
FMI afirma que Argentina vive cenário econômico mais sólido sob Javier Milei e descarta novo apoio financeiro
Kristalina Georgieva elogia avanços fiscais, queda da inflação e estabilidade macroeconômica durante visita oficial a Buenos Aires
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou nesta segunda-feira (27) que a Argentina vive uma situação econômica “mais saudável” desde a posse do presidente Javier Milei, destacando os resultados do programa de ajuste fiscal implementado pelo governo argentino. As declarações foram feitas durante visita oficial a Buenos Aires, onde a dirigente do Fundo participou de reuniões com autoridades econômicas e com o próprio presidente argentino.
Ao lado do ministro da Economia, Luis Caputo, Georgieva ressaltou que a economia argentina apresentou avanços importantes na estabilidade macroeconômica e financeira desde 2023, período marcado por reformas econômicas, controle das contas públicas e combate à inflação.
FMI destaca melhora dos indicadores econômicos
Durante entrevista coletiva, Kristalina Georgieva afirmou que a estabilidade fiscal e monetária conquistada pelo governo permitiu melhorar o desempenho geral da economia.
Entre os principais indicadores destacados pelo FMI estão:
- redução significativa da inflação;
- obtenção de superávit fiscal;
- melhora na percepção de risco da economia argentina;
- fortalecimento das reservas internacionais;
- maior confiança dos investidores.
Segundo a dirigente, setores estratégicos como petróleo, gás natural, mineração e agronegócio vêm impulsionando a recuperação econômica do país.
Apesar da avaliação positiva, Georgieva observou que a Argentina ainda enfrenta desafios importantes, especialmente na geração de empregos formais, recuperação do consumo das famílias e ampliação dos investimentos produtivos.
Relação entre Argentina e FMI é considerada excelente
O ministro da Economia, Luis Caputo, afirmou que a relação entre o governo argentino e o Fundo Monetário Internacional vive um dos melhores momentos dos últimos anos.
Segundo o ministro, existe cooperação permanente entre as equipes técnicas e alinhamento quanto às metas estabelecidas no acordo firmado entre as partes.
Durante o governo Milei, a Argentina assinou um novo programa de financiamento de aproximadamente US$ 20 bilhões junto ao FMI, destinado ao fortalecimento da economia e ao cumprimento de compromissos financeiros internacionais.
Após o encontro com Caputo, Kristalina Georgieva foi recebida pelo presidente Javier Milei na Casa Rosada, sede do governo argentino.
FMI descarta necessidade de novos empréstimos
Questionada sobre a situação financeira da Argentina, Georgieva afirmou que o país possui condições de cumprir os compromissos assumidos no acordo vigente.
Segundo a diretora do Fundo, neste momento não existe necessidade de um novo pacote de ajuda financeira.
Ela também incentivou o governo argentino a continuar fortalecendo as reservas internacionais do Banco Central.
“Continuem comprando dólares”, declarou Georgieva ao comentar a estratégia adotada pelas autoridades monetárias.
Atualmente, as reservas internacionais argentinas giram em torno de US$ 49 bilhões, segundo dados oficiais.
Reforma do Banco Central está entre as prioridades
Outro tema discutido durante a visita foi a proposta de reforma do Banco Central da República Argentina, considerada uma das principais promessas econômicas do governo Milei.
O projeto pretende:
- reforçar a autonomia da autoridade monetária;
- impedir o financiamento direto do governo pelo Banco Central;
- estabelecer como principal missão da instituição a preservação do valor da moeda;
- ampliar mecanismos de proteção institucional para seus dirigentes.
O FMI manifestou apoio às mudanças e avaliou positivamente a intenção do governo de fortalecer a política monetária.
Economia apresenta avanços e desafios
Embora a inflação tenha apresentado forte desaceleração — atingindo 33,5% ao ano em junho, o menor nível em vários meses — outros indicadores ainda preocupam economistas.
Entre eles estão:
- crescimento econômico ainda moderado;
- consumo interno enfraquecido;
- aumento da inadimplência das famílias;
- elevado endividamento do setor privado.
Dados do Banco Central argentino apontam que a inadimplência bancária das famílias alcançou 12,8%, o maior patamar registrado em cerca de duas décadas.
Mesmo diante desses desafios, o FMI projeta crescimento econômico de aproximadamente 3,5% em 2026 e 4% em 2027.
Protestos durante a visita
A visita de Kristalina Georgieva também foi marcada por manifestações em Buenos Aires.
Grupos de movimentos sociais e sindicatos realizaram protestos em frente ao Ministério da Economia, criticando as políticas de austeridade fiscal e a presença do Fundo Monetário Internacional no país.
Faixas exibidas pelos manifestantes pediam a saída do FMI da Argentina e faziam referência à soberania nacional e à questão das Ilhas Malvinas.
Próximos compromissos
Após concluir sua agenda oficial na Argentina, Kristalina Georgieva seguirá para o Uruguai, onde deverá se reunir com o presidente Yamandú Orsi para discutir temas relacionados à cooperação econômica regional e ao cenário financeiro da América do Sul.
A visita integra a agenda do FMI de acompanhamento dos programas econômicos implementados na região e ocorre em um momento de intensas transformações na política econômica argentina, marcada por reformas estruturais, forte ajuste fiscal e negociações permanentes com organismos internacionais.