
Nunes Marques defende mais transparência nas pesquisas eleitorais e propõe novas exigências ao TSE
Presidente do Tribunal Superior Eleitoral quer ampliar o acesso público a informações sobre institutos, financiadores e metodologia das pesquisas realizadas durante as eleições de 2026
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, anunciou que pretende ampliar os mecanismos de transparência relacionados às pesquisas eleitorais registradas para as eleições de 2026. A proposta prevê mudanças no sistema de cadastramento dos levantamentos, com a inclusão de informações mais detalhadas sobre metodologia, financiamento e histórico dos institutos responsáveis.
A iniciativa faz parte de um conjunto de medidas que o tribunal discute para aperfeiçoar as regras eleitorais e aumentar a confiança pública nos dados divulgados durante o período de campanha.
Mais informações disponíveis ao eleitor
Entre as mudanças estudadas pelo TSE está a obrigatoriedade de os institutos informarem, de maneira clara e acessível:
- Quem financiou a pesquisa;
- Em quais cidades ou regiões o levantamento foi realizado;
- A faixa etária dos entrevistados;
- A metodologia empregada;
- O período de coleta dos dados;
- A data da primeira pesquisa realizada pelo instituto.
Segundo a proposta defendida por Nunes Marques, essas informações deverão ficar disponíveis diretamente no portal do TSE, permitindo que qualquer cidadão consulte os dados sem necessidade de solicitações específicas ao tribunal.
Atualmente, parte dessas informações já é pública, porém alguns detalhes só podem ser acessados mediante requerimento formal.
Fiscalização dos institutos
Uma das preocupações do tribunal é identificar empresas que atuam apenas durante o período eleitoral. De acordo com fontes ligadas à Justiça Eleitoral, alguns institutos surgem temporariamente, realizam pesquisas por encomenda durante a campanha e encerram as atividades logo após as eleições.
A exigência de informar a data da primeira pesquisa realizada busca justamente oferecer maior rastreabilidade e histórico de atuação dessas empresas.
A medida poderá facilitar a análise da experiência dos institutos e ampliar o controle sobre os levantamentos divulgados ao eleitorado.
Debate sobre uso de vídeos e áudios nas pesquisas
Outro tema que deve ser analisado pelo plenário do TSE é a utilização de recursos audiovisuais durante a aplicação das pesquisas eleitorais.
A discussão ganhou força após a decisão de Nunes Marques de suspender uma pesquisa que indicava mudanças no cenário da disputa presidencial. Na avaliação do ministro, determinados recursos visuais poderiam influenciar ou induzir respostas dos entrevistados.
O assunto será analisado pelos demais ministros da Corte, que deverão definir regras específicas para o uso de vídeos, áudios e imagens durante os levantamentos.
Uma das hipóteses em discussão é permitir esses recursos apenas após a realização da chamada pesquisa espontânea — etapa em que o eleitor responde sem receber estímulos visuais ou nomes previamente apresentados.
Reuniões e próximos passos
Com o retorno das atividades do TSE, previsto para o início de agosto, Nunes Marques deverá reunir os ministros da Corte para aprofundar o debate sobre as novas regras.
O tribunal também ouviu representantes de institutos de pesquisa ao longo do mês de julho, buscando reunir informações técnicas para subsidiar as futuras decisões.
A expectativa é que as propostas sejam analisadas pelo plenário nas próximas semanas e possam resultar em mudanças nas normas que regulamentam as pesquisas eleitorais das eleições de 2026.
Partes envolvidas
Tribunal Superior Eleitoral (TSE): responsável pela regulamentação e fiscalização das pesquisas eleitorais.
Ministro Kassio Nunes Marques: presidente do TSE e defensor das medidas de ampliação da transparência.
Institutos de pesquisa: empresas responsáveis pela realização dos levantamentos eleitorais.
Eleitores e partidos políticos: principais interessados no acesso a informações mais detalhadas sobre metodologia e financiamento das pesquisas.
As discussões no TSE ocorrem em meio ao início do calendário eleitoral de 2026 e refletem a busca da Justiça Eleitoral por maior clareza, controle e confiabilidade na divulgação dos levantamentos que influenciam o debate público durante as campanhas.