
Gilberto Carvalho deve assumir funções de Marcola na campanha de Lula após saída de ex-assessor envolvido em investigação
Ex-ministro e antigo chefe de gabinete do presidente volta a ganhar protagonismo na estrutura eleitoral do petista após afastamento de Marco Aurélio Santana Ribeiro, que deixou a campanha após receber valores de empresária investigada pela Polícia Federal
O ex-ministro Gilberto Carvalho deve assumir parte das funções que eram desempenhadas por Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, na coordenação da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A mudança ocorre após o afastamento do ex-chefe de gabinete do presidente, que deixou a equipe eleitoral depois da divulgação de informações sobre o recebimento de recursos da empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal em apurações relacionadas a suspeitas de tráfico de influência.
Carvalho, que já integrava a estrutura da campanha, é um dos aliados mais antigos de Lula e possui uma trajetória marcada por décadas de proximidade política e pessoal com o presidente. Ele foi chefe de gabinete de Lula durante os dois primeiros mandatos presidenciais e também ocupou o cargo de ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência no governo de Dilma Rousseff.
Segundo interlocutores do núcleo político do presidente, a escolha representa o retorno de um nome histórico ao centro das decisões da campanha, especialmente em uma fase considerada estratégica da disputa eleitoral.
Saída de Marcola após repercussão de pagamento
Marco Aurélio Santana Ribeiro deixou a coordenação da campanha depois que veio a público que ele recebeu cerca de R$ 249 mil de Roberta Luchsinger, empresária próxima ao círculo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
O caso passou a ser analisado pela Polícia Federal dentro de investigações que envolvem possíveis relações entre a empresária e pessoas ligadas ao governo federal. Marcola afirmou que o valor recebido correspondia a um empréstimo pessoal, sem relação com qualquer atividade política ou influência dentro do governo.
O ex-assessor também declarou que está à disposição das autoridades e colocou seus sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça para esclarecer a transação.
Após o episódio, Marcola decidiu deixar a campanha para se dedicar à própria defesa, segundo aliados, evitando que a situação interferisse na estratégia eleitoral do presidente.
Um aliado histórico de Lula
A chegada de Gilberto Carvalho a uma posição mais central resgata a presença de um dos principais articuladores políticos da história do Partido dos Trabalhadores.
Carvalho acompanhou Lula desde o período em que o petista liderava o movimento sindical no ABC paulista e tornou-se uma das pessoas mais próximas do presidente. Durante os governos Lula, ocupou uma posição considerada estratégica, responsável pela articulação política e pelo acompanhamento da agenda presidencial.
No governo Dilma Rousseff, continuou exercendo papel de destaque, mas perdeu espaço durante o terceiro mandato de Lula, quando passou a atuar em uma posição considerada menos influente dentro da estrutura federal.
Agora, com a saída de Marcola, aliados avaliam que Carvalho poderá recuperar protagonismo dentro do grupo mais próximo do presidente.
Relação com Janja entra no debate político
A movimentação também chama atenção pelos bastidores envolvendo a influência sobre a agenda presidencial. Pessoas próximas ao governo afirmam que Marcola tinha uma relação de confiança com Lula e também mantinha proximidade com a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.
Com a entrada de Carvalho, interlocutores avaliam que haverá uma nova dinâmica dentro do núcleo presidencial. Segundo relatos de bastidores, a relação entre Janja e Carvalho teria sido marcada por diferenças, principalmente pelo histórico de proximidade dele com Marisa Letícia, primeira esposa de Lula, que morreu em 2017.
Apesar dessas especulações, aliados do presidente afirmam que o vínculo entre Lula e Gilberto Carvalho permanece sólido e que a escolha se baseia principalmente na experiência política e na confiança construída ao longo de décadas.
Campanha busca reorganização após crise
A substituição ocorre em um momento de reorganização da campanha presidencial, que tenta administrar os impactos políticos da saída de Marcola e manter o foco na estratégia eleitoral.
A equipe de Lula avalia que a experiência de Carvalho poderá fortalecer a coordenação interna, especialmente pela capacidade de articulação com movimentos sociais, partidos aliados e setores históricos da base petista.
Enquanto isso, o caso envolvendo Marcola e Roberta Luchsinger continua sob análise das autoridades, com o ex-assessor negando qualquer irregularidade e sustentando que a operação financeira teve caráter exclusivamente privado.