Fux dispara contra a PF: “Nunca se imaginou a Polícia Federal peitar um ministro do STF”

Fux dispara contra a PF: “Nunca se imaginou a Polícia Federal peitar um ministro do STF”

Luiz Fux critica atuação da Polícia Federal durante sessão sobre Moraes e Daniel Vorcaro; André Mendonça afirma que existe uma “PF paralela” com monitoramento de ministros

A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, ganhou mais um capítulo explosivo. Enquanto os ministros discutiam o caso envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, o ministro Luiz Fux fez duras críticas à atuação da Polícia Federal e afirmou que nunca havia presenciado a instituição “peitar” um ministro do Supremo.

A declaração ocorreu durante o debate sobre relatórios produzidos pela PF e sobre o afastamento do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça.

“Nunca se imaginou a PF peitar um ministro do STF”

Fux afirmou que a Polícia Federal sempre atuou em colaboração com o Judiciário, mas sustentou que a situação teria mudado.

Segundo o ministro, não seria aceitável que a PF passasse a atuar contra o próprio Poder Judiciário.

A frase que ganhou destaque foi:

“Nunca se imaginou a Polícia Federal peitar um ministro do Supremo Tribunal Federal.”

Fux classificou a situação como uma “anomalia” e afirmou que seria necessário tomar uma posição para impedir que esse tipo de atuação continuasse.

O ministro também relembrou um episódio envolvendo Gilmar Mendes, ocorrido em 2008, quando o então presidente do STF havia procurado o governo para pedir a saída do diretor da Polícia Federal Paulo Lacerda, em meio à crise provocada por um suposto monitoramento telefônico.

Gilmar confirmou durante a sessão que havia feito o pedido na ocasião.

Mendonça fala em “PF paralela”

André Mendonça reforçou a crítica de Fux e elevou ainda mais o tom.

O ministro afirmou:

“Temos hoje uma PF paralela, com monitoramento de ministros.”

A declaração se refere à suspeita levantada por Mendonça de que determinados integrantes da Polícia Federal teriam produzido ou encaminhado relatórios fora dos canais regulares da instituição para acompanhar integrantes do Supremo.

Para Mendonça, o problema não estaria na Polícia Federal como instituição, mas na eventual existência de grupos ou procedimentos que funcionariam de maneira paralela aos canais oficiais.

Essa distinção é importante: as declarações de Fux e Mendonça representam uma acusação e uma avaliação feita no plenário, e não uma conclusão definitiva de que exista uma estrutura clandestina dentro da PF.

O confronto com Gilmar Mendes

O episódio também colocou Fux frente a frente com Gilmar Mendes.

Gilmar havia criticado a decisão de Mendonça de afastar cautelarmente o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, argumentando que a medida poderia desestruturar a corporação.

Fux respondeu lembrando justamente o episódio de 2008 envolvendo Gilmar e Paulo Lacerda.

A troca deixou evidente que a discussão havia ultrapassado a análise técnica do processo e entrado no campo das próprias posições históricas dos ministros em relação à Polícia Federal.

Andrei Rodrigues no centro da disputa

O nome de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, tornou-se uma das peças importantes da crise.

Mendonça havia determinado seu afastamento após informações relacionadas a relatórios de inteligência produzidos dentro da PF.

A decisão provocou reação de outros ministros, especialmente Gilmar Mendes.

O caso acabou sendo conectado à investigação sobre informações encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que também envolve referências a integrantes do STF e pessoas próximas a ministros.

E onde entra Alexandre de Moraes?

Toda essa discussão ocorreu dentro de uma sessão que analisava a possibilidade de abertura de investigação envolvendo Alexandre de Moraes e sua relação com Daniel Vorcaro.

O relatório produzido a partir do material investigado pela PF tornou-se um dos pontos centrais da disputa.

Moraes sustenta que a investigação conduzida por Mendonça é ilegal e questiona a validade das diligências.

Mendonça, por sua vez, afirma que agiu para esclarecer informações relevantes e proteger a regularidade das atividades de polícia judiciária.

Nesse cenário, a Polícia Federal acabou colocada no centro de uma disputa institucional entre ministros.

Crítica: PF deve investigar, mas dentro da lei

A discussão exige equilíbrio.

A Polícia Federal possui papel fundamental na investigação de crimes e deve ter autonomia técnica para cumprir suas atribuições.

Mas autonomia não significa ausência de controle.

Se existirem relatórios produzidos fora dos procedimentos oficiais, monitoramentos indevidos ou utilização de informações policiais para atingir autoridades, isso precisa ser investigado e comprovado.

Da mesma maneira, se os procedimentos da PF forem regulares, devem ser preservados contra acusações genéricas.

A expressão “PF paralela” é extremamente grave. Por isso, precisa ser acompanhada de documentos, identificação dos responsáveis, cadeia de produção dos relatórios e explicação sobre quem autorizou cada diligência.

Não basta acusar.

É preciso provar.

Partes envolvidas

Luiz Fux — ministro do STF que criticou a atuação da PF e afirmou que nunca havia visto a corporação “peitar” um ministro do Supremo.

André Mendonça — ministro do STF que falou em existência de uma “PF paralela” e questionou a atuação de setores da corporação.

Alexandre de Moraes — ministro do STF envolvido no julgamento relacionado aos contatos com Daniel Vorcaro.

Gilmar Mendes — decano do STF, que criticou o afastamento de Andrei Rodrigues e entrou em confronto com Fux durante a discussão.

Edson Fachin — presidente do STF e responsável pela condução institucional dos processos em discussão.

Andrei Rodrigues — diretor-geral da Polícia Federal, cujo afastamento determinado por Mendonça provocou forte reação dentro do Supremo.

Daniel Vorcaro — ex-controlador do Banco Master, cujo celular originou parte dos dados e relatórios analisados no caso.

Polícia Federal — instituição colocada no centro da crise após as acusações de monitoramento irregular e de existência de uma suposta estrutura paralela.

O que está realmente em jogo

O episódio revela uma crise institucional muito maior do que uma simples divergência entre ministros.

De um lado, há a defesa da autonomia da Polícia Federal para investigar.

De outro, há a necessidade de impedir que qualquer órgão de investigação ultrapasse seus limites legais ou utilize mecanismos de inteligência para monitorar autoridades sem fundamento jurídico.

E existe ainda uma terceira questão: quem fiscaliza a Polícia Federal quando integrantes do próprio STF afirmam que existem irregularidades dentro da corporação?

A resposta não pode depender de quem está politicamente mais forte.

Se há uma “PF paralela”, que sejam apresentadas as provas.

Se não há, que isso também seja demonstrado.

Porque, em uma democracia, nem a Polícia Federal pode estar acima da lei — e nem ministros do Supremo podem estar acima da fiscalização institucional.

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