversários políticos ligados ao bolsonarismo.
O pedido foi apresentado pelo deputado Lindbergh Farias, do PT, dentro de uma ação que já investiga Eduardo Bolsonaro por suposta tentativa de coação em processos relacionados aos atos golpistas e às decisões envolvendo Jair Bolsonaro.
Caso envolve filme sobre Bolsonaro e recursos milionários
Segundo informações divulgadas, a investigação tenta descobrir se recursos destinados ao filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro, teriam sido utilizados de maneira irregular.
Reportagens apontam que Flávio Bolsonaro teria solicitado cerca de R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção cinematográfica. Parte desse valor, aproximadamente R$ 61 milhões, já teria sido repassada.
Agora, investigadores querem saber se parte desse dinheiro teria sido direcionada para custear atividades de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, incluindo despesas relacionadas à permanência do ex-deputado em território americano.
A Polícia Federal também estaria analisando conexões entre um fundo sediado no Texas e pessoas próximas ao núcleo bolsonarista.
Críticas a Moraes crescem entre aliados de Bolsonaro
A nova movimentação de Alexandre de Moraes provocou forte reação entre aliados do ex-presidente, que acusam o ministro de manter uma ofensiva permanente contra a direita brasileira.
Nos bastidores políticos, parlamentares ligados ao PL afirmam que Moraes teria transformado o STF em um “centro de perseguição política”, ampliando investigações sucessivas contra integrantes do bolsonarismo enquanto, segundo críticos, outros escândalos nacionais recebem tratamento diferente.
A atuação do ministro vem sendo alvo constante de questionamentos por parte de juristas, políticos conservadores e apoiadores de Jair Bolsonaro, principalmente após decisões envolvendo bloqueios de contas, investigações sobre redes sociais, apreensões e restrições contra parlamentares e influenciadores alinhados à direita.
Para opositores de Moraes, o avanço das investigações gera um ambiente de insegurança política e fortalece a percepção de que existe um cerco institucional permanente contra Bolsonaro e seus aliados.
PL tenta conter desgaste em meio à pré-campanha presidencial
O novo episódio surge justamente em um momento delicado para a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro em 2026.
Nos últimos dias, o senador já vinha enfrentando desgaste após vazamentos de mensagens envolvendo Daniel Vorcaro e discussões sobre financiamento do filme inspirado em Jair Bolsonaro.
Mesmo assim, aliados acreditam que a sucessão de investigações pode acabar fortalecendo o discurso de perseguição política utilizado pelo bolsonarismo desde 2018.
A avaliação dentro do PL é que parte do eleitorado conservador enxerga Alexandre de Moraes como símbolo do avanço do Judiciário sobre adversários políticos, o que pode aumentar ainda mais a mobilização da militância nas redes sociais e nas ruas.
Enquanto isso, a PGR terá cinco dias para se manifestar sobre o pedido encaminhado pelo ministro do STF.