Gilmar Mendes defende regulação da IA e Moraes cobra controle global das redes sociais em fórum de Lisboa

Gilmar Mendes defende regulação da IA e Moraes cobra controle global das redes sociais em fórum de Lisboa

Ministros do STF afirmam que avanço da inteligência artificial e poder das plataformas digitais exigem novas regras internacionais para evitar abusos, desinformação e ameaças à democracia

Durante o 14º Fórum de Lisboa, realizado em Portugal, os ministros do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes voltaram a defender o endurecimento das regras sobre redes sociais e inteligência artificial. As declarações ocorreram em meio ao crescimento mundial do debate sobre controle das plataformas digitais, uso político da internet e os impactos da IA na democracia.

O evento, conhecido nos bastidores políticos como “Gilmarpalooza”, reúne autoridades do Judiciário, políticos, empresários e acadêmicos para discutir temas ligados à democracia, tecnologia e poder institucional. Gilmar Mendes, anfitrião do fórum, afirmou que o avanço acelerado da inteligência artificial exige regulamentação urgente para impedir abusos e evitar que a tecnologia ultrapasse limites éticos e jurídicos.

Segundo o decano do STF, a inteligência artificial já interfere diretamente na vida social, política e econômica das pessoas, criando um cenário que, na visão dele, precisa de controle estatal e definição clara de responsabilidades. Gilmar destacou que o mundo atravessa uma transformação tecnológica profunda e que a ausência de regras pode abrir espaço para manipulação, fraudes digitais e ataques institucionais.

Alexandre de Moraes seguiu linha semelhante e reforçou a defesa de uma regulamentação internacional das redes sociais. Para o ministro, as plataformas digitais se tornaram estruturas globais com poder de influência acima das fronteiras nacionais, exigindo uma resposta coordenada entre países.

Moraes afirmou que a desinformação organizada, os ataques virtuais e a circulação de conteúdos considerados criminosos criaram um desafio mundial que, segundo ele, não pode mais ser tratado apenas com legislações locais. O ministro defendeu uma espécie de alinhamento internacional entre democracias para estabelecer limites às grandes empresas de tecnologia.

As falas dos ministros acontecem justamente num momento em que cresce o debate sobre liberdade de expressão, censura, responsabilidade das plataformas e alcance das decisões judiciais envolvendo redes sociais no Brasil e no exterior.

Nos bastidores políticos e jurídicos, as declarações também repercutiram por ampliarem a percepção de que setores do Supremo defendem uma participação mais ativa do Estado no controle do ambiente digital. Críticos enxergam risco de excesso de intervenção e possíveis impactos sobre a liberdade de opinião nas redes. Já defensores da regulamentação argumentam que as plataformas se transformaram em territórios sem fiscalização suficiente, favorecendo crimes virtuais, campanhas de ódio e manipulação em massa.

O tema ganhou ainda mais força após o avanço explosivo de ferramentas de inteligência artificial capazes de criar vídeos falsos, imitar vozes, produzir imagens hiper-realistas e disseminar informações em velocidade nunca vista antes. Especialistas alertam que a tecnologia pode influenciar eleições, afetar reputações e dificultar a identificação do que é verdadeiro ou manipulado.

Durante o fórum em Lisboa, Gilmar Mendes ressaltou que o debate sobre IA e redes sociais deixou de ser apenas tecnológico e passou a ser uma questão de preservação institucional e democrática. Moraes, por sua vez, voltou a defender que empresas de tecnologia não podem atuar acima das leis nacionais e internacionais.

O encontro em Portugal segue reunindo nomes importantes da política e do Judiciário brasileiro, enquanto o debate sobre os limites das redes sociais e da inteligência artificial promete se tornar um dos temas centrais dos próximos anos no Brasil e no mundo.

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